Boardwalk Empire: 5×05 – King of Norway

[SPOILERS] Bolas, o Steve Buscemi fez um facelift?! É ele certo?!

É impossível passar ao lado de um dos melhores castings da série e um dos pontos mais positivos do episódio. É de referir imediatamente o excelente trabalho de Marc Pickering em apanhar os maneirismos de Buscemi e embora a revelação do nome surja no final, como tentativa de surpreender em vermos um notável futuro mafioso como polícia, essa surpresa extinguiu-se ao primeiro olhar do actor. A história deu um salto de alguns anos até vermos Nucky a subir a escada da ilegalidade nas botas da lei…oh ironia. A impetuosa Marble também cresceu e Nucky pretende fincar a sua posição à sempre relutante figura paternal.

Van Alden: “Chester, that would sound better much further away”

Entretanto, na quente Nova Iorque do tempo “actual”, Nucky tenta mais uma vez a via diplomática. Recorre mais uma vez a Johnny Torrio para ajuda na mediação e ouve mais uma vez o conselho de reforma antecipada. Está a tornar-se na velha história do rapaz que grita lobo, mas o povo da aldeia cisma em não ouvir a matilha ao longe. Quem não está para dentadinhas é Lucky Luciano, que já percebeu que o seu “segredo” está ao descoberto e tenta cravar os dentes antes que as ovelhas soltem o balido… mas Nucky é lobo também, em pele de cordeiro (até eu fiquei assolado com a quantidade de metáforas aqui!). Surpreende o envolvimento de Torrio, mas lá está, italianos unidos… Salvatore “César” Maranzano salvou-se para já e a vingança de Nucky avizinha-se fria, ainda para mais agora que ele está verdadeiramente sozinho, depois das gélidas novidades de Havana.

Eli: “That’s just poor leadership.”

Eli continua a ver o mundo pelo fundo da garrafa, e quando a vinda de mais um (!) filho poderia ser a mudança de vida que ele tanto espera, não o vão deixar. Depois de mais um almoço bem engraçado (acentuando o comic relief destes duo), e depois de ser explicada a alucinação recorrente do pobre coitado, o passado bate à porta de Eli e Nelson. Voltarão ambos para o braço da lei e serão os pregos no caixão fiscal de Al Capone? Escaparão o Bucha e o Estica às garras do IRS e do mafioso mais famoso da história?!

Van Alden: “I refuse to be ruled by fear.”…”HUSBAND!”…”Coming!”

Outras personagens:

  • De volta ao fato caro está também Chalky, que não deixa de ficar surpreendido por ser tão bem recebido nos braços de Nucky. Não que houvesse rivalidade, mas não está habituado a facilidades nem lida bem com “piedades”. Pragmático até ao fim, percebe que a família está fora do alcance e esta Missão: Narcisse parece mais suicida que outra coisa… até aparecer Daughter Maitland. Quer o filho seja seu ou não, imagino Chalky a safar-se de toda a confusão e a ter uma espécie de final feliz.
  • Al Capone, além de preso a nível intestinal, parece sentir-se preso dentro da própria casa e sente um nível de paranoia que até então ainda não lhe tínhamos avistado.
  • Gyllian… eu ia dizer “coitada”, mas a minha empatia por ela é nenhuma. Sentimos medo por ela, mas continuo sem perceber de que modo a sua (desinteressante) história se ligará às restantes.
  • Nota para Marble. Sabemos que ela sofreu uma depressão pós-parto e que após a morte do filho prematuro se suicidou… mas aqui vemo-la longe desse estado, espevitada, alegre e respondona como a criança da praia…

No fundo, este episódio pergunta a todas as personagens que tipo de pessoas são. Todas elas são colocadas numa situação em que têm de decidir se são a sua versão mais antiga, mais dura e fria ou se realmente estão a adaptar-se aos tempos. Se vão adaptar e sobreviver ou cair sob o peso de erros antigos e novos. Nesse aspecto foi muito bom e lança a trilogia final da história, mas ainda assim esperava algo mais. Estou a soar vago e até implicativo, mas faltou alguma chama no episódio, chama que balas não impingem mas que a curta duração para o final deveria fazê-lo.

Partilha o post do menino no...