As séries que vi e não devia ter visto em 2017…

Embora bem menos desinformado que o meu ano cinéfilo, o seriólico foi ainda assim mais pobre do que se desejava. Vivo muito bem no meu mundinho até ver o quanto os meus amigos conseguem devorar episódio atrás de episódio e eu, impotente, me contento com o que é possível. Quero imenso entrar numa relação séria, mas neste momento é só complicada. A escassez de tempo, tal como a preguiça alimenta a invenção, leva-me também a ser bem mais esquisito na altura de pegar numa série nova. Dito isto, posso dizer que o ano foi bem positivo e muita coisa boa me passou pelos olhos…

Os Ases Indomáveis!


“The Lying Detective” é um hino à perfeição e rivaliza com “Scandal in Belgravia” como melhor episódio de sempre de “Sherlock”. Há um enorme sentimento de conclusão no final e embora adorasse mais episódios, claro, não ficaria de todo decepcionado com este embrulho. Figura da lista a mais do que óbvia “Game of Thrones”. É a minha série favorita e teve mais uma temporada de grande nível. “The Handmaid´s Tale” não me cativou inicialmente, aliás, depois do piloto ficou em hibernação. A cinematografia, o elenco e a premissa encantam e a simplicidade e complexidade da história merecem uma maratona e uma degustação lenta a condizer. “Rick and Morty” foi a surpresa pessoal e é a genialidade da escrita (sem nos esfregar constantemente isso na cara) que mais fascina. O facto de ser animação faz com que os mais distraídos e complexados não o queiram aceitar. Para finalizar, pois claro, “Peaky Blinders”. Um delight em dose britânica com o melhor elenco da televisão. Adrien Brody esteve excelente, Ciaran Brophy a brilhar na estratosfera e Hardy a dar a perninha do costume. Uma temporada que peca pela previsibilidade mas que não mancha a experiência.

Novidades que encantam…


“American Gods” é uma delicia para os olhos. A premissa é ao meu gosto e embora demore o seu tempo a arrancar (podemos alegar que só o faz no final), compensa quem não desiste dela. “Mindhunter” é uma delicia para quem gosta de uma boa conversa e é nas entrevistas que a série mais brilha (que saudades tinha eu de Torv!). “Billions” junta dois actores que não precisam de grandes argumentos para convencer, tanto Giamatti como Lewis são a alma de uma trama que só nos perde ligeiramente na conversa mais técnica. O meu grande medo é que passa na “Showtime”, a maior assassina de boas séries da televisão. “Taboo” é um daqueles sonhos marados que lutamos para recapitular quando acordamos, uma viagem entre o realismo e o sobrenatural que por isso não convencer muita gente. Finalmente, e no comboio “Vítor chega tarde à festa”… “The Good Place” é das séries mais inteligentes dos últimos tempos. Kirsten Bell é o pivot de uma comédia com twists e lições de vida.

Porque há histórias que sabem bem…


Nem todas as série têm de nos desafiar e provocar… “Versailles” é um desses casos. Tudo é mais ou menos previsível e de resolução fácil mas contém um cast que vai dando motivos para acompanhar. “The Last Kingdom” é um feel good para aqueles que não exigem muito de uma série que não se leva a sério. “Black Sails” perde encanto no meio da sua história, no entanto este final satisfaz quem não desistiu. “Narcos” não tem o mesmo fogo dos tempos de Pablo e sinto falta das narrações de “Murphy” (cuja ausência a série nem se preocupa em explicar), mas ainda há prazer a retirar dali. A ultima série foge ao espectro das restantes já que não só não é de época, como não é nada fácil de ver. “Legion” é uma viagem sobre efeito de ácidos pela mente de um esquizofrénico mutante… Aubrey Plaza e Dan Stevens carregam esta amálgama às costas e embora não entre no clã que a considera uma verdadeira obra de arte, é um produto original e que poderá agradar a quem procura algo desafiante.

Perdi o meu tempo com isto…


“The OA” é a história… bem, sabe-se lá que história é esta! O final dá-nos com uma daquelas tartes de chantilli nas bentas começa-se a rir da nossa figurinha. A viagem vale por um visual bem conseguido mas cai por terra quando a história não oferece qualquer recompensa a quem a aturou. Com “Iron Fist” a Netflix e a Marvel devem ter achado que a receita estava feita e era só atirar ingredientes lá para dentro. O elenco não convence (Finn Jones não deve ter aprendido uma coreografia ou ido um dia ao ginásio) à realização não se esmera (tudo aquilo que “Daredevil” faz bem aqui corre mal) e a história não tem passo (demora a arrancar e quando o faz tropeça nos próprios pés). Em “The Night Manager” tudo acontece de modo muito previsível e é evidência que não basta ter bons actores para algo vingar. Hugh Laurie não é suficiente para carregar isto a bom porto e Tom Hiddleston passa por mau actor. “Mr. Robot” roubou-me o último grau de areia da ampulheta e recuso-me a contribuir mais para este fenómeno populista. O “mindfuckery” não é sinónimo de inteligência é simplesmente mindfuckery. “Jamestown” vinha como sucessora de “Downton Abbey”, mas copiou a qualidade das temporadas finais e não das iniciais.

O que aí vem promete…

A idade ensinou-me a ser prudente e cauteloso brilho dos trailers, ainda assim há séries que se avizinham que têm todos os ingrediente para agradar ao menino. “Britannia” e “The Alienist” são mesmo o meu estilo de série de época, “Sharp Objects” e “Good Omens” têm elenco que fala por si e “Altered Carbon” tem acção e sci-fi para convencer… esperemos que nenhuma desiluda.

Fora estas referidas, espero acima de tudo que seja um terrível ano para a televisão! Estou suficientemente atrasado para aparecerem que valha a pena ver…

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