Época, nos tempos de “cólera”…

Numa altura em que um vírus nos paira sobre a cabeça, recordemos outros tempos, tempos mais fáceis, em que as pessoas só tinham de se preocupar com guerra, nazis, gangsters e ditadores…


Catherine, The Great – Esta mini-série é prova, se é que ainda são precisas mais, que um elenco capaz e dinheiro não fazem milagres. O ritmo destes episódios é completamente incoerente. Se por um lado há episódios que avançam anos entre cenas, por outro há também aqueles em que numa só cena se repetem as mesmas ideias por longos minutos. A personagem de Potemkin é basicamente bipolar e não me consegui afeiçoar a ela (por muito bom que Jason Clarke seja sempre), ora, considerando que a grande maior parte destes quatro episódios são focados na relação amorosa entre Potemkin e Catherine… Tanto havia para contar e podiam soltar as rédeas a Mirren, mas não. O resultado é um mediano conto de época. Podem encontrar os episódios na HBO Portugal.


The Crown – Sou um assumido fã de Olivia Colman e, por isso, os últimos meses têm sido um puro delight. Temos visto a britânica em Fleabag, Les Misérables, The Favourite… e claro, The Crown. Houve quem tivesse sentido a mudança brusca da troca de Claire Foy, mas eu não fui desses casos e não considero que a série tenha perdido qualquer qualidade. Tobias Menzies (outro favorito) está excelente e acaba por ser Helena Bonham Carter a causar mais estranheza como Princess Margaret. Em suma, se não gostavam de The Crown antes, não é agora que se vão apaixonar, do mesmo modo que se adoravam não há porque desistir agora.


Peaky Blinders batalha com Sherlock sobre qual a minha série favorita de sempre. É um ninho de excelentes representações, com um argumento que entusiasma, uma banda sonora de impacto e uma cinematografia única. Disse-o e tornarei a gritar aos sete ventos, quantas vezes for preciso! A quinta temporada peca por não ter mais momentos que envolvam Helen McCrory (Polly), que enaltece tudo ao seu redor, mas peca principalmente por não ter um vilão tão carismático como o protagonista. Sam Claflin é excelente (principalmente nos dois discursos que faz) mas é um politico… não é Changretta ou um Alfie. No entanto, o final de temporada deixa-nos completamente sedentos por mais!


The Man in the High Castle é tanto uma série de época como de mundos. A série abraçou totalmente das realidades alternativas e perdeu grande parte daquilo que a tornou especial. A cena final da série é um wtf completo e deixa-nos a questionar o tempo que lhe dedicamos. Fica na memória o excelente trabalho de Rufus Sewell e Joel de la Fuente (John Smith e Kido) e a ideia de uma série que podia ter sido especial mas que não soube decidir-se que tipo de série era afinal.


The New Pope – Parece-me que fui das poucas almas que realmente adorou esta T2 de “The Young Pope”. A começar no genérico, a passar por John Malkovich e a acabar na conclusão da história iniciada na primeira temporada. Não me sobram dúvidas que Paolo Sorrentino é um génio. Uma palavra de especial apreço para “sua santidade” Silvio Orlando (Voiello) que é a verdadeira alma desta série e que brilhou mais do que qualquer outra (entre muitas cenas, a eulogia a Girolamo é um hino à escrita e representação). Gostava muito que a historia ficasse por aqui, que ficou muito bem.

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