12 séries pequenas que valem a pena… ou nem por isso…

Querem séries pequeninas para ver? Querem evitar séries pequeninas que passaram pelo vosso radar mas não convenceram? O Vítor ajuda…

Fleabag ↓↓↓↓↓ ↑↑↑↑↑

Uma peça que virou temporada e que o sucesso ditou que regressasse. Phoebe Waller-Bridge está por todo o lado e bem que o merece. Além de Killing Eve, deu-nos esta incrível dúzia de episódios sobre um saco de pulgas ambulante sem nome nem rumo. Phoebe quebra a quarta parede com o espectador e manda a casa abaixo com a qualidade da sua escrita. Havia o receio que uma 2T fosse diluir a qualidade mas só lhe acrescentou mais um andar. Uma comédia absolutamente fundamental.

What We do in the Shadows ↓↓↓↓↓ ↑↑↑↑↑

Pegando no formato de mockumentary, segue as noites de um trio de vampiros e um serviçal humano. Acompanhamos as rotinas e pequenos episódios de inserção destes seres presos em costumes medievais na América de hoje. Havia um certo receio que as piadas fossem tornar-se cansativas com o tempo, mas não há tempo para isso. A temporada, e os episódios, são curtos o suficiente para tornar a degustação fácil. Kayvan Novak, Matt Berry, Natalia Demetriou e Mark Proksch são excelentes e podem contar com vários cameos famosos ao longo da temporada.

Chernobyl ↓↓↓↓↓ ↑↑↑↑↑

Nunca uma tragédia foi tão fácil de ver e recomendar. Chernobyl é mais do que uma descrição de um período terrível, é a dramatização de uma historia que não deve ser esquecida. O nível de detalhe, a realidade crua, o humor esporádico, as revoltantes atitudes do governo soviético e a escala da tragédia, a nível pessoal e global, são alguns dos seus pontos mais fortes. Os três principais focos são no entanto a qualidade da escrita, a categoria dos actores e o brilhantismo da banda sonora. Crag Mazin é o homem do leme que conseguiu uma mistura impecável entre o real e o drama (ouçam o podcast da série entre episódios!), Jared Harris e Stellan Skarsgard são os pilares desta historia e não há como menosprezar o seu valor no sucesso do projecto e a musica, que nos impinge ainda mais a sensação de “terror” e suspense. É, para já, o drama do ano para mim.

Barry ↓↓↓↓↓ ↑↑↑↑

Esta série conseguiu uma proeza rara: amadurecer entre a primeira e a sempre difícil segunda temporada. Após um sucesso inicial é muito fácil cair, não só porque não consegue manter a qualidade mas também porque falha em surpreender novamente o espectador. Barry usou a comédia negra para se apresentar mas agora é basicamente um drama com um rasgos de comédia. Barry amadureceu, Bill Hader amadureceu, tudo e todos mudaram… Mas tudo acontece sem que a série perca identidade! O quinto episódio é o melhor episódio do ano para mim.

The Little Drummer Girl ↑↑↑↑

Tem a seu favor um elenco muito bom e uma historia de espionagem “à antiga” que agradará aos fãs do género. Infelizmente, e no que ao gosto pessoal diz respeito, as coisas boas acabam aí. O passo da narrativa varia entre o inconstante e o sono leve e o desfecho é para lá de previsível. Tenho a sensação de que estou a ver algo bom mas que não deixará saudades nem será lembrado no futuro. No elenco encontramos o fantástico Michael Shannon, Alexander Skarsgard é sempre bom mas é o actor menos israelita que podiam arranjar e Florence Pugh passa, por alguma razão, 95% sem soutien. Em contrapartida há sempre

Gentleman Jack ↑↑↑↑

É provavelmente a série mais difícil de recomendar da lista. A verdade é que o passo desanima o mais paciente e nos dois primeiros episódios não se esforça por chamar à atenção. Somos despertados principalmente pela quebra da forth wall da protagonista (cuja regra para o fazer não é perceptível) e pelo passo sempre acelerado da mesma. Os episódios finais são mais entusiasmantes mas a melhor maneira que tenho para descrever Gentleman Jack é uma versão lésbica de Poldark. Suranne Jones é excelente e é a única razão para não ter desistido logo. Deixo ao vosso critério…

