Comic Con Portugal 2014: Conferência de Imprensa

Decorreu esta manhã, no Cine-Teatro Constantino Nery em Matosinhos, a conferência de imprensa de apresentação do evento. A organização respondeu às dúvidas de jornalistas, bloguers e outros media sobre a primeira edição do evento em Portugal.

Organização“Foi um investimento astronómico.”
A face e “orador” do projecto é Paulo Rocha Cardoso, principal responsável pela organização que se fez acompanhar de uma equipa “incansável, que falou mais com promotores e agentes nos últimos tempos do que com as próprias famílias”. Paulo mostrou-se bastante entusiasmado com o projecto e com o que conseguiram alcançar para um primeiro ano.

Revelou que esta edição levou dois anos até se tornar realidade. A principal dificuldade, além de tentar trazer grandes nomes das diversas industrias representadas a estarem presentes numa primeira edição de evento, foi convencer possíveis parceiros, “batemos a muitas portas, muitas mesmo. Há pessoas que estão familiarizadas com o conceito, mas não todas. Tivemos de explicar que tipo de evento se trata e convencer pessoas, o que foi difícil”. A organização não está de forma alguma filiada a outras do género (San Diego por exemplo), “a organização, mesmo noutros países, não é a mesma. Comic Con é referência a um evento de cultura pop, não uma imagem de marca.”

A nível de diferenças para outros eventos eventos do género, destaca a parte “Web” e “Kids” com os quais a organização pretende cativar um leque ainda mais alargado de publico. A nível de investimento realizado, Paulo Cardoso não se quis alongar “ é cedo para fazer balanços, só em Janeiro é que poderemos avaliar o sucesso do evento. Mas foi um investimento astronómico.”

A organização fez questão de salientar o aspecto solidário do evento, nomeadamente a parceria com associações como o “Lugar Para o Joãozinho”. 75% das receitas do pack experience, possibilitando o meet & greet com cada uma das principais cabeças de cartaz do evento, revertem a favor desta associação.

Data e Local – “Há planos para as próximas cinco edições anuais.”
A data e local não foram escolhidos ao acaso: “Lisboa apresentava uma maior facilidade de comunicabilidade internacional, mas o Porto reune mais benefícios. Primeiro o aeroporto, que foi a alternativa low cost que encontramos, mas principalmente por causa do público espanhol. Organiza-se no país vizinho algumas exposições de banda desenhada, há um mercado grande, mas não no Norte. Com a realização do evento no Porto esperamos cativar a presença de espanhóis no evento, por exemplo da Galiza”. Embora sem adiantarem quantos “nuestros hermanos” são esperados, foi claro que a organização espera alguma aderência, “o publico espanhol reagiu como o português, com desconfiança por ser a primeira experiência.” Paulo Cardoso adiantou que existe planos para a realização das próximas cinco edições anuais do evento, e embora seja sempre possível haver alterações, em princípio passará pela Exponor. Quanto à data: “pelo nosso publico target o evento seria idealmente realizado no Verão, no entanto, principalmente para primeira edição, não queríamos competir com o forte calendário de festivais de musica. O feriado de dia 8 (em Portugal e Espanha) ajudou a que este fosse o fim-de-semana escolhido”.

Público – “Temos quase atingida a meta das 20 mil pessoas.”
Apesar de cautelosos, sendo Pedro Cardoso a face da contenção, a organização espera que pelo menos 20 mil pessoas passem na Exponor este fim-de-semana. “Posso garantir que estamos perto de atingir esse objectivo. Óbvio que se alcançássemos os 40 mil seria muito bom, mas apontamos aos vinte para já”. Os bilhetes VIP foram os primeiros bilhetes a esgotar, algo que o porta-voz não estava a espera, “noutros eventos há um tipo de bilhete parecido com este formato. Iremos mantê-lo, em principio, nas próximas edições”. Os portadores destes bilhetes terão uma fila separada e os seus lugares estão reservados nos auditórios. No entanto, é pedido que marquem presença com alguma antecedência, caso contrário esses lugares serão preenchidos por outras pessoas, em caso de necessidade.

Convidados – “Foi difícil. Não esperávamos um painel tão bom.”
No que toca a convidados, a organização trocou entre si vários risos e olhares de compreensão, revelando que foi de facto difícil convencer celebridades a estarem presentes.

“Óbvio que queríamos painéis completos em todas as séries, mas esta é a primeira edição, é preciso convencer as pessoas, ganhar nome e experiência.” Paulo Cardoso confirmou o seu sonho para a edição deste ano “Stan Lee, o pai das bandas desenhadas, esteve para ser confirmado mais que uma vez, mas infelizmente não foi possível. Até pensamos num prémio com o seu nome para oferecer no evento. Quem sabe, nos próximos anos talvez seja possível.” Apesar dessa “desilusão”, confessou que não imaginava um painel de convidados tão rico no início: “Planear e receber os actores leva a um planeamento de seis meses, não um fim-de-semana. Em San Diego toda a agente se conhece, as celebridades estão à distância de um telefonema e a proximidade possibilita outra coordenação. Nós temos de nos preocupar com deslocação e agendas, é mais complicado. Queremos dar o nosso melhor e receber os artistas de modo a que eles fiquem completamente satisfeitos. Sabemos que é um mercado de “referência”, se os convidados deste ano ficarem contentes, isso abre-nos mais portas”. Quanto às criticas do publico na fragilidade da organização e a falta de nomes mais sonantes, “percebemos que o publico quer sempre mais, mas novamente, esta é a primeira edição, está a superar as nossas expectativas.” Embora os grandes nomes estejam já confirmados, “o cartaz só fica fechado no dia anterior”.

Joe Reitman – “Vou ser pago em peixe, “bacalhau” já sei dizer.”
Quem também marcou presença foi Joe Reitman, o correspondente da organização em Los Angeles e principal responsável por contactar os agentes e promotores. Bastante alegre e bem-disposto, o actor de filmes como “Gamer – Jogo”, “A Senhora da Água”, “Tempestade Perfeita” e “Jay & Silent Bob”, confessa que é um prazer voltar ao nosso “bonito país”. O actor e realizador tinha estado em Portugal em 2007 para realizar o videoclip dos Lulla Bye, “Gone” (banda à qual pertence Miguel Bello, responsável da organização pelos media). “Conheço pessoas e agentes na área do cinema e televisão, além disso não foi um trabalho duro de se fazer já que adoro Comic Cons, adoro conhecer os convidados e o mundo da BD”, referiu Reitman. “Fiz um vídeo de promoção e depois pediram-me para fazer outro, e depois outro e depois outro. Já que estava à beira do sinal de Hollywood, porque não?! Vou ser pago em peixe, pelo menos “bacalhau” já sei dizer”, brincou o actor.

Confesso que fui um dos que inicialmente duvidei da ideia da realização do evento, mas tenho de dar a “mão a torcer”. Nunca esperava um cartaz tão rico, no que toca à televisão pelo menos. Tal como a organização referiu várias vezes durante a conferência, esta é apenas a primeira edição e embora haja muito para melhorar e aprender, não há razão para mergulhar no “pessimismo português” e não defender a ideia. Só temos a ganhar, a nível económico e cultural, se a Comic Con Portugal for um sucesso e continuar a crescer no nosso país. Pessoalmente espero que continue a realizar-se na Exponor. Num país tão centralizado a nível de eventos de grande magnitude, é bom que o Norte agarre todas estas oportunidades para se enriquecer.

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