Homeland: 1×04 – Semper I

[SPOILERS] O motor está bem oleado. Carrie já conhece o dia-a-dia do seu suspeito como a palma da mão (e já tem comida em casa) e Brody, depois de uma entrevista inicial de sucesso, é um verdadeiro Capitão América para o exército. Mas o Big Brother tinha de acabar em alguma altura…

Apesar desse passo atrás, finalmente a investigação de Carrie (Claire Dannes) começa a ter contornos de uma operação a sério. Sobe a parada, sobe a responsabilidade, sobem as ramificações. David Estes (David Harewood) nunca tem muito destaque, mas há sempre um saborzinho do seu jogo político. Todas as suas acções dentro da agência têm um objectivo secundário (até no briefing teve necessidade de ser impôr ao dar as ordens à equipa). “Chantagear” um pobre analista que ambiciona trabalhar no terreno a espiar Carrie é o seu mais recente golpe baixo. A nossa loirinha é uma pirata à solta, e ele não quer comportamentos desordeiros que prejudiquem a sua imagem no seu aprumado navio.

Mais um mistério revelado (mais ou menos), afinal o atrito entre chefe e subordinada não é só profissional, como já se antevia. Houve uma “coisa” (é o que se sabe para já) e não acabou bem. O que talvez ajude a explicar esta desconfiança de Estes e o plano obscuro para saber mais. O que não convenceu, pelo menos a mim, foi a honestidade naquela conversa com Carrie no bar. Ela baixou mesmo a guarda, mas ele…

Acho que já ninguém duvida que Brody (Damian Lewis) sabe da aventura da mulher com o seu amiguinho (pena que seja um relacionamento tão cliché!). O episódio correu todo a um ritmo lento, com picos de acontecimentos: tanto estamos a ter uma conversa de mulheres como há dois tiros e o nosso sargento torna a ser inconveniente. Diga-se que a cena não surpreendeu nada, com tanta referência ao veado e às flores, mal o vi pegar na arma nem pensei que fosse para o Mike (Diego Klattenhoff). Mas foi a gota de água para Jessica (Morena Baccarin).

Se realmente Brody é um agente infiltrado, nem todos os seus actos são controlados e orientados com um objectivo, há realmente momentos só para si. Também me ocorreu que tivesse encenado tudo aquilo para poder ir as reuniões e encontrar-se com os seus contactos, mas talvez já esteja a ser muito rebuscado nas teorias…

Talvez tenha sido o episódio mais aborrecido até aqui, mas mesmo assim agradável, porque há consistência e boa conduta da série. O que estava a faltar para apimentar isto era um encontro entre protagonistas, que já tardava. Qual a verdadeira ideia de Carrie? Ficou por dizer, mas está a jogar um jogo complicado de gerir. Ficou no ar um ambiente muito íntimo, ou então Carrie é uma excelente mentirosa, que também já mostrou ser capaz de o ser.

Nota: Mais alguém reparou que o Mike Faber é um cadinho “sopa de massa”?

O Melhor: O nome do episódio. Comportamento dos terroristas quando se aperceberam da perseguição, brilhante.
O Pior: Ritmo podia ser menos lento.

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