A minha Comic Con – Paul, Cosplay e Filas…

Chegou ao fim um fim-de-semana para mais tarde recordar, com muitas “primeiras vezes”, muita gente, muita correria, muitas filas e muitas recordações…

Tal como referi no texto pré-evento, pertenci ao grupo dos cínicos, dos que não acreditavam, dos que afundaram o projecto antes mesmo de ser mais que uma célula. Com o passar do tempo fui dando o braço a torcer e comecei a não encontrar grandes motivos para, pelo menos, dar o beneficio da dúvida a um evento que se correr bem só faz bem a Portugal, a Matosinhos e aos geeks. Passado o evento alucinante só tenho as melhores recordações…

ORGANIZAÇÃO – O BOM, O MAU E O MELHORAR

Correu tudo bem? Não. Podia ter corrido bem melhor? Sim. Correu melhor do que seria de esperar? Sem dúvida! Os organizadores frisaram vezes sem conta que este foi o primeiro ensaio. Nunca se desviaram das criticas nem assumiram que a lição estava plenamente bem estudada. Foi notória a curva de aprendizagem de sexta para sábado e são lições que se vão acumulando para um maior profissionalismo a cada ano que passa. Mas há uma vontade de fazer melhor e, acima de tudo, de ouvir sugestões. Não sejamos hipócritas, neste tipo de eventos TEM DE HAVER filas! Quem tanto gosta de comparar o evento português com o titânico San Diego, pelo menos lembrem-se do desespero das filas também. Superando as expectativas, estiveram cerca de 32 mil pessoas na Exponor, não há milagres. No sábado, o pior dia em termos de movimento, as filas já estavam melhor organizadas e nesse aspecto o “trial day” de sexta-feira mais leve foi importante para preparar a organização para o pandemónio dos últimos dias.

O principal pavilhão de expositores estava bem recheado, com variedade, mas no geral não se pode dizer que tenha sido rico. Houve pavilhões mais vazios (um deles apenas com o “Doar Sangue” e o expositor do Syfy), mas isso não é tanto culpa da organização mas de parceiros ainda receosos pelo primeiro ano. De certeza que para o ano vamos ter corredores bem mais preenchidos. Outro aspecto que tem de ser melhorado é a entrada no recinto. Na sexta-feira, a espera para entrar era grande e ainda bem que foi o dia de menor afluência, felizmente no sábado a máquina estava mais bem oleada para lidar com 4x mais pessoas (estimativa minha do que pude observar). A organização deve pensar numa alternativa para não juntar toda a gente (passe weekend, diário e VIP) no mesmo ponto de acesso.

A minha principal crítica vai para os voluntários. Eram muitos, andavam em grupos e eram, a maior parte das vezes, “inúteis”. Numa situação em que pedi indicações foram-me transmitidas quatro informações diferentes. Além disso, com a rotatividade das pessoas nos diversos pontos, a informação não era “herdada”. No acesso à zona de imprensa, por termos passes de New Media, foi-nos barrada a passagem varias vezes. Era necessário pedir para chamarem um responsável e explicar a situação NOVAMENTE, porque a voluntária nova não tem o conhecimento da “antiga”. Pelos vistos a contratação da uma prestigiada agência de voluntários não foi o suficiente para garantir um bom serviço e este é dos principais pontos a melhorar pela organização para o próximo ano. Há muitas “crianças” que vêem no voluntariado a possibilidade de estarem presentes no evento sem custos e esquecem-se da verdadeira razão porque estão ali.

Uma menção para a zona Kids. Talvez os números relatem outra realidade, mas na minha opinião foi uma aposta falhada. Este tipo de eventos não é para crianças que possam desfrutar do espaço. Entendo a intenção da organização em tornar o evento mais familiar, chamar todos os públicos, mas não me parece que seja uma aposta ganha e a manter.

