Game of Thrones: Oathkeeper – O mistério do White Walker…

Abordemos a cena que deixou todos os leitores das “Crónicas do Gelo e do Fogo” a entrar em pânico já que, pela primeira vez desde o início da série, são eles os spoilados (vou mencionar o possível nome do White Walker que aparece no final do episódio 4×04. Fora isso, penso que não tem spoilers, já que falo de história anterior à série, especulações e teorias. Fica ainda assim o AVISO DE SPOILERS!).

A HBO revelou no seu site que o misterioso personagem que vemos no final a transformar o último filho de Craster em White Walker é nada menos que o Night’s King. Entretanto alteraram (referindo-se a ele como um simples White Walker), mas o “mal” está feito e colocou os leitores em alvoroço já que a sua sobrevivência é apenas um “rumor” na obra. O argumentista do episódio, Bryan Cogman (que escreveu os episódios 1×04, 2×03 e 3×05 – Cripples, Bastards and Broken Things, What is Dead may never Die e Kissed by Fire), e os criadores David Benioff e Dan Weiss obviamente não acrescentaram nenhuma explicação extra. Não se conhece até então líderes, uma fortificação nem hierarquia de White Walkers na obra.

Night’s King foi o 13º Lord Commander que, segundo a lenda, se apaixonou por uma mulher com uma pele tão branca como a Lua e olhos como estrelas azuis (uma WW), a quem deu a sua alma. Quando a trouxe para Nightfort (um dos castelos da muralha, onde Sam e Bran fazem a travessia no final da terceira temporada), declarou-se rei e governou o forte durante 13 anos. Só quando Joramun, o Rei Para Lá da Muralha e o Rei do Norte da altura se aliaram em batalha é que o auto-proclamado rei caiu. Viria a descobrir-se que fazia sacrifícios humanos aos Outros (similar ao que Craster fez) e todos os registos com o seu nome foram apagados. Foi talvez devido a isto que os Lordes do Norte proibiram que a Night’s Watch construísse muralhas a Sul, permitindo o constante acesso às guarnições.

O destino deste “rei” é um mistério, mas pensa-se que será agora o líder dos Outros/White Walkers. A minha teoria, e de certeza de mais pessoas, é que a Walker que o Night’s King leva para a Muralha seja a verdadeira líder, uma “Rainha das Abelhas”, e que este Night’s King a sirva (como um possível general). Custa-me a crer que um Lord Commander convertido tenha simplesmente subido ao topo do que parece ser uma hierarquia, seria ela sim a Matriarca. Há ainda quem teorize que o Great Other, o Deus que Melisandre não pronuncia o nome quando fala com Shireen (o “Némesis” de R’hllor (Deus da Luz)) seja a divindade dos White Walkers. Deus da escuridão, do frio e da morte. Se ele existe ou não (muito provável que sim) e se essa Rainha responde a essa divindade tal como Melisandre responde ao Deus da Luz… são apenas mais suposições para já.

Mais, os White Walkers conseguem reanimar cadáveres. Na verdade os White Walkers NÃO SÃO zombies (isto não é “The Walking Dead”!). Aquela criança que vemos de olhos azuis no piloto, o membro da Night’s Watch que reanima em Castle Black e tenta matar Mormont (que é salvo por Jon Snow e pelo Ghost) na primeira temporada e os seres que acompanham o Walker que vai a cavalo no final da segunda temporada são Wights. Seres despertados pelo toque de um White Walker e cuja única fraqueza é o fogo (enquanto que os Walkers são vulneráveis apenas às adagas de obsidiana/dragonglass). Os Wights são atraídos pelo sangue quente, são lentos, trapalhões, parecem preservar alguma memória de quem eram em vida, não sentem dor, os seus membros continuam a mexer-se depois de cortados e o azul dos olhos desaparece depois de queimados. O facto deste misterioso indivíduo que vemos no final conseguir transformar o bebé em White Walker dá-lhe uma enorme importância, adicionando suspeitas que se trata do Night’s King, ou pelo menos uma espécie de xamã da espécie.

Teorias e especulações à parte, é um final que deixa o mais calmo extasiado, pelo menos aqueles que se interessam mais a fundo pela história da saga. Além da parte visual da cena, que mais uma vez é fantástica, são as possibilidades que abre no futuro. Este “Rei” (até parece ter uma coroa de cornos), rodeado por um “conselho” (o número 13 novamente), que transforma esta criança com um simples toque (dando uma explicação para a origem dos Walkers, já que a procriação parece improvável) é um grande final pra um episódio com tantos diálogos. Michelle MacLaren – que dirigiu o 3×07 e 3×08 – The Bear and the Maiden Fair e Second Sons e o próximo episódio, 4×05 – First of His Name. Realizou ainda 11 episódios de “Breaking Bad”-, deu-nos uma realização diferente dos outros episódios, com grande momentos de iluminação e personagens de perfil, no que considero ser o episódio mais completo, “rico” e bem realizado da temporada (as transições entre cenas estão especialmente bem feitas, exemplo: Tyrion-Sansa-Littlefinger-Tyrells).

Duvido que a série volte aos White Walkers tão cedo, já que são habituais estes teasers para depois não darem continuação (finais das primeiras duas temporadas). Algo compreensível já que a história destas criaturas é pouco abordada nos livros. Tal como há uma necessidade de criar história para que certas personagens mais acarinhadas não fiquem longe do ecrã muito tempo (como acontece nos livros), também estes flashes são importantes para relembrar o espectador da ameaça que paira sobre Westeros. Uma coisa é inegável: A série começa a apanhar os livros…

PS- Não abordei a personagem “Coldhands” de propósito, já que essa constitui mesmo um spoiler para quem vê a série. A sua presença, ou não, futuramente também é um mistério. Há quem considere que apareceu neste episódio, eu não acredito.

PSS- Se desejarem saber mais sobre a história anterior à abordada na série, podem consultar a nossa rubrica “Pelos Caminhos de Westeros

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