Comic Con Portugal 2015 – Dia 2 – Um nobre senhor e o resto…

Infelizmente o cansaço não me permite um esmiuçar tão grande como ontem, ou como será feito após uns dias de ponderação. Mas não é necessário pensar muito para avaliar o quanto este segundo dia foi bom.

Como seria de esperar, a maior enchente da tríade de dias foi este sábado (ficaria muito surpreendido se domingo superasse a enchente de sábado). A sensação que dá é que toda a gente que veio na sexta veio hoje também, mais os que precisavam dos dias santos para estarem presentes. Desde muito cedo os pavilhões ganharam vida, e do “composto” de sexta-feira, passamos para o “custa andar” em certas zonas do recinto. Nunca o suficiente para ser um problema, o problema era sim conseguir ver tudo. Porque enquanto o olho esquerdo estava no stand, o direito estava em mais um grande cosplay a passar e a cabeça a pensar qual o próximo painel que podemos ver.

John Noble

Muito pode ser dito sobre este senhor, mas o mais importante é dizer que foi um… senhor! Enquanto o protocolo diria que a sua entrada era pelas escadas para o palco, John percorreu toda a primeira fila, cumprimentando os presentes e a receber todas as pessoas “na sua casa”. As perguntas foram boas (algo enaltecido por John) e, obviamente, a maior parte focadas em “Fringe”. É grande a admiração e John sabe acariciar aqueles que admiram o seu trabalho. Sorriso constante e voz profunda faz com que queiramos que ele fique a falar para sempre. Entre o Auditório e a conferência foi dando algumas revelações sobre o seu trabalho e vida pessoal:
– Que está a adorar a cidade do Porto e até brincou dizendo que quer viver cá. Elogiando também a beleza dos homens e mulheres com que se cruza.
– Que embora tenha muita experiência em encenação, trabalhar como realizador não é algo que o encante, pois considera o processo demasiado técnico e menos focado nos actores.
– Que “Fringe” foi o seu projecto favorito e que Walter será sempre o seu “mais querido”.
– Reconhece que os standards da TV subiram e até ultrapassaram em alguns casos os de cinema.
– Que a melhor experiência que teve como actor foi em “Senhor dos Anéis” porque achou incrível que milhares de pessoas estivessem em uníssono com a visão de Peter Jackson.
– Que cria sempre um backstory de todas as personagens que interpreta (mesmo que empreste apenas a voz), caso contrário, não faz sentido para si.
– Que uma das maiores missões em “Fringe” foi tentar fazer Lance Reddick (Agente Broyles), um homem bastante sisudo, rir. Quando o conseguiu fez uma enorme festa.
– Que foi um absoluto prazer trabalhar com Leonard Nimoy e que sentiu um click instantâneo com o actor.
– Que vai falar com Tom Mison para ele visitar a nossa Comic Con!
– Que tem contrato com “Elementary” até Abril e não deverá fazer mais nenhum projecto até então.
– Que não vê uma contrapartida em trabalhar em “Game of Thrones”… já que ao fim de dois episódios o matavam e tornava a ficar livre para outros projectos.
– Admite ler bastante sobre ciência e fez por entender toda a exibida na série “Fringe”. Defende que se os cientistas não concordassem com o que ele dizia, teria falhado como actor.
– Que em tempos conturbados como os que vivemos no mundo real é importante manter a esperança e que sentiu esperança e alegria naquele auditório.
– Que gostava de poder ter pedido desculpa aos pais por não ter sido tão paciente com eles e aconselhou todos a dizer todos os dias a alguém que os ama, antes que seja tarde de mais.
– Que ama Joshua Jackson e Anna Torv como se fossem filhos dele.
– Questiona-se se a pobre Gene (Fringe) ainda está viva. Elogiou também o seu impecável sentido de timing de representação.
– Mostrou-se ressentido pelo rumo que “Sleepy Hollow” tomou. Dizendo que os produtores na terceira temporada quiseram focar apenas no duo protagonista e é por isso que ele não está na série. Sente que a série se “encostou à parede a nível criativo” na segunda temporada e acha que não voltará à qualidade da primeira temporada.
– Que para um actor é importante ter sempre um próximo projecto, caso contrário pode cair num “poço” e não sair.
– Diz que nunca experimentou drogas e que pediu a muitas pessoas para dizerem como se sentem para ajudar no papel de Walter.
– Que os actores de teatro singram mais na televisão porque estão mais preparados e têm mais coragem.
– Que mesmo quando a sombra do cancelamento pairava sobre “Fringe”, acreditava que a série seria um sucesso.
– Que o mais importante para as suas personagens é que elas tenham uma “viagem”, um objectivo.
– Que adora a representação em “Homeland”, especialmente Claire Danes.
– Que fez inicialmente casting para Denethor e Saruman no Senhor dos Anéis e que Denethor era o seu favorito e não ficou triste quando um “senhor de nome Christopher Lee” ficou com o outro papel.