PÚBLICO – OS VERDADEIROS HERÓIS DO COSPLAY

O responsável Paulo Cardoso dizia que era o mais contido nas expectativas e pelo menos as suas foram superadas em 50%. Tal como o evento em si, as pessoas têm também de aprender a frequentar o evento. Já referi a frustração de alguns por filas, pensando que o acesso ao recinto os transporta para uma dimensão onde só eles estão presentes, mas também no que esperar do seu conteúdo. Ouviu-se e leu-se criticas de pessoas que não estão familiarizadas com o que é uma Comic Con, e quando assim é, não há nada que a organização possa fazer além de desiludir. Aqui entra o grupo de pessoas que mais merece o meu elogio: os cosplay. Familiarizados com este tipo de eventos, por experiência ou por investigação, foram a verdadeira alma desta Comic Con! Eu nunca esperei um tal nível de profissionalismo na criação das “fatiotas”, verdadeiras obras de arte de jovens que perderam claramente muito tempo em criar algo que dá gosto ver e apreciar. As pessoas transmitiam essa apreciação com a incessante vontade em tirar fotos com muitos deles, pedidos esses que nunca foram negados, antes acariciados e recebidos com um sorriso. A todos eles deixo os meus parabéns por embelezarem (viu-se muita menina bonita, que já deu origem a verdadeiras demandas pelas redes sociais em busca da identidade das donzelas), darem cor e variedade (viu-se de tudo) e espectacularidade à Comic Con (o Hulkbuster é para lá de incrível e, ao que sei, venceu o concurso realizado no sábado). Num evento em que o foco era a televisão, foram vocês os principais vencedores.

Referência ainda para a “malta das estrelas”. Os costumes e a boa disposição da 501st Legion fez-se notar e contagiou os fãs de Star Wars e não só.

CONVIDADOS TV – PAUL E OS DEMÓNIOS

Não tivemos Rick Grimes nem Tyrion Lannister, obviamente que não. Os Velhos do Restelo não fazem ideia da dificuldade em trazer ao nosso país nomes grandes, e ocupados, da indústria numa primeira edição. Natalie Dormer, a grande cabeça de cartaz, esteve em gravações na sexta-feira e ia retomá-las na segunda, por exemplo. Nunca pensei que no ano de estreia conseguíssemos juntar um elenco tão rico. Infelizmente alguns deles foram confirmados “tarde de mais”, originando críticas de pessoas que tinham bilhete para um dia e preferiam agora para outro. Entendo e aceito, mas compreendo também que alguns nomes só tenham sido possíveis no limiar do tempo.

Por via da FOX (agradecimento à Raquel Campos), foi possível estar presente em conferências de imprensa das celebridades antes de estas estarem no auditório, para delight de centenas de pessoas. Não sou jornalista, nunca tinha feito uma conferência de imprensa e no meu desmame estou a dois metros da Morena Baccarin. É uma sensação para lá de estranha e impossível de explicar. Além do “fangirlismo” da situação, além do nervosismo, além da percepção de que tanto Morena como Natalie Dormer conseguem ser ainda mais terrificamente bonitas em pessoa, para lá de tudo isso está um cromo que conhece apenas o seu trabalho na televisão e teve a possibilidade de estar a falar com elas, olhos nos olhos, e vê-las a responder directamente. Felizmente houve trabalho de pesquisa e perguntas não faltaram, caso contrario o nervosismo e impasse tinham dado de si e grilos iam imperar na conferência. Grilos não por falta de entusiasmo, mas pela completa ausência de almas sentadas.

Fruto da dúvida e estranheza dos grande media portugueses, ou puro desinteresse, as salas destinadas aos jornalistas estiveram às moscas. Parece que este tipo de visita é normal e ninguém quer saber. Não fosse a presença dos “não-jornalistas”, que escrevem para blogs, páginas de Facebook e outras plataformas, as conferências demorariam dois minutos. A estranheza de ver o olhar de gata de Natalie Dormer só é superado pelo facto de estarem 15 pessoas na sala para o ver, em que 10 são meus conhecidos.

Natalie Dormer – Bastante simpática e disponível, mas tem expressões e afirmações que podem desarmar o mais desatento. Durante a conferência fiz duas perguntas que ela não “recebeu” bem e embora não tenha sido mal educada, o facto de ser tão assertiva chega a assustar. Durante a presença no auditório espalhou sorrisos e gargalhadas e só uma pergunta sobre feminismo, um assunto que leva claramente a peito, lhe fez chegar a mostarda ao nariz. Eram muitas as pessoas que desejavam um autógrafo seu no final e foram muitas as desiludidas quando a viram partir “cedo”.

