Deus criou o mundo em 7 episódios…

​… Mas ao sétimo acelerou porque o chefe estava farto de esperar!

[SEM SPOILERS DE GODLESS] Permitam-me desde já salientar vivamente isto: a série é um delight para quem gosta de boa escrita e fantástica representação. “Godless” conta a historia de um “Billy, the Kid” que decide abandonar o gangue/família adoptiva, roubar o dinheiro da sua figura paterna e fugir a uma vida que não mais reconhece. O seu refugio é uma cidade habitada quase na totalidade por mulheres, que estão agora na mira de um bando de homens cruéis liderada por Jeff Daniels.

Durante seis episódios somos bombardeados com vários arcos, de um vasto elenco, sem nunca sentirmos que é demais. Há uma plena noção que o espectador não é burro e uma imagem vale mil palavras. Quando sabes escrever um argumento com qualidade há a perfeita noção que um grande actor não precisa de muito para tornar tudo cativante. A fantástica fotografia explora ao máximo o amarelo do faroeste e dá-nos tempo, não só perceber o que está a acontecer, mas para gozarmos enquanto o fazemos… E Jeff Daniels é tão bom!

Não há uma única maçã podre neste cesto que faça um mau trabalho. Sim, o miúdo índio é algo cliché (miúdos são otários seja qual for o século), há arcos que terminam de forma frustrante (Whitey) ou que deixam vontade de saber mais (Martha). Mas para cada um desses casos temos o galáctico Jeff Daniels, um cativante Jack O’Connell e uma fantástica Merritt Wever. O texto ficaria ainda mais longo se destacasse cada um dos actores. Acreditem quando vos digo que pouco merece destaque negativo. Nem mesmo o facilitismo em mostrar os seios da “Downton Abbey” estragam o pano… Mas raios, Jeff Daniels é tão bom!

O meu único problema com toda a viagem é que acaba de maneira tão… “Os Sete Magníficos”. Sabendo que é uma mini-série, ao final do sexto episódio questionava-me de que maneira iriam pôr o laço em tanta prenda. Foi com alguma pena que vi tudo a ser resolvido à bala. Como salientei, é uma historia de contemplação, de passo lento (não no sentido pejorativo), e o final não deixa de ser uma descaracterização. Deixa um ligeiro trago de cerveja quente na boca… Mas raios, Jeff Daniels é tão bom.

Ainda assim, é western feito bem. Beleza, profundidade e suficientes dedos no gatilho para agradar a muitos (não a todos). Especialmente se tiverem sono fácil e sofá confortável… e Jeff Daniels é tão bom!

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