As séries que vi em 2018…

Dezembro, aquela altura do ano em que somos bombardeados cada vez mais (e mais cedo) com… listas. Como blogger que me prezo, tenho de atirar madeira para a fogueira, por isso, seguem-se listas de tudo e mais alguma coisa no que toca a 2018. Como estamos neste ano, e não quero ofender alminhas, convém realçar que esta é uma lista estritamente pessoal não pretende ser dogmática. É importante referir também que há ausências (graves) no curriculum: ainda não finalizei Sucession, não espreitei Killing Eve, não vi a T2 de The Crown, não me agarrei a Homecoming ou Maniac, não apanhei a mais recente de Billions, não pisquei o olho a Atlanta nem Better Call Saul e para minha tristeza ainda não devorei The Americans… e com esta enorme cara envergonhada… as minhas melhores séries de 2018:

Marvelous Mrs. Maisel...

...é para mim a melhor comédia em exibição. Rachel Brosnahan e seus sidekicks dão vida a um argumento de Sherman-Palladino que envergonha qualquer fã de Sorkin. Não é uma série para toda a gente, mas não só tem várias gemas (cenas de deliciosa cacofonia visual e auditiva) como há um fio que interessa seguir. A prova disso é que superou com mestria a dificuldade de uma segunda temporada, que em nada fica atrás da de estreia.

Big Mouth...

...tem uma premissa bastante simples: explorar as “dores de crescimento” dos jovens nos tempos modernos. O que torna a série diferente não é a animação (de certo modo South Park já o faz), mas sim o brilhantismo do argumento. Um elenco de luxo dá vida a lições morais inteligentemente exploradas. PS- Não deixem os vossos filhos ver isto!

Counterpart...

...é como se Fringe em tempos da Guerra Fria. JK Simmons dá vida a duas versões da mesma personagem: um espião ciente da multi-realidade e a outra um inocente workaholic. Aliás, há momentos em que a versão A faz de versão B e é possível ver a adaptação do actor, brilhante. Ele é sem dúvida a grande força impulsionadora de uma série que conta com uma escrita bastante competente. Apesar dos ares de sci-fi, é tudo muito “analógico” e quem gosta apenas de espionagem não vai ficar desapontado. Podem ler mais aqui.

Daredevil...

...mostra que a acção nos super-heróis não tem de ser só CGI. Apesar dos enredos secundários já terem gasto (há muito) os cartuchos, há vilões nesta temporada capazes de dar 13 episódios de muita qualidade. Como já devem ter percebido, a história não fica finalizada com o cancelamento na Netflix, nem há esperança de voltar tão cedo, mas isso não deverá ser impeditivo. Podem ler mais sobre a série aqui.

Final Space...

...quase que passa despercebido no catálogo da Netflix. O aspecto da animação poderá induzir à ideia de que é algo mais inocente, mas aqui vão encontrar uma verdadeira história, para graúdos. Imaginem um Fry de Futurama misturado com Guardiões da Galaxia, em que o Hulk é uma adorável bolinha fofa de vocabulário reduzido. Uma temporada curta que se devora com muita facilidade e limpa o palacto das restantes séries.

The Handmaid's Tale...

...neste ponto do campeonato dispensa apresentações. Apesar da T2 não estar propriamente ao nível da segunda, já com liberdades criativas para além do livro, continua ainda assim a prender. Obviamente o elenco é absolutamente fundamental aqui, ao dar corpo a certas cenas desenhadas para nos esventrar os sentimentos, mas a cinematografia continua a encantar. Podem ler mais sobre a série aqui e aqui.

No stand-up...

houve bastante qualidade este ano, com a Netflix a ser novamente o impulsionador/montra para especiais. Num ano em que foi muito difícil ser comediante, ficou evidente a temática de tornar o material mais pessoal. Depois de abordar a religião e o mundo animal, Ricky Gervais foca-se nas hipocrisias da própria humanidade em Humanity. Uma hora de piadas que só um comediante confortável com a sua identidade e publico é capaz de apresentar. Mas todo o destaque vai para Hannah Gadsby, que desconhecia e a quem fiquei absolutamente agarrado. A sua capacidade em “explorar” a tragédia pessoal em prol de um stand-up genial e erudito, com um último terço de “Nanette” revigorante, em que sentimos a força das suas palavras, ao mesmo tempo que nos desarma com o humor. Adiciono Hannah a Neal Brennan e Bo Burnham na lista de artistas com esta capacidade.