Morena Baccarin – Tal como Natalie, sentimos perfeitamente quando entra na sala. Não é só a beleza, mas há um ar que as duas estrelas femininas desta edição emanam que não passa despercebido, nem mesmo a outras mulheres. Na conferência de imprensa falou sempre em inglês, claramente mais à vontade, mas no auditório falou uma grande parte do tempo num português perfeito. Distribuiu autógrafos e sorrisos mas fica-me a ideia que este não é o seu mundo. Muito se falou de Firefly (mais do que eu esperaria) e há uma vontade clara da actriz em se ligar aos fãs, mas há também um certo desconforto. Talvez esteja a ser injusto, talvez o nervosismo de uma primeira vez tenha também contagiado a actriz, mas foi o que deu a entender.

Clive Standen e Seth Gillian – Infelizmente não estive presente nem no auditório nem na conferência de ambos. Seth foi a excepção na conferência de imprensa, já que a FOX encheu a sala com vários jornalistas nacionais e internacionais. Clive foi um dos casos em que a nossa presença foi barrada e quando tentei entrar estava o actor a sair a sala… Mas pelas reacções que obtive de outras pessoas, foram ambos impecáveis e simpáticos também.

Tom Riley, Blake Ritson e Elliot Cowan – Estes foram os grandes responsáveis pelos suspiros femininos no domingo. O fangirling foi quase embaraçoso no auditório, quando as adolescentes, e não só, tiveram dificuldade em articular as perguntas de microfone na mão. Muitos pedidos de autógrafos, fotografias e de casamento se fizeram ouvir. Para algumas o prazer de receber o name tag dos actores foi o suficiente para ficarem de coração cheio. Tom e Blake entraram muito mais no espírito do evento e foram uma verdadeira fonte de energia durante o dia, brincando com tudo e todos, lançando os foguetes e apanhando as canas. Elliot é bem mais reservado, longe de ser antipático, mas mais seco no seu humor e menos entusiástico, também fruto da menor atenção de que era alvo. O mesmo se passou na conferência de imprensa, em que os actores tornaram o ambiente leve e bem disposto, encerrando o dia e o evento em grande. Uma nota para o trailer da terceira temporada de “Da Vinci’s Demons” que pudemos ver no auditório, em estreia absoluta. Deixa antever uma temporada boa para a série.

Paul Blackthorne – Não é por acaso que deixo para o final o actor de “Arrow”. Se os cosplay foram os senhores do publico, Paul foi o verdadeiro imperador no que a convidados diz respeito. Esteve presente nos três dias e em cada um deles esteve mais de três horas a dar autógrafos a quem o desejava. Se a isso acrescentarmos que a cada um deles se levantava e tirava foto, que puxava pelo público e oferecia bolachas a quem há muito esperava pela sua vez, faz de Paul o melhor convidado possível num evento deste tipo. A sua disponibilidade e simpatia não deixaram ninguém indiferentes e de certeza que a série da CW adquiriu muitos novos seguidores que querem agora conhecer o seu trabalho.

Nota para Joe Reitman, embora com menos protagonismo, e no papel de organizador também, não se negou a inúmeros pedidos de fotografias e cumprimentos sempre que se passeava pela feira. Claramente satisfeito pelo sucesso do evento.

MODERADORES DOS PAINÉIS – GRANDE BOINAS

Quando os artistas marcavam presença no auditório para responderem às perguntas dos presentes, havia sempre um convidado que partilhava com eles a mesa e ajudava a moderar e traduzir caso fosse necessário (que nunca foi, o nível de inglês dos portugueses foi inclusive elogiados pelos actores). Dos três painéis que pude assistir, foi possível ver três níveis: Marta Santos da Rádio Comercial estava claramente nervosa ao receber a tríade de Da Vinci’s Demons e pouco mais fez além de os apresentar. Não que fosse preciso, eles tomaram conta do show. César Nobrega recebeu muito bem Morena, fazendo bem a ponte com o público e deixando a actriz mais à vontade. No entanto, passou o tempo a gesticular instruções às pessoas que percorriam a sala com o microfone em busca de perguntas, isso consegue ser quase irritante quando queremos estar com atenção ao que a actriz está a dizer. Por fim temos Luís Filipe Borges, esse sim, incrível. Apresentou, moderou, fez perguntas à Natalie, conhecia o seu trabalho e foi bastante engraçado… tudo o que devemos esperar de alguém naquele papel, talvez fruto da sua experiência no 5 Para a Meia Noite. Os meus parabéns a ele e a quem o escolheu, fucking amazing.

