Boardwalk Empire: 5×07 – Friendless Child

[SPOILERS] No momento em que esta análise sai, alguns de vós já terão visto o final. Já sabem como tudo acaba, quem sobrevive e quem cede às garras da morte… lucky bastards!

Ouvem-se os tambores de guerra, a guerra estalou em grande escala e todos os homens disponíveis são chamados às trincheiras. A excelente montagem, juntamente com o discurso do Procurador, deram o mote e mostraram que os homens mais perigosos do país estão em completo sobressalto com a matança que despoletou desde o último episódio, olhando por cima do ombro com receio que os seus pares estejam em cada esquina. Salvatore “O Gajo Que Pensa Que É César” Maranzano tenta demonstrar calma, mas tal como Nucky, sabe o que está em jogo. As “Rotas da Seda” estão a ser atacadas e o fornecimento do ouro liquido não chega a quem deve, e quem sofre são os bolsos de quem deve… e quando Nucky é o tipo mais nervoso na mesa, e já nem bebe, sabemos que a trampa está quase a atingir a ventoinha.

O primeiro acto da peça começa com Benny Siegel, e quem não soubesse que estávamos perto do final pensava que isto era uma comédia. Desde o engate com a mulher casada, ao telefonema para Lucky. Nada que surpreenda, já que a morte de Nelson no episódio anterior também teve ares de descontracção. Gostei bastante do ritmo da situação, misturando violência com humor, rapidez com tiradas humorísticas.

Navegando por águas passadas, damos de frente com o segundo melhor casting da temporada. A jovem Gillian (Madeleine Rose Yen) apanhou muito bem os maneirismos que todos conhecemos. Não é só no seu constante discurso desafiador, mas na boa educação das palavras e como elas são ditas. Começamos por ver a criação de um laço, uma compreensão no silêncio da jovem. Poderia ser qualquer criança abandonada, mas a sofisticação na sua defesa aguça a curiosidade de Nucky.

Quando vemos esta jovem inocente pensamos em algo que é inerente a Boardwalk: todos parecem ser inocentes por detrás dos actos horrendos que cometem. Gillian foi capaz de algumas das maiores manipulações que vimos na série, mas ainda é aquela pequena rapariga que só desejava percorrer o mundo. Eli foi talvez o maior Judas desta história, mas é o pai que ama e só deseja ver os filhos bem. Quando nos deparamos com aquele pobre desgraçado na rua (parabéns ao departamento de guarda-roupa e maquilhagem) só pensamos nas infortunas que passou, não as que provocou. É por isso que quando algumas destas personagens conhecem o seu fim ficamos divididos se serão merecedoras ou não, se ficamos contentes com isso ou não… e dá para perceber que é a intenção da série que assim seja.

Aqui jaz Mickey, a personagem que ninguém pensava que chegaria ao penúltimo episódio. Nucky já se tinha rido no clube nocturno do facto dele ainda estar do seu lado, confirmando que mais do que os espertos, este mundo está para os parvos. Mesmo com isso em mente, não deixa de dar pena, mas tal como todas as outras, parte cheia de significado: morre porque falou de mais… com um tiro na garganta!

Todo o frente-a-frente Nucky-Lucky foi incrivelmente intenso, em que mais do que a ingenuidade e desespero de Nucky, conseguiu fazer-nos sentir puro medo com o desenlace de qualquer uma das almas que ali estava. Fosse este o último episódio e até pensaria que Nucky não veria o Sol novamente. O desespero dele foi tal que o vimos a prometer mundos e fundos, a ser o menos inteligente que o vimos ser até então. Prova que o final está próximo e o discernimento, aliado à pressão da situação, não dá para muito mais. Também aqui jaz o cubano que não sabe falar inglês, mas ainda agora tento perceber o porquê da sua existência na temporada (além de salvar Nucky inicialmente) e não chego a conclusão nenhuma. Não aquece nem arrefece.

Eli: “What’d you just do?”
Nucky: “I don’t know.”

Estúpido ou não, trabalho prometido, trabalho cumprido. A ironia de que Maranzano tem uma morte parecida com a que César teve é deliciosa. Ouvimos um “merda” quando o maior chefe de Nova Iorque cai, mas as ondas não são grandes. Não é ele o mais importante nesta pintura, é apenas um meio de chegar ao fim. Para já canta-se vitória para os lados de Itália mas Nucky terá algo a dizer, claro. Um Nucky que percebe que o seu ninho é tudo menos sinónimo de segurança e tenta afastar os inocentes, isso inclui o jovem Darmondy (ninguém me afasta da ideia que é ele!). Agora falta saber se será o responsável pela última estocada em Nucky ou se será a sua tábua de salvação.

No final a história da jovem Gillian e da “velha” Gillian encontram-se em perfeita harmonia. O desespero da actual poderá beneficiar do facto de Nucky, nos momentos finais da sua história, estar a mergulhar nas memórias e ser lembrar da antiga que falhou em ajudar. Até pode ter sido uma friendless child, mas talvez seja salva pelo único amigo que ainda tem…

Nota: Durante a navegação pelas internets, relembraram-me que Nucky tinha feito uma apólice de seguro em nome de Mickey com Rothstein, hmm…

Como despedida, deixo-vos o hit deste verão: Quim Barreiros feat Pitbull (porque todas as musicas hoje em dia têm participação deste tipo!)

A Gata da Vizinha

♪ There’s one pet I like to pet ♪
♪ And in the evening we get wet ♪
♪ I stroke it every chance I get ♪
♪ It’s my girl’s pussy ♪
♪ Seldom plays and always purrs ♪
♪ And I love the thought it stirs ♪
♪ But I don’t mind because it’s hers ♪
♪ It’s my girl’s pussy ♪
♪ Often it goes out at night ♪
♪ Returns at break of dawn ♪
♪ No matter what the weather’s like… ♪

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