Derry Girls ↓↓↓↓↓  ↑↑↑↑

É tudo aquilo que poderíamos esperar de uma serie de humor britânico: acidez e no bullshit. Não tem muito de diferente a tantas outras, mas são os “toques” que a tornam especial. No centro das gargalhadas está um grupo de adolescentes a crescer em ambiente de animosidade entre Irlanda Católica-Irlanda Protestante-Inglaterra. Embora a história por vezes leve o assunto mais a sério, nunca afecta a capacidade de nos rirmos das situações do grupo a crescer em ambiente religioso. Michelle é a minha favorita, juntamente com a Sister Michael mas há personagens para todos os gostos. São duas temporadas curtíssimas que vão alegrar o vosso serão, de certeza.

Catch-22 ↓↓↓↓↓ ↑↑

Seria muito fácil para mim recomendar Catch-22. Uma espécie de M.A.S.H dos tempos modernos que mistura caras muito conhecidas (George Clooney , Hugh Laurie, Kyle Chandler…) com jovens actores fantásticos (Cristopher Abbott, Daniel David Stewart, Lewis Pullman…). No entanto a recomendação está em modo pendente. Nunca li o livro, por isso não sei se acaba do mesmo modo que esta primeira temporada. A maneira como a história é concluída não é satisfatória e nem se pode dizer que é ambígua. Há personagens que simplesmente desaparecem e quase tudo fica sem resposta. De momento não há prognóstico para uma T2 (até foi assumida como mini-serie), o que é algo que não entendo…

The Loudest Voice ↑↑↑↑

Finalmente a história de como a CMTV foi criada chega à ficção dos EUA! Não… Russell Crowe veste, literalmente, Roger Ailes e a série acompanha a vida da figura controversa por detrás da criação da FOX News. Por vezes (muitas) exagera no pandering do discurso, com Roger a prolongar-se em longos discursos, mostrando o quão corrupto e manipulador era a sua mente. Para quem não conhece esta estação e tudo o que ela fez/faz à sociedade americana, é uma boa injecção de realidade que vos vai enfurecer. Talvez lhe aponte o facto de a história não acabar com um “bang”. É mais um desmoronar em dominó sobre um homem que, a ser verdade um quarto do que é representado, mereceu a ruína do final. A série tem sete episódios e conta com Naomi Watts, Sienne Miller, Seth Macfarlane, Simon McBurney e Annabelle Wallis.

I am the Night ↑↑↑↑

O piloto prometia uma trama bem mais interessante de se acompanhar, mas no final nem a presença de Chris Pine torna estes seis episódios interessantes. Em vez da investigação jornalística a um homem poderoso e obscuro, temos a procura chata e irritante de uma adolescente pela mãe, sem que nem isso seja recompensador. A lindíssima India Eisley passa a vida a perguntar por Tamar e Connie Nielsen interpreta aquela irritante drogada/alcoólica/alunada personagem que nunca diz o que sabe. Veria de bom grado dez episódios de diálogo entre Pine e Leland Orser (que não aparece no nosso ecrã as vezes que deveria).

Lambs of God ↑↑↑↑

Estranha, a palavra que a define é estranha. Conta a história de três freiras em total isolamento no seu mosteiro. Vivem pacatamente até à chegada de um padre que lhes quer retirar o lar. O que se segue é tortura psicológica, rapto, homicídio, viagens alucinadas, flashbacks e contos tradicionais que espelham o passado das personagens durante os três episódios. Ann Dowd (The Handmaid´s Tale) está excelente, como de costume, e todo o elenco que a acompanha é mais do que competente. O ritmo e a estranheza da história, infelizmente, não irá agradar a muita gente.

The State of the Union ↓↓↓↓↓ ↑↑↑↑

Dez episódios de 10 minutos… é este o comprometimento para acompanharem uma das melhores séries de 2019. Chris O’Dowd (IT Crowd) e Rosamund Pike estão com problemas no seu relacionamento e decidem consultar uma psicóloga matrimonial. Cada episódio são os dez minutos que antecedem cada uma das consultas, em que o casal se encontra no bar ao lado. Falam deles, do brexit e até de outros pacientes que observam a entrar e a sair do consultório. A comédia inteligente e ideal para ver com a cara metade numa tarde de domingo.

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