Comic Con 2018 – CC com Esteróides…

Ainda a Comic Con não tinha iniciado e apanhei um anormal a fazer marcha-atrás na auto-estrada… tem tudo para correr bem!

Espaço

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De 60 passou para 100 mil metros quadrados e os visitantes subiram para 109 mil pessoas. A meteorologia ameaçou mas S. Pedro foi generoso ao não estragar a festa. A melhor comparação que posso fazer quanto ao espaço disponível: a mudança de um casal no seu quinto ano de casamento, que planeia ter filhos em breve, para um T8. É giro ter uma casa grande, mas um gajo está no quarto e só de pensar que tem de atravessar a casa para ir buscar um copo de água até perde a sede. É giro dar festas e receber toda a gente mas nem há assim tantos amigos. É giro para fazer uns churrascos ao ar livre mas o tempo não é de fiar. O espaço permite o crescimento que a organização tanto deseja, mas para já é mais “demasiado”, mais que prático. Tudo fica “longe” de tudo e a intensidade da festa dilui-se. É bastante agradável almoçar nos mil e um stands disponíveis, não é tão fixe ir do pavilhão Spotlight ao Olimpo e perder um painel com diferença de minutos. Talvez este ano devesse ser mais concentrado, um crescimento à escala. Fora isso, há espaço para respirar e podemos circular pelo recinto sem estar constantemente aos encontrões. A zona de multibanco cresceu e até teve um espaço de MB Way.

O ar livre… bom, se por um lado torna a CC única em comparação com outros países, é também verdade que há resistência de quem frequenta o evento com mais afinco. O sol e ameaça de mau tempo não convencem os cosplayers e o espiríto perde-se um pouco. Não sei se seria sequer possível uma mudança para um ambiente “pavilhão” naquele local, ou se há sequer vontade para isso. Se apostasse, diria que a organização irá continuar a jogar com o tempo e o modelo continua. Deixo a sugestão da instalação de um stand de informações no centro (perto do dragão do Syfy), em que o público se pode informar de tudo o que acontece.

Transportes

Muito público não sabia, mas houve autocarro grátis do Centro Comercial Alegro até à entrada do recinto. Um meio pouco explorado nos quatros dias mas que saía de meia em meia hora e correu das 9 às 21h. Não recomendo de todo trazer o carro mais perto que 1km de Algés porque se arriscam a perderem-se na confusão. Ainda percebo menos as críticas aos acessos da Exponor, não entendo de que modo é melhor…

Stands

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Um dos pontos mais falados foi o aumento do preço dos estaminés, no Artist Alley foi praticamente para o dobro…Após falar com alguns stands, das mais variadas áreas, a ideia com que fico é que não houve um encaixe maior. Uma senhora da zona de alimentação disse-me na sexta que já teria ido embora se não tivesse pago tanto para lá estar. Outra comentou no domingo de manhã que não tinha cobrido metade do investimento. Obviamente que sábado e domingo compensaram a quinta e sexta mais fraca, mas até na loja oficial da CC o crescimento foi pouco ou nenhum. Talvez tenha tido azar nas recolhas de opinião, mas a mudança para a capital não parece ter levado a maior gasto do público, pelo menos não significantemente.

O Artist Alley recebeu bastantes críticas e com razão. Considerando o espaço disponível, não faz sentido uma tenda apertada para tantos expositores. É necessário melhorar a qualidade “atmosférica” e por fim colocá-la num local mais “chamativo”. Dito isto, na Exponor estavam localizados logo na entrada e o público não deu a atenção desejada… Penso ser também necessário crescer a variedade de oferta na zona de alimentação. Não há comida mais saudável ou alternativa, apenas hambúrgueres atrás de hambúrgueres (não pensem que não reparei nos crepes de Nutella!). O local de conferências de imprensa precisa ser repensado para albergar câmeras de filmar, iluminação de melhor qualidade e algo que evite as moscas de comerem as celebridades vivas.

Última nota para a Legião 501, que teve um stand no recinto (em local privilegiado), mas com uma presença discreta. Aliás, o espírito de Star Wars no evento foi o menor de todas as edições, apesar de algumas atrações presentes.

Voluntários / Staff / Serviço de Emergências

O sistema de voluntariado também esteve melhor. Percebi que muitos eram já conhecedores da “profissão” e não sei se foi por o recinto ser maior, pareceram-me menos. Bem informados (obviamente no primeiro dia havia o sentimento “barata tonta”) e sempre de sorriso na cara ao receber o público. A diferença mais drástica foi a nível de segurança, que passou de quase nenhuma a constante. Tranquiliza famílias presentes e pais que possam estar reticentes em deixar os mais novos irem desacompanhados. No entanto, não é má ideia adicionarem mais segurança nos painéis dos mais novos. A azáfama de correr pelos ídolos pode criar embaraços. Registou-se perto de 100 ocorrências em que foi necessária a intervenção da Cruz Vermelha (mais ou menos 20 por dia), mas nada de grave. A polícia não registrou qualquer incidente.

