Alienar a mente…

[CONTÉM SPOILERS DE “THE ALIENIST”] No séc. XIX, pensava-se que os indivíduos que nunca viram televisão e consideraram esta série original eram alienadas da cabeça. Os especialistas que estudavam este tipo de pessoas eram conhecidas como asnos…

O que acontece quando se mistura três bons actores, uma excelente caracterização de época e uma premissa algo interessante? Uma série mediana, infelizmente. Antes de cuspir a primeira letra desta análise já estava submergido numa quantidade enorme de ranho provocada por “auto-sobranceirismo”. Não há volta a dar, a minha opinião tem de reflectir a quantidade alienígena de séries que já consumi. Infelizmente para este caso tem um peso negativo.

A premissa é interessante mas não é nova. A caracterização é boa mas não apresenta nenhum fascínio especial para quem devora séries de época sempre que pode. A representação do trio principal é bastante competente, principalmente de Dakota Fanning, mas o argumento não os vinga. Para cada diálogo mais intenso há um facilitismo na narrativa, uma necessidade de martelar acção com medo de perder a audiência para o sono. Depois há os “gêmeos maravilha”, os cientistas do grupo que em muito me fizeram lembrar a dupla de “Hannibal”. Personagens supérfluas que servem para avançar o caso e pouco mais. A oportunidade de abordar a ciência forense nos primórdios é desperdiçada.

Mas se tenho de salientar o maior espinho no meu mindinho é o tema central de toda a temporada. Normalmente dez episódios é sinónimo de compressão mas há tantos momentos de chouriço! Perde-se incontáveis minutos com a perseguição a um assassino evidente (tal como se sabe que os dois primeiros acusados num episódio de “CSI” são inocentes porque ainda falta muito para o episódio acabar). O episódio 7 é a derradeira estocada na inteligência: todos os intervenientes na cena se distraem ao mesmo tempo e a perseguição fez lembrar um episódio de “Scooby Doo”. Desafia toda a lógica e tenta emburrecer o espectador, o que é triste por si só, mais ainda quando a série se tenta assumir como inteligente.

No final temos uma resolução mais do que esperada. Um psicólogo que passa dez episódios a caçar com a inteligência e um assassino que morre pela bala do maior asno da freguesia… E o que esperar de uma segunda temporada? Mais um caso? É isto um procedural de temporada? Não é uma completa perda de tempo. Há alguns motivos para espreitar “The Alienist”, mas poucos. Talvez no séc XIX, quando o HD era novidade e havia pouca televisão de qualidade, se justificasse o investimento. Nos dias de hoje há muito melhor por aí (cof cof “Mindhunter” cof cof)…

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