Big Little Lies...

Como a minha vida se restringe a uma eterna perseguição ao inesgotável stock de boa televisão que é oferecida… houve séries de anos anteriores que só agora consegui ver e achei fundamental mencionar na lista. Esta ficou um pouco estragada para mim porque um site decidiu fazer uma peça com o título “Saiba qual é o actor que afinal vai regressar na segunda temporada”, em que mostram a fotografia do tal actor. Logo, a grande revelação da temporada ficou estragada. Mas isso não retirou prazer em ver uma série tão bem protagonizada e inteligentemente editada. Big Little Lies não é uma série só de mulheres para mulheres, é uma série boa para quem gosta de séries boas.

Catastrophe...

...foi das melhores coisas que me podiam ter acontecido este ano. O humor britânico está bom e recomenda-se e só os nossos compadres são capazes de escrita com esta qualidade. A série debruça-se sobre problemas de um casal junto à força. Ele americano e ela britânica, grávida de um one night stand. Essencial para quem pensa em casar, um bom escape para quem já o é.

The Honourable Woman...

...é tudo aquilo que gostamos na primeira temporada de Homeland aliado à característica de mini-série. Gyllenhaal é uma israelita que pretende unir israelitas e palestinianos, mas todos os outros não partilham as boas intenções. Há um início e um fim para uma história que soube ser contada e representada com mestria.

Godless...

...teve um final que me desapontou um pouco (podem ler aqui), mas no geral, já não se fazem westerns com esta categoria. Jeff Daniels e Jack O´Connell são excelentes e fazem-se acompanhar por um elenco feminino de um enorme gabarito.

Outros destaques…

South Park é um dado adquirido em qualquer top meu. Continua a ser tão sarcástica, inteligente e actual como sempre. Barry entra na categoria das “dramédias”, mas é mais do que isso. É a afirmação da qualidade de Bill Hader, ao dar vida a um assassino apaixonado pela arte de representar. Deverá ser obrigatória na vossa lista de 2019 se não foi neste ano. Preacher desceu uns furos depois de uma brilhante primeira temporada, com uma T2 bem mais mastigada. Ainda assim, continua a ser das séries mais originalmente estranhas no ar. Apesar de não me ter tornado um acólito ferrenho de Sharp Objects, não é possível negar de que se trata de uma série visualmente atraente, com uma representação de Amy Adams de classe mundial. Talvez seja demasiado estranha para alguns, ainda assim merece ser espreitada. The Good Place continua a sua caminhada pelo Paraíso da qualidade, sem nunca dar sensação de Purgatório. Não espreitar a segunda melhor comédia em exibição deveria dar lugar certo no Inferno. Por falar em Fringe, The Man in the High Castle enveredou mais pelos mundos paralelos e menos pela realidade alternativa da vitória da Alemanha na WWII. Tenho pena, porque foi isso que mais me chamou inicialmente. Continuo ainda assim investido na história e há sinais de que ainda pode sair algo de interessante dali. Yellowstone quase cai no ridículo de ter personagens aos quais tudo e mais alguma coisa acontece. O que vale é um elenco que puxa por tudo isto e um argumento bastante sólido. Fico em stand-by para saber o que aí vem, com reservas. As duas ultimas menções vão para Castlevania (que já abordei aqui) e Jessica Jones (aqui).

Se gostaram de Cosmos e a cinematografia é muito importante, na altura de ver um bom documentário One Strange Rock é para vocês. Will Smith é o anfitrião e conta com depoimentos de astronautas (e não só) que salientam a beleza do nosso ponto azul, as suas particularidade e até alienismos… The Defiant Ones é um documentário algo cor-de-rosa sobre o mundo duro da musica. Ficamos a conhecer o percurso de Jimmy Iovine e Dr. Dre ao longo das décadas, com depoimentos de vários artistas que trabalharam com eles. Como disse, é algo embelezado e soa muito a propaganda pessoal, ainda assim, é interessante.

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