Diana Sampaio – Grey´s Anatomy, série de uma vida…

A rúbrica “Série de uma Vida” prossegue e desta vez recebemos Diana Sampaio do “Séries da TV“. Esta malta há muito é companhia de muitos seriólicos pelas redes sociais e presença habitual na Comic Con Portugal. Neste espaço os convidados têm as rédeas para falar da série que maior impacto lhes criou. Diana escolheu “Grey´s Anatomy”, uma que abandonei sem ressentimentos…

Não sei se é só comigo que acontece, mas dou por mim a pensar quais são os meus livros, os meus filmes, as minhas séries favoritas. Nem sempre é fácil escolher ‘o’ preferido e quando me foi proposto escrever sobre a série da minha vida confesso que hesitei. Grey’s Anatomy e One Tree Hill eram as únicas hipóteses, de fases diferentes da minha vida, embora não muito distantes uma da outra. São aquelas que me são mais queridas, mas percebi que não estaria a ser verdadeira se optasse por qualquer outra que não Grey’s. Sou a primeira a apontar-lhe os muitos defeitos das temporadas mais recentes e a admitir que talvez já devesse ter terminado há uns anos. É verdade que está longe de exercer em mim o poder e os sentimentos de outros tempos, mas não há muitas coisas de que tenha gostado tanto como desta série. É a mais pura das verdades. Precisamente numa altura em que ando a rever temporadas anteriores, correspondentes à fase mais marcante para mim, é impossível ignorar a importância que Grey’s teve – e continua a ter – para mim.

Já esperei ansiosamente por novas temporadas, por novos episódios semanais de muitas séries, mas mais nenhuma me fez bater o coração com força quando alguma coisa corria mal, mais nenhuma me fez chorar tanto e sofrer com os personagens, mais nenhuma me fez sorrir ou desatar à gargalhada, mais nenhuma me deixou zangada como Grey’s foi capaz. É isso mesmo que eu gosto, uma infinidade de sentimentos porque se uma série me deixa indiferente é porque não está a fazer bem o seu trabalho.

Além de quase definhar de ansiedade entre temporadas, dediquei-me a escrever fan-fics, a ler as de outros fãs tão dedicados como eu, criei uma página de facebook… Estou certa também de que dei cabo da paciência a todos os meus amigos, conhecidos e familiares que tiveram o azar de me ouvir desabafar sobre Grey’s.

Como todas as séries que nos tocam de uma forma especial, esta tem personagens que nunca esquecerei e relações que recordarei sempre com o maior carinho. Callie Torres é, há quase dez anos, a minha personagem preferida das séries e mantém o estatuto mesmo já tendo abandonado o elenco. Com Arizona, Callie formou aquele que, durante muito tempo, foi também o meu casal favorito. Sempre as achei perfeitas até que deixaram de o ser, mas agora que revejo acontecimentos a que já assisti imensas vezes, vejo as coisas com uma perspectiva diferente. Elas não foram perfeitas enquanto casal, fizeram muitas asneiras desde o início, mas eram perfeitas na sua própria imperfeição. Não me recordo quando começou a minha jornada como grande apoiante dos direitos da comunidade LGBT, mas sei que está intrinsecamente ligada a esta série, nomeadamente a estas duas personagens. Com Mark, Callie formou uma das minhas amizades preferidas da televisão. Addison, Amelia, Cristina, Lexie, esta série está repleta de outras personagens que, ao longo destes 13 anos, fizeram de Grey’s aquilo que é.

A qualidade das histórias foi diminuindo e muitas vezes fiquei com a sensação de que estávamos a assistir a repetições ou a versões muito parecidas de narrativas que já tínhamos visto serem exploradas anteriormente, mas a maioria das vezes em que me queixei de episódios de fraca qualidade, não tardou a surgir outro em que recuperava alguma da ‘fé’ perdida. Estou certa de que não voltarei a vibrar com a série da mesma forma, nem de perto nem de longe, que no passado. 14 temporadas – com a 15.ª e sabe-se lá mais quantas a caminho – é muito tempo, mas Grey’s Anatomy é quase como aqueles grandes amores que, quando acabam, não se lhes retira a importância. Duvido que alguma série venha a fazer-me sentir o mesmo que Grey’s nos bons velhos tempos. Só One Tree Hill ficou perto de o conseguir, mais nenhuma, e eu já vi muitas séries – demasiadas, pensariam muitos.

Grey’s Anatomy é, sem dúvida, a série da minha vida. Não é uma série de culto, eu sei, nem precisa de ser. Não ganhou grandes prémios ou foi aclamada pela crítica, mas foi capaz de emocionar, de pegar em temas sensíveis, de dar visibilidade e de ser um veículo de aceitação para a comunidade LGBT. Apresentou-nos personagens femininas fortes em cargos importantes, mulheres para quem a carreira é mais importante do que um relacionamento amoroso. Tudo isto é importante para mim, que me identifico com estas causas. Uma série em que se debatem questões da actualidade e que reflecte a mudança que se vê no mundo.

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