Homeland: 1×01 – Pilot

[SPOILERS] “Homeland” estreia apenas a 2 de Outubro, mas graças a essa maravilha tecnológica que é o pre-air, é possível ver o piloto antes dessa data. Baseada na série israelita “Prisioner of War”, vai-nos promete oferecer 12 episódios intensos de 1 hora. As comparações com “24” são inevitáveis e mal se começa a ver percebe-se porquê, alias, os dois produtores (Alex Gansa e Howard Gordon) vieram de lá.

O piloto inicia logo no meio da acção, com Carrie Anderson (Claire Danes), uma mulher absolutamente determinada (outra pessoa poderia descreve-la como obcecada e intensa), a tentar salvar um terrorista que pode conter informações sobre um futuro ataque em solo americano. Sabemos mais tarde que os seus métodos, sempre “fora da caixa”, a colocaram em cheque. Mas valeu a pena pela informação: “Um prisioneiro de guerra american foi convertido”.

O Sargento Nicholas Brody (Damian Lewis), julgado morto há 8 anos, foi encontrado no Iraque depois de 8 anos em cativeiro. A mulher Jessica (Morena Baccarin), assim como toda a gente, julgava-o morto, por isso não é com grande choque que a conhecemos na cama com um dos amigos do “falecido” marido no inicio do episódio. Quase uma década é muito tempo para estar longe da mulher, de uma filha adolescente “clichentemente” revoltada com a mãe e de um filho que mal se lembra dele.

O reencontro com a família é obviamente estranho, mas curto, porque é imediatamente catapultado para um frenesim mediático, o qual, e um pouco ao contrario do que fazia prever o seu estado pós-traumatico, se safa (demasiado) bem.

A série desenrola-se à volta destas duas personagens, duas pessoas com as suas paranóias e determinações. Desde o primeiro momento que Carrie, ainda lembrando as ultimas palavras do seu informador, desconfia de Brody e coloca a casa do militar sob vigilância, contra todos os conselhos do seu recrutador e mentor, Saul. E começa a obsessão e a busca por provas que dêem validade ás suas teorias.

Para além de Saul (Mandy Patinkin), chefe da CIA para o Médio-Oriente, temos David Estes (David Harewood), Director para o Contra-Terrorismo da Agência, que funciona como antagonista de Saul. Enquanto Saul protege e orienta, David, não esconde minimamente que não gosta de Carrie, falta saber se por causa do incidente que criou no Iraque ou por motivos mais pessoais. Carrie é uma verdadeira pedra no sapato na imagem imaculada do seu chefe, afinal de contas, David é uma estrela ascendente na agência (o mais novo director de sempre) e não põe limite ao quanto alto pode chegar na hierarquia.

Os serviços secretos não perdem tempo em interrogar Brody, e apesar de prometer ser mansinha, Carrie parte “levemente” para a ofensiva, despertando flashbacks (é de presumir que vamos ver alguns ao longo dos episódios) e os primeiros buracos na história. O Sargento percebe que tem ali alguém com um olhar atento sobre todos os seus movimentos.

Os primeiros segredos começam rapidamente a aparecer. “Homeland” não parece ser aquele tipo de série que nos cria mais e mais perguntas e não responde a nenhuma, alias, nem precisa. Se for bem explorada, como parece estar a ser, tem muito por onde espremer e nos manter agarrados. Brody nega ter visto e feito certas coisas em cativeiro e Carrie toma anti-psicóticos (começa a ser bem visível as suas alterações de humor, a cena no vestuário é muito bem conseguida), e logo com isto deixam-nos a pensar qual dos dois estará errado.

Será que a obsessão de Carrie é pura suspeita ou faz parte da sua disfunção? Como vai lidar Jessica com este “involuntário” triângulo amoroso? Porque mentiu Brody durante o interrogatório? Porque matou o seu companheiro de armas? Foi obrigado para poupar a própria vida, ou fez parte do seu precesso de “conversão”?

“Homeland” é descrito como um thriller psicológico e político e percebe-se bem porquê. Está muito bem escrita e consegue prender-nos à história à medida que o tempo passa. Há um bom balanço entre as pausas dos diálogos e a acção, por isso não fiquem já entediados com a ideia de um thriller de uma hora. O casting das cinco principais personagens é muito bom: Claire Dannes está fantástica quer nos diálogos, quer na insanidade. Damian Lewis, num papel parecido com “Life“, faz-nos relembrar as saudades que tínhamos em vê-lo no pequeno ecrã novamente. Mandy Patinkin é a personificação de uma figura paternal, que cria empatia com o tom de voz mas ao mesmo tempo autoridade e Morena Baccarin é linda qb, mas já mostrou em “V” que não é só uma cara bonita. David Herewood para já só mostrou que tem as maiores orelhas da televisão, mas não levanta duvidas sobre a qualidade para nivelar com os restantes.

O canal, os actores, o trailer e a temática já tinham aguçado muito o apetite, e este piloto veio confirmar que algo bom e sólido pode vir aí nas próximas semanas. Pode surpreender pela negativa, mas seria mesmo grande surpresa. Para já leva esta nota porque acredito que tem margem para evoluir ainda mais.

O Melhor: Carrie a limpar-se no meio das pernas…posso jurar que nunca tinha visto isto numa série/filme, viva a TV por cabo!
O Pior: Poder fugir ao olhar do público mainstream… não deixem!

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