Boardwalk Empire: 5×06 – Devil You Know

[SPOILERS] A história não perde mais tempo e começamos o episódio exactamente no mesmo ponto onde terminou na semana passada. Isto levou-me a crer que as coisas vão acelerar definitivamente. Mas a verdade é que ando a pensar isso há um tempo e não vejo grandes provas disso. Não aconteceu no início, no final do primeiro terço nem na metade da temporada. Será agora na trilogia final? Sim!

Se calhar estou a exagerar um pouco. Não posso propriamente descrever a temporada como lenta, a verdade é que se tem visto muito bem e tem sido interessante. Mas a pressão de “ser a última” e “ser mais curta” elevou as expectativas dos fãs que se calhar nunca seriam correspondidas, pelo menos até à chegada deste episódio, que nos lembra tudo o que “Boardwalk Empire” consegue fazer. Chalky reencontra o velho amor e descobre imediatamente que a filha de Daughter não é de Narcisse, logo…

Não é que a interacção desta tríade não tenha sido satisfatória (é sempre bom ver Jeffrey Wright e não é todos os dias que vemos Chalky chorar), mas arrastou-se ao longo do episódio sem que houvesse grande necessidade. Para além disso, a rendição de Chalky a Narcisse é tudo menos satisfatória para mim. Mesmo considerando o factor Daughter e filha (!), não aceito a cedência numa aliança com o seu mais odiado inimigo. Sentimos nos últimos episódios que o combustível que o alimentava era mais o ódio que o amor perdido. Não me satisfaz, entendo porque a série o fez, mas não me satisfaz. Se a isso acrescentarmos o desfecho, que tanto Chalky adivinhou como nós, faz menos sentido ainda. Ele sempre foi um lutador, nunca cedeu e até no fim caiu de pé, porquê render-se se nem tinha a certeza de que as duas inocentes se safam verdadeiramente?!

Bêbado no bar: “I’ll punch your tits off, you squirrel-faced cunt”

Foi um episódio bem menos relevante para o Nucky dos tempos actuais, com uma bebedeira que pretende afogar todos os recentes acontecimentos e que colocam o “pobre” homem sozinho no mundo. Curioso é que nesta alegre cavaqueira com a prostituta menos acertiva de sempre, num sitio que é tudo menos recomendável, Buscemi teve a melhor performance da temporada. Na mesma cena  está bêbado, a recitar um longo texto, anda à porrada com alguém e volta para a mesa com mais diálogo. Confesso-vos que nunca me deixará de surpreender o quanto Steve é bom actor. Ainda penso nele como aquele “extra” dos filmes do Adam Sandler, ou o maluquinho de “Armageddon”. Aquela reunião de tropas no final é o derradeiro tiro de partida para um final de temporada sangrento, ainda mais do que este. Isso é excitante.

Mickey: “We saddling up for a showdown or not?”
Nucky: “We are.”

Meanwhine, in the past… Marc Pickering continua o seu brilharete a dar vida a um Nucky que embora esteja a dar os passos como “político” ao dizer umas mentiras com a classe que conhecemos, está com os olhos postos no futuro que sempre quis: família. Curioso ver que o “confia em mim, Eli” vem desde a juventude para estes dois e que Nucky está sempre perdido em pensamentos enquanto o mundo se distrai com coisas mais supérfluas. A revelação da pequena Gillian, a observação que Nucky faz sobre o Commodore com as crianças e o tempo que a temporada disponibilizou a mostrar os tempos conturbados no hospício, levam a crer que ainda haverá um momento entre Nucky e Gillian antes que a história tenha o ponto final. Caso contrario, foi tudo para nada.

Nelson: “I am Nelson Kasper van Alden! I am a sworn agent of the United States treasury. And I swear by Jesus our lord justice will rain down upon you if it is my last…”

O dois estarolas, em mais um momento de pura genialidade, decidem levar a cabo mais um plano super-cuidadoso para os colocar nas boas graças do governo que os quer encarcerar para sempre. Tudo parecia mais uma cena “normal”, com o extravagante Al Capone a entrar em cena com convidados interessantes, Eli e Nelson encostados a um canto sem saberem propriamente como se safar da situação… mas tudo “leve”, cómico até, nada que levasse a crer naquele desfecho tão brutal como “Boardwalk Empire” tão bem sabe fazer. Mesmo com a série na sua recta final, mesmo com a promessa de sangue a pairar no ar, não deixo de ter pena pela morte de um personagem tão versátil, carismático e adorado. Passou de vilão a irrelevante, a acarinhado, a comic relief da série e acabou com uma justiça poética: mesmo inconscientemente, foi o verdadeiro “agente” responsável pela apreensão do maior gangster da históra. Parte de mim pensava que Nelson pudesse ser dos míseros que escapassem com um final feliz, mas foi uma boa morte, surpreendente e cheia de significado. So long Nelson, you’ll be missed! Quanto a Eli… tu queres ver que ele ainda se vai safar de tudo isto?!

Mike: “Your wife told you to rob Al Capone?
Nelson: “We’re having trouble at home.
Eli: “I can vouch for that.”

Um episódio por vezes demasiado contemplativo, emergido numa nostalgia que fez arrastar algumas cenas demasiado tempo quando podíamos ter visto outras mais produtivas (Lucky, por exemplo). O fundo do poço de Nucky e a reunião no bordel entre Narcisse e Chalky podiam ter sido mais dinâmicas, o que tornaria o episódio melhor. A temporada avisou que não há cá finais felizes e começamos a ver isso mesmo. A série perdeu dois importantes peões, mas as suas mortes fazem justiça à qualidade da vida que pudemos desfrutar nestas cinco temporadas. Pessoalmente tenho mais pena por Van Alden, mas é impossível negar o carisma de Chalky, até ao fim. Não é muito falador, mas diz quase sempre coisas acertadas:

Chalky: “All a dream to begin with. Ain’t nobody ever been free.”

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