Boardwalk Empire: 5×02 – The Good Listener

[SPOILERS] Nucky começa a ver a luz ao fundo do túnel nesta sua aventura pela América de início de século. Agora cabe-lhe decidir se será pela porta da reforma ou com sete palmos de terra em cima…

A conversa com Johnny Torrio (pensei que tinha ido desta para melhor, mas parece que os anos não passaram por ele) é característica de dois homens em fim de carreira. Fossem outros tempos e estariam a medir-se mutuamente, mas aqui é tudo feito com uma calma e respeito que o curriculum já permite. Torrio, depois de entregar as chaves da cidade de Chicago a Al Capone, retira-se em Nova Iorque, onde Lucky Luciano pretende reinar um dia. Fora do jogo mas com um olho nas jogadas, o antigo chefe de Chicago serve de intermediário a Nucky numa cidade que já foi de Rothstein (segunda referência à personagem, não retira o amargo de não o vermos partir). Nucky pensa em Salvatore Maranzano como responsável pelo incidente em Cuba, e qualquer outro gangster teria agido por instinto e atacado o alvo mais lógico, mas não Nucky, que com a inteligência habitual chega a verdade. Enoch até pode querer descansar à sombra das palmeiras de Havana quando o negócio do álcool for concluído, mas não parece que o vão deixar. Apesar de tudo tenta sempre o caminho menos conflituoso, mas se lhe calcanham os calos…

Entretanto, no passado, continua a ser contada a história de como Enoch se tornou Nuchy. A face de “insensibilidade” do rapaz continua presente aquando da morte da irmã Susan, como quem tem uma sabedoria para lá da idade, uma maturidade que falta ao irmão e lucidez que falta ao pai. Fiel ao seu sentido de responsabilidade, a postura não passa ao lado do Commodore que o recolhe sobre a asa. Mas o mau sangue entre o chefe da cidade e o seu pai também promete dar má conclusão e ser o degrau que fará Enoch um dia perder a ingenuidade…

Al Capone nunca primou pela humildade e capacidade de passar despercebido. Num ambiente caoticamente cheio de testosterona, o rei de Chicago dispara ordens e gritos e obriga tods os súbditos a correr ao seu passo. Entre eles estão Van Alden e Eli, este último em completa decadência física e moral, longe da ribalta de Atlantic City (e da familia) e a contentar-se em ser menino de recados de um ex-agente transformado em mafioso. Eli sempre foi impulsivo em comparação com Nucky, coração na garganta e actos não ponderados, por isso este assalto a Al Capone para repor o dinheiro de Al Capone até não surpreende. É mais um daqueles gestos que de certeza vai tresandar e chegar ao nariz do Chefe, com resultados catastróficos…

Tivemos ainda um vislumbre pela vida “agitada” de Gillian Darmondy no falso spa que é o “hospital psiquiátrico”. Confesso que esta personagem interessa-me tanto como as migalhas que caiem no prato. Desde que Jimmy partiu que o interesse por ela partiu também e, a não ser que algo incrível aconteça, assim permanecerá. Outra personagem que cresceu, e bem, é Willie Thompson. A face é a mesma mas a sua postura é bem mais confiante, um homem feito a tentar encontrar o seu lugar no mundo. É incerto se mantém a lealdade total a Nucky ou se optará pelo caminho do “Bem”.

Em suma foi o episódio que o primeiro não foi, o de lançamento da tempestade. Era necessário mostrar o cenário após o salto temporal e na semana passada tivemos isso, mas agora é que os dados foram realmente lançados. As restantes personagens deram ar de sua graça e as situações ganharam alerta amarelo em praticamente todas as frentes. Assim já gosto mais… Enquanto que no episódio anterior os flashbacks foram o melhor do episódio, aqui foram quebras para a acção que realmente queremos ver.

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