A Contrapartida de “Fringe”…

​[NÃO CONTÉM SPOILERS DE “COUNTERPART”] Ainda estão com saudades de “Fringe” e nada parece preencher esse vazio? Talvez “Counterpart” seja para vocês.

J.K. Simmons (Just Keep on Simmons!) é um velho rotineiro, preso num rotineiro trabalho que não dá valor aos seus olhos carinhosos ou dedicação rotineira. Até ao dia em que descobre a verdadeira fachada do escritório: todo o mundo que conhece é apenas metade da realidade e há um outro JK por conhecer. Há uma fronteira entre realidades que travam uma Guerra Fria entre si, em segredo do resto do mundo.

Tudo leva a crer que a acção se desenrola no presente, mas há uma aura de detectives dos anos 50 no ar, até a própria fronteira é muito analógica. A série leva o seu tempo a arrancar… minto, a série arranca logo mas a recompensa demora a aparecer e isso talvez desmotive quem não está para aturar uma hora de piloto. Mas vermos a personagem no seu dia-a-dia não só confia no “show don´t tell“, como acaba por fazer sentido à posteriori. O mesmo pode dizer-se do piloto em relação aos restantes (até ao quarto pelo menos). Inicialmente há uma quantidade de termos e incógnitas lançadas para o ar que confundem o protagonista e o espectador, mas nunca chega a ser sufocante. Aguça e desperta a curiosidade e alimenta-nos durante os momentos mais lentos. Esta premissa já foi abordada em outras séries e muitas vezes sentimos aquele “mais do mesmo”. A maneira que encontro para diferenciar “Counterpart” é que talvez o faça de modo mais adulto.

Obvio que J.K Simmons é brilhante, passemos à frente… É fantástico reencontrar Harry Lloyd (a maior parte vai reconhece-lo como o detestável irmão de Daenerys) e Jamie Bamber (Battlestar Galactica), mas todo o elenco é bastante competente. Curiosamente é na personagem de Silk 1.0 que a série mais engonha. A partir do momento que o trama desenrola e estamos convictos em acompanhar, é no “mansinho” que não só a série abranda/encalha. Nada que estrague a experiência, no entanto. Sinto um ar de “Breaking Bad”, como se o Walter da primeira temporada descobrisse o Walter da última. Talvez seja essa a intenção. As cenas em que os dois JK partilham a cena são feitas de modo simples e impecável.

Direi mais no final dos dez episódios, mas para já encontro poucas contrapartidas a ver esta série (era inevitável o pun!). Não só é boa ideia devorar JK Simmons sempre que possível, como é ficção-cientifica sem que sejamos bombardeados com CGI. É um drama que demora a despertar mas que é inteligente na abordagem. Espreitem, vá lá.

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