Comic Con Portugal: Balanço de 2014 e o que esperar de 2015…

Mais de dois meses passaram desde que Portugal organizou a sua primeira Comic Con. Um evento que causou desconfiança inicialmente mas cujo sucesso não deixa margem para dúvidas quanto à vitória na aposta. Contactamos a equipa (como sempre, prestáveis) que puxa os cordelinhos da edição 2014 e prepara a deste ano, para saber o seu balanço, o que pretendem mudar e o que podemos esperar em Dezembro (?) deste ano.

Estiveram 60% pessoas “a mais” na Exponor…

Paulo Cardoso dizia na conferência de imprensa antes do evento que as expectativas rondavam as 20 mil visitas durante o fim-de-semana. “Óbvio que se alcançássemos os 40 mil seria muito bom…”, pois bem, os números oficiais foram de 32.697 pessoas, 60% acima do esperado. Não sabemos quanto deles foram espanhóis, um publico que a direcção pretendia alcançar com a realização no Norte do país, mas a organização diz que todas as áreas superaram as previsões, destacando a Fan-Zone e o Artist’s Alley e a sua dinamização. Não foram avançados número do orçamento, ficamos apenas com o “astronómico” lançado na conferência de imprensa e a certeza do sucesso alcançado, que se pode dizer que ninguém esperava.

A organização está confiante…

Apesar do crescimento, o staff está confiante que saberá lidar com a pressão que se avizinha: “a equipa possui um know-how elevadíssimo, que certamente ajudará na concretização da segunda edição. No caso de alargamento do espaço ou das áreas, poderão registar-se entradas, mas apenas relativamente às mesmas”. Nem tudo foi um mar de rosas naquele fim-de-semana, alguns dos problemas já referi no meu balanço, mas foi feito um “ levantamento de tudo o que deve ser corrigido e estamos a trabalhar nesse sentido”. A restauração é “espaço a reformular e aumentar”, os bilhetes VIP vão manter-se (e é bom que os seus portadores cheguem antes dos cinco minutos para o inicio do painel), está a ser feito um balanço sobre o papel dos voluntários, a serem preparadas alterações quanto aos mecanismos de entrada e saída do evento e melhoras na app e no acompanhamento do evento por parte da direcção. Estão prometidas também várias novidades na presença de estações de televisão portuguesas (esperamos nós que em quantidade e qualidade) e o feedback “bastante positivo” dos parceiros dá garantias que a direcção possa contar com eles este ano também (se não aumentarem em número).

Os media que estiveram e que não estiveram…

Como pessoa que esteve a cobrir o evento do ponto de vista dos media, entristeceu-me a pouca adesão dos jornalistas portugueses, quer por falta de confiança na feira ou simples desinteresse. A organização não ficou imune aos esforços dos novos media (blogs, paginas de facebook, etc) que fizeram a cobertura diária e, sem duvida, inflacionaram a adesão dos visitantes no segundo e terceiro dias, “Os New Media fizeram uma cobertura bastante minuciosa e detalhada. Ficámos muito satisfeitos com a sua presença. Revelaram-se conhecedores do conceito do evento e do background de vários convidados presentes, o que proporcionou reportagens e entrevistas bastante completas”. Ainda assim, é salientada a presença de “250 jornalistas acreditados”, e a intenção de fazer “algumas alterações relativamente ao sistema utilizado, de forma a melhorar as condições de cobertura mediática do evento.”

As áreas que saltaram à vista e as outras…

Sem dúvida que a televisão foi a área que mais povo trouxe às portas da Exponor, mas as gentes da Comic Con não querem descansar debaixo dessa galinha dos ovos d’ouro e as restantes áreas estão a ser pensadas em busca de melhoras. Há uma “estratégia muito definida” para os videojogos, há intenção de reformular o espaço kids, a “grande adesão” do painel VidYou levou a que organização fizesse “uma análise mais aprofundada” para “explorar essa vertente na próxima edição” e a área da BD continuará a merecer forte aposta. O que para mim foi o grande sucesso da feira, os incríveis cosplays, não passaram ao lado da organização também: “ficámos efectivamente satisfeitos com a grande participação dos visitantes, que esperamos ver aumentada já na próxima edição”.

O que esperar de 2015… e 2016.

Sendo bastante claro, quase nada… para já. Como era mais ou menos esperado, não é possível saber com tanto tempo de antecedência quais os convidados e se aumentarão em número, o número de bilhetes e a data da feira. Se já existem confirmações a organização mantém-nas em segredo. Ainda tentei “pescar” uma data (4-6 de Dezembro, aproveitando talvez o feriado de 8 em Espanha), mas sem sucesso. Sabe-se que serão na mesma os três dias, mas em 2016 “vamos ter novidades”, o que deixa água na boca para o que poderá estar a ser pensado. Outra constante este ano serão os vídeos enigmáticos, já que Joe Ritman manter-se-á nos EUA ao leme do barco que vai trazer as personalidades ao nosso país. Surgiram criticas quanto ao atraso na revelação dos convidados, muito em cima da feira, mas a direcção reafirma que “o anúncio antecipado não depende da organização, mas sim dos compromissos que os artistas têm, só conseguindo confirmação perto da data”. O que indica que este ano manter-se-ão as duas classes de visitantes, os que compram antecipadamente no matter what, e os que esperam até ao ultimo dia pelo seu convidado de eleição.

Os convidados deverão ser “conhecidos”…

No que toca à televisão, os convidados serão necessariamente conhecidos do publico português, “A Comic Con Portugal assume-se como plataforma de comunicação da indústria. O que pretendemos é uma dinamização, tendo sempre em linha de conta o enquadramento nacional. Não faz sentido trazer talentos que não tenham esse enquadramento”, o que faz toda a lógica, visto que se estivermos a falar de uma série que não seja transmitida em Portugal (e tenha uma fan base conhecida), o risco de flop na aposta aumenta muito. Nos tempos que correm é também óbvio que as pessoas nem sempre escolhem a televisão portuguesa como meio de fornecimento de entretenimento, talvez por isso a direcção acrescente: “isto não quer dizer que não possam haver excepções”. Esperamos também que Stan Lee não nos fuja novamente este ano e o sonho de Paulo Cardoso se realize.

Não foram reveladas grandes novidades para 2015, que é aquilo que nós queremos realmente saber. A ansiedade terá de esperar bem sentada já que antes do verão (presumo eu) não deverão chover nomes. Mas vamos manter-nos em cima do acontecimento e assim que tivermos mais novidades, serão dos primeiros a saber.

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