Público

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A organização disse-o desde o primeiro dia: evento de TUDO o que é cultura pop para chegar a TODAS as idades. Nunca tal foi tão evidente como em 2018. Foi o ano em que vi público mais jovem e, principalmente no domingo, presença de mais famílias. Não sei se a CC conseguirá fidelizar essas famílias para anos seguintes, só o tempo o dirá. Também o fenómeno de “diluição” afectou os visitantes, houve gente a chegar às 8h00 para abertura de portas às 10h00 mas notei no geral um entusiasmo menor. Menos cosplay (excepção do sábado), menos festa e menos vontade de participar no evento no geral (o sucesso de cosplay deste ano são as t-shirts da “Levi´s”). Aquela alegria de estar num mundo de nerds foi menos notória, e reparei que havia muitas pessoas que estavam presentes por um painel especifico, ao invés de desfrutarem de todo o evento.

O sábado obviamente registou mais pessoas (mais de 300 pessoas nas primeiras duas horas de abertura, só no Pass Geral). Questionei duas dezenas de pessoas que compraram os packs Fnac e a vontade de não esperar em filas foi o maior critério para a compra. Referiram as ofertas incluídas (t-shirts e autógrafos) e tive um grupo que disse ser este o primeiro ano, logo queriam ir “à grande”. Sugeria à organização uma maior clareza na variedade de bilhetes: começa a ser muita a escolha e está a confundir o público (uma pessoa disse que comprou o Experience porque era a única maneira de comprar para todos os dias… o que não é verdade). Também reparei a ausência de público espanhol em Lisboa (por motivo óbvios de distância). Mais brasileiros, ouvi toques de inglês e francês aqui e ali…

Convidados

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Penso não estar a ser controverso ao afirmar que foi o painel menos convidativo de todas as edições. Dezembro possibilitava trazer actores em férias de filmagens e por esta altura todas as séries estão a gravar em todo o gás. A presença de actores de cinema é então óbvia. O cartaz não é pobre: Nicholas Hoult foi o meu favorito deste ano, não só pela sua obra mas porque foi o mais simpático e disponível. Penso que ficou surpreendido com a quantidade de fãs de “Skins” que encontrou em Portugal. Dichen Lachman foi muito querida mas não entusiasmou, Dan Fogler esteve bastante divertido (incluindo piadas que escaparam ao publico presente), Elyes Gabel esteve muito à vontade mas sofreu com a mudança de hora do seu painel e Dolph Lundgren não cativou o público mais velho. Por fim, Joe, que mais uma vez teve o melhor painel da CC. É uma pena que mais gente não compareça. O público pode fazer perguntas e ajuda a perceber um pouco de como a máquina CC se alinha. A sua boa disposição e carinho pelo/do público fazem o resto. Joe = Comic Con e o público exige mais em tudo o que for possível, de vídeos de promoção a painéis apresentados por ele (e evitar os “Raminhos” que não sabem nada sobre os convidados e querem ser mais protagonistas que o artista).

Não poderia deixar de destacar a presença de Marcos Bessa, designer português da LEGO que marcou presença não só na Cave do Markl mas num painel seu de exposição de trabalho. Com uma mensagem muito positiva, simpatia e disponibilidade para perguntas. Nota para as sessões fotográficas pagas, que sofreram alguns percalços (fotos mal tiradas, ausência de fotógrafo disponível…), penso ter sido um problema exclusivo a esta edição, mas que merece a atenção da organização.

Eventos

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O maior destaque desta edição vai sem dúvida para a “Cave do Markl” que contou com enchente todos os dias. Arriscaria dizer que a afluência surpreendeu o próprio e gostaria de ver um cartaz de convidados mais pensado e rico para o ano. Há claramente um lugar para Markl na Comic Con. Ricardo Araújo Pereira foi a estrela que se esperava do primeiro dia, genial como sempre, já Filipe Homem Fonseca não caiu bem no público de sábado, com piadas demasiado negras (read the room mate!). No geral foram conversas boas de acompanhar.