John é um verdadeiro contador de histórias de voz hipnotizante. Blackthorne foi o rei do ano passado, não preciso do domingo para saber que Noble é o rei deste ano. Sempre prestável e disposto a uma foto/autógrafo e até abraço. A maneira como finalizou o Q&A é representativo disso: não conseguia ouvir a pergunta de uma fã, então desceu ao nível dos espectadores, pegou no microfone e foi ter com a pessoa, como quem está na sala de casa. O público sentiu essa proximidade e devolveu o carinho por um actor pelo qual já nutria admiração.

Cosplay

Como eu suspeitava, a “I Divisão” decorreu no sábado. Os grandes/mais elaborados aguardaram pelo dia mais agitado (e de competição) para deslumbrarem o público. Não me vou repetir sobre o ambiente que esta malta consegue gerar, vou apenas realçar o quanto as pessoas não “trajadas” ficam envolvidas no ambiente por os verem. Serão sempre os principais heróis da Comic Con, sem eles não há sabor. Tinha três favoritos e a vencedora do dia (à esquerda) era uma delas. A menina que figura à direita acima não venceu mas foi das minhas favoritas também (assim como a simpatiquíssima Ygritte e um excelente Batman).

Gaming

Uma pequena palavra para o stand da Asus que hoje esteve ao rubro na Liga Portuguesa de League of Legends. Tal como os animes, é algo que me passa a 10km do ombro direito, não percebi quase nada do que estava a acontecer, mas as centenas de pessoas que encheram o recinto durante as batalhas percebiam e isso é que interessa! A Asus está de parabéns pela dinamização de um pavilhão que chama imensa gente e aumenta mais o leque de variedade no entretenimento.

Alimentação

Houve muitos acampados pelos corredores a manjar, houve filas, mas posso dizer que o novo pavilhão portou-se bem. É impossível esperar que conseguisse albergar toda a gente na azáfama do almoço, mas não senti frustração nas pessoas por falta de espaço nem longas filas.

Auditório e Hall of Fame

O Auditório A (durante a recepção do John Noble), continua a dar alguns problemas técnicos. Os mais graves foram resolvidos, mas ainda há pequenos ajustes a fazer ao som (as estrelas nem sempre conseguem ouvir as perguntas). Nada de significativo, mas a assinalar. David Augusto foi o responsável por moderar o painel e embora não seja tão bom como Luís Filipe Borges, foi simpático e conhecedor do convidado. Aqueles que como eu quiseram o autógrafo do John (e pagaram) não encontraram qualquer problema na fila. Após o caos do ano passado, é agora algo bem oleado e que funciona bem.

Menos Bem…

– A fila para o Auditório B atrasou e/ou impediu a entrada de muita gente. Penso que depois de hoje é necessário a organização pensar se não será melhor o Auditório A receber um evento desta magnitude.

– Soube que muitos voluntários foram dispensados depois do primeiro dia (e a verdade é que se viu menos grupos a “passear”), mas ainda há bastantes falhas a corrigir. Principalmente na rapidez da entrada do recinto e na falta de informação sempre que se tenta esclarecer uma dúvida. Não é geral, mas acontece mais do que se desejaria.

– É necessário que a organização tenha mais atenção aos “relevos” nos tapetes. Provocados quer por algum estrago no uso, quer por fios a passar por baixo. A verdade é que ia caído umas duas vezes (ou talvez seja eu o distraído!).

Com certeza muito mais ficou por dizer, mas terei mais oportunidades em breve. Para os que tiveram presentes e aproveitaram um grande dia, fantástico, para os que não foi possível: venham no domingo, onde não há Q&A com John Noble (ele estará presente para autógrafos e fotografias) mas há o resto da feira para desfrutar. Vemo-nos por lá… eu sou aquele que vai estar a dormir num canto…

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