FOX – A CHAMA

A estação de cabo merece a menção porque foi a principal dinamizadora, no que à televisão diz respeito. Para além das séries que estiveram presentes, pela cobertura que fez, pelo investimento e actividades merece os parabéns por acreditar na Comic Con. A MOV fez-se presente com Clive e o AXN teve um stand dinâmico, com oferta de brindes, mas nada que se assemelhasse ao trabalho feito pela FOX. Um dos pontos de maior sucesso do evento foram os Walkers, incríveis colaboradores com incríveis caracterizações de zombies, que se fizeram passear pela Exponor, assustando por onde passavam, incansáveis. Era possível “alugar” estes zombies e passeá-los à moda de Michonne, o que além de ser uma excelente forma de publicidade (se é que Walking Dead ainda precisa de mais), é este tipo de actividades que dinamizam a exposição e deixam uma impressão positiva nas pessoas.

THE LIBRARIANS – O PILOTO QUE NÃO SE DESEJAVA

No domingo houve a oportunidade de espreitar o piloto da série da Syfy, horas antes desta estrear nos EUA. Bom, quem me conhece sabe que eu não deixo episódios a meio, mas aquilo a que tive oportunidade de “desfrutar” antes do resto do mundo só pode ser descrito como amador e fraco. A Syfy parece que já nem tenta! Para quem gostar de maus efeitos especiais, mau argumento, momentos de acção sofríveis, de um Noah Wyle sob efeito de drogas, uma Rebecca Romijn a dar socos na atmosfera e tiver saudades de Warehouse 13, esta é a série para vocês! Saí ao fim de 20 minutos… vi depois o episódio duplo em casa e arrependi-me imediatamente do tempo perdido. Apesar disso, este tipo de iniciativas (estreias) são muito boas na Comic Con, espero que no futuro possamos desfrutar de mais estreias, mas de qualidade. Nota para a transmissão do episódio na tenda, em que metade das legendas estavam tapadas pelo palco previamente montado, dificultando a visualização. São estes tipo de pormenores que a organização tem de ter mais atenção no futuro.

AGRADECIMENTOS – ORGANIZAÇÃO ATENCIOSA

Houve pessoas que tornaram este fim-de-semana numa experiência ainda melhor de se desfrutar. Para além da malta do APS Portugal que me acompanhou na aventura, quero agradecer à Maggie e à Leonor, que estiveram a cobrir o evento para o TV Dependente. A Maggie foi incansável durante os três dias e os seus textos provam isso mesmo.

O meu agradecimento vai ainda para duas pessoas da organização: Paulo Cardoso, o grande responsável pelo evento, que andou incansável pelos pavilhões e sempre que me encontrava perguntava se estava tudo bem e se estava a gostar. Não teria de o fazer, demonstrou preocupação e eu agradeço. Vânia Queirós, responsável de Comunicação, que esteve presente e moderou as conferências de imprensa. Facilitou-nos o acesso e fê-lo sempre com simpatia e disponibilidade. Tive o prazer de estar à conversa com ela no final, já descomprimidos com o final do evento e quando lhe agradeci o esforço dos três dias, agradeceu-nos a nós a cobertura do evento. Não teria de o fazer, demonstrou preocupação e eu agradeço.

PLANOS PARA O FUTURO – PORTO PARA SEMPRE

A feira está “prometida” até 2018 no Porto e sei também que a edição do próximo ano já está a ser preparada. Foi-nos dito que os actores convidados adoraram a experiência e isso é o melhor que pode acontecer à Comic Con. A presença de futuras celebridades depende do feedback das que estiveram presentes agora. Para a boa imagem muito contribui a cidade do Porto, que recebeu inúmeros elogios ao microfone e fora dele. É sem dúvida um grande ponto positivo todas as benesses que a nossa grande Invicta tem para oferecer e a cidade só tem a ganhar com a presença da feira aqui. Em termos de balanço, é cedo ainda para os fazer, mas estarei em cima das novidades, ciente que a palavra “sucesso” será ouvida. Em relação a convidados futuros, foi pública a intenção de trazer Stan Lee e ouvimos uma pequena menção a Supernatural e Jensen Ackles… vamos aguardar, ainda é cedo para lançar foguetes.

Exausto mas de coração cheio por três dias incríveis de aprendizagem que pretendo repetir, em Dezembro, na Exponor. Obrigado aos que tornaram tudo possível e melhor. Vemo-nos por lá, espero.

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