A Lisbon Film Orchestra não poderia também faltar. A mesma cara do maestro, a mesma presença na primeira fila dos pais dele (sempre uns queridos!) e um público que sabe que a prestação é boa. Obviamente que os sucessos resultam sempre mas era bom ouvir músicas novas para o ano. Foi pena que durante a actuação fosse audível o auditório ao lado… estraga um pouco a experiência. Em relação a este último ponto: a presença de linha do comboio não pode ser ignorada, sendo bastante perceptível nos auditórios e conferências. Não imagino como pode a organização contornar este problema, mas existe. O que pode ser melhorado é a qualidade da projecção nos ecrãs dos auditórios, em que a claridade influencia a qualidade. Foi transmitido um documentário de sketches escolhidos por Herman José que lembrou o porquê de este ser o pai da comédia em Portugal. O youtubers portugueses encheram o New Genesis e o Spotlight nos dois painéis que presenciei e deveria ser uma aposta da organização para o ano. Foi com grande pena que não pude ver Dark Knight (um dos três filmes que a NOS trouxe à CC, juntamente com Wonder Woman e Ready Player One) em cinema ao ar livre. Parece-me uma ideia muito gira mas que peca por ser tarde (sessões começam às 21h30, já depois do encerramento do recinto).

A transição entre painéis deverá ser repensada. Os constantes atrasos no New Genesis devido a testes de som precisa de ser resolvida se for para manter horários. No auditório Olimpo pelo menos uma das sessões de antevisão dos grandes estúdios não funcionou e o apresentador teve de descrever o que aí vem em vez de mostrar. Aliás, este tipo de painéis é absolutamente inútil. Limitam-se a mostrar os trailers há muito disponíveis como se aqui não houvesse internet…

Parceiros

Joe Reitman deixou escapar o desabafo de desilusão com a falta de apoio das estações televisivas em trazer cá talento. Além de Gabel pela “FOX”, mais ninguém se preocupou com isso e a falta de inspiração geral foi bastante notória. Repetição de ideias e falta de investimento dão pena, não se percebe. Em contrapartida, a organização ganhou muito com a presença da NOS, que dinamizou e muito no que pôde. É um parceiro que interessa muito manter, para bem da CC e do público em geral. Netflix continua a ser uma ausente de peso… Uma nota para os grandes media que, fora a reportagem clássica do evento, continuam a não demonstrar interesse.

O negativismo geek nas redes sociais

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Lisboa vs Porto… discussão do real crescimento de público… críticas e mais críticas. É um ambiente nocivo o que se vive nas redes sociais em geral e a CC não é excepção. Penso ser bastante evidente que o boicote não funcionou em termos de números, mas dentro da esfera dos fãs mais acérrimos a névoa pairou o ano todo, e não abrandou com a chegada de Setembro. Obviamente há muito a melhorar, mas não há qualquer tentativa de compreender os motivos da mudança, o facto de este ser o primeiro ano num local novo, da dificuldade em agradar aos fãs antigos e chamar novos e intenção em incluir mais diversidade. É ser do contra pela arte de ser do contra. O mais recente argumento é criticar a presença de youtubers no evento = a perda de identidade da Comic Con… Como que se para a inclusão deste conteúdo tivessem sido sacrificadas 1000 ovelhas. Há lugar para tudo e todos! Se os painéis de grandes actores estão às moscas e os youtubers dos miúdos estão a abarrotar a organização deve parar de os convidar?! “A organização só quer saber dos lucros”… o típico argumento de quem parece não pagar contas. Como se a moeda portuguesa tivesse passado do Escudo para a Esmola. Não desejam ir à Comic Con, tudo bem! Querem melhores convidados, tudo bem! Querem melhoramentos do espaço, tudo bem! Mas sejam construtivos e lógicos na argumentação. Dá pena e desmoraliza ler o que se escreve por essas internetes… Eu vivo ao lado da Exponor (alguns elementos da organização vivem mais a Norte), quem me dera a mim que se mantivesse no Porto, por mil e um motivos, mas é preciso fazer um esforço e entender as coisas.

Para o ano…

Este foi o ano que me criou menos expectativa (não só pelo cartaz mas gosto pouco de sair da zona de conforto) e agora estou mais curioso que nunca com a próxima edição. Realiza-se na mesma altura ou mais cedo (Maio)? Que cartaz apresentará? Conseguirá a organização aprender com 2018 e melhorar o que o público mais exige? Eu não veria com muito choque o retorno aos três dias já que a feira (no formato actual) não oferece conteúdo suficiente a nível de stands. Além de que a presença fraca de público no primeiro dia não justifica o “investimento”. Obviamente a variedade de painéis e conteúdos seria mais condensado mas talvez se elevava a euforia, o ambiente de festa, a intensidade no geral. Espero não ter transmitido uma ideia errada de desilusão com 2018. Há clara vontade de fazer mais e melhor e acredito que a evolução ocorrerá naturalmente. Acredito que é importante apoiar estes eventos porque não há literalmente motivos para não o fazer.

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