Boardwalk Empire: 5×01 – Golden Days for Boys and Girls

[SPOILERS] Os gangsters de fato voltaram este domingo para a sua derradeira temporada, concluindo uma historia que tinha tudo para ser épica, mas que morreu na mesma praia das garrafas de Nucky.

Eu fui resistente a começar, numa altura em que a Boardwalk ganhava prémios e Steve Buscemi controlava Atlantic City e o Hollywood das séries. Estava pouco receptivo ao ritmo e a temática não me entusiasmava, apesar de freak por histórias de época. Quando apanhei o resto do mundo tive de concordar com as evidências e culpar a estupidez da idade que me paralisava horizontes. Anos volvidos, vejo Boardwalk como um reformado prematuro, com robe à lareira, acompanhado pelo fiel cão porque todos os outros partiram para Westeros, a afogar as mágoas num whisky velho enquanto recorda os breves momentos em que foi grande.

A qualidade das primeiras temporadas é inquestionável, mas com a partida de Jimmy o coração da série partiu também. A história dispersou-se para uma escala maior de acontecimentos, seguro que teria todo o tempo da HBO para contar a sua história. O ritmo sempre foi pausado, é um dos seus pilares, mas há o lento e o parado, o desgostar e o regredir, o contemplar e o bocejar. Nucky perdeu o vigor exponencialmente e começa a ser difícil pensar nele como protagonista. Sentimos a conexão, mas a sua história nem é a mais interessante. Eu lido perfeitamente com isso, o problema é que sempre que a série nos introduz um arco satisfatório termina-o abruptamente. Identifico a morte de Jimmy como o maior erro da série, mas foi só o início da avalanche, já que o despachar de Bobby Cannavale (indiscutivelmente o melhor da terceira temporada) foi uma corda ao pescoço e a lenta extinção de Richard Harrow foi a estocada final no leque de personagens que realmente tiveram impacto em mim. As deambulações de Van Alden, Margaret Schroeder e de Eli Thompson provam que nem sempre a série sabe que rumo tomar… e nem me façam falar do mal aproveitamento de Al Capone, que daria um spinoff bem sumarento.

Por tudo isto, não, confesso que não entro na nova temporada com a maior das esperanças e entusiasmos, mas talvez o encurtar do rastilho para apenas oito capítulo seja a injecção de adrenalina necessária para tudo acabar com um bang. Num artigo que li o título dizia: “Boardwalk Empire parte cedo de mais, mas durou demasiado“, o que descreve perfeitamente a situação. Mas não prolongo o testamento e vamos ao episódio…

Nucky, numa varanda de Cuba, lembra os tempos em que ninguém sabia o seu nome e uma moeda era o mundo. Nós olhamos para a face envelhecida e perguntamos o que raio aconteceu nos últimos sete anos. Os instrumentos são os mesmos, mas a música é outra, com o nosso gangster longe das nuvens carregadas de Atlantic City e a viver do quente de Havana, nos braços da companheira Sally (Patricia Arquette) que o enche com tranquilidade e bons conselhos. O bilhete de regresso de Nucky ao Continente parece passar pelo mesmo negócio de sempre, mas desta vez com o total apoio de um país em total ruína que vê a taxa de álcool como uma lufada de ar fresco.

Enquanto o sol brilha a Sul, os seus velhos companheiros de viagem sofrem. Chalky White (Michael K. Williams), cuja história intermédia não é necessário contar pelo vistos, “dança” ao som do “chicote”. Uma oportuna fuga e com ela ganha um parceiro que embora não saiba distinguir a esquerda da direita, parece saber dançar. Já Margaret (Kelly Macdonald) grita ao som da batida de uma bala contra um crânio, tentando safar-se duma Grande crise que está a deixar todo o mundo financeiro em Depressão.

Numa altura em que damos um salto para o futuro, é o passado de Nucky que mais vemos. Muitas vezes as séries recorrem a este método nos episódios finais, em que sentem necessidade de nos contar o início para que percebamos melhor o fim. Não imagino o que estes flashbacks nos poderão acrescentar à história mas pelo menos está esclarecida a identidade do miúdo que tanto figura no trailer (Nolan Lyons), sendo o único elo de ligação à cidade em que tudo começou. Um jovem Nucky, massacrado pela doença da irmã e por um pai alcoólico (retratado por Ian Hart, substituindo o falecido Tom Aldredge), que se agarra à boa alma mas que percebe que nada cai no prato e tudo tem de ser pescado. Que não vale a pena ser “um rapaz honesto e verdadeiro” porque o mundo simplesmente não é assim.

Nova Iorque acaba por ser o grande input de adrenalina no episódio. Joe Masseria (Ivo Nandi), o homem que obrigou os americanos a ler legendas, morre sob a palavra de Lucky Luciano (Vincent Piazza). Interessante ver como esta personagem ascendeu, longe dos tempos em que andava sobre a asa de Rothstein. “Um Boss” assim será, um jogo que Lucky está disposto a jogar até ao topo. Mas para já ajoelha-se perante o compatriota Salvatore Maranzano (Giampiero Judica), um homem que se vê como César e, tal como ele, muito provavelmente cairá sob as mãos dos que o rodeiam… os impérios caiem sempre, como ele tão bem refere. A limpeza de Lucky não se limita a Nova Iorque e o amigo Meyer Lansky (Anatol Yusef) está a tentar limpar Cuba de Nucky. Para já o plano falhou, mas nem isto ficará por aqui nem a resposta se tardará.

Um início demasiado ameno para uma temporada que deve ser explosiva para compensar as duas anteriores e deixar um doce sabor na boca na altura da despedida.

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