Homeland: 1×05 – Blind Spot

[SPOILERS] Chegamos a meio da temporada (para ser rigoroso, foi a partir do meio do episódio anterior) e “Homeland” continua com a sua cara lavada e de peito feito, para nosso grande delight

Muitos interrogatórios se vê nas séries. Mas nunca um me pareceu tão realista, bem programado e profissional, sem a treta do “Bom policia / Mau Policia”. A simbiose Carrie-Brody-Saul resultou às mil maravilhas, a obrigar-nos a imaginar o que ia na cabeça de Brody ao ver o prisioneiro e na cabeça de Carrie ao ver Brody.

Mais uma vez os flashbacks de Brody ajudam a mostrar pelo que ele passou, torturas quase inimagináveis e humilhações profundas. Curioso ver o antagonismo entre a tortura física de Brody e a psicológica de Afzal.

Afzal, que depois de uma tortura do sono, quebrou e forneceu umas pequenas informações. É óbvio que Carrie (Claire Dannes) tinha de aproveitar o momento para dar duas alfinetadas no protocolo e tentar saber mais do seu “caso de estimação”.

Se a disponibilidade de Brody (Damian Lewis) deu uma boa imagem da sua revolta para com os seus agressores, toda aquela história de querer ajustar contas foi um passo atrás na minha confiança. Algo se passou ali, no discurso que o nosso sargento faz, diz que Afzal matou o seu companheiro, mas não se sabe até que ponto não foi mesmo Brody (vimo-lo a espancar o amigo). Não se sabe também se não houve troca de mensagens durante a luta. O que se pode presumir com grande certeza (depois da mensagem ser entregue) é que houve a entrega da lâmina, que levou ao suicídio do prisioneiro depois de cumprir o seu objectivo.

Se Carrie estiver certa, Abu Nazir pode ter fornecido a localização de Brody para haver o resgate, o mesmo resgate que levou à captura deste prisioneiro e assim tudo encaixa. Terá Brody recebido ordens para começar? Ordens para alertar o professor universitário?

Temos assistido a alguns confrontos entre Carrie e Saul (Mandy Patinkin), com ela a puxar pela trela e ele a segurar com firmeza para o bicho não morder tudo o que aparece à frente. Mas se antes ainda percebia o porquê da hesitação em avançar, cada vez faz menos sentido. Saul está a procura da “prova em chamas” que muito provavelmente nunca irá aparecer porque não estão a lidar com amadores.

Percebe-se que seja uma altura difícil, com a mulher Mira a exigir uma vida para si própria, em vez de andar a reboque. Foi um excelente momento de representação, com as personagens a falar calmamente entre si, sem dramatismos excessivos. Apesar dos poucos minutos em cena, Mira conseguiu transmitir o amor que sente por Saul que, por detrás da sua aparente tranquilidade, não tem uma vida menos dramática que os protagonistas. É uma pena para a personagem, foi o máximo de emoção e felicidade que vimos até agora.

Chegado o marco de meio de temporada, como enorme fã, começo a preocupar-me para onde vai a série. Já me provaram que não tenho motivos para recear, mas surge a questão: Mais tarde ou mais cedo vamos ter de saber as intenções de Brody, como vão levar a série para uma segunda temporada?

Pensamentos finais:

  • A “dependência” de Carrie continua a ser um problema difícil de gerir. Desta vez, até aos comprimidos do pai teve de recorrer.
  • Morena Baccarin estava mortinha por voltar ao cabelo curto.
  • Só espero que a reza de Saul seja algo pessoal e não a série a inclinar-se para o acusar de ser o “convertido”.
  • Episódio 1 (14 comentários), episódio 2 (12), episódio 3 (11) e episódio 4 (8)… vocês não se dêem à preguicite! Vamos lá discutir estes episódios.
  • “Homeland” conseguiu com este episódio a melhor audiência até agora, superando em quase 20% a estreia.

O Melhor: O interrogatório. Mais “Saul Time”. A sobrinha a lembrar Carrie porque é que ela faz o que faz.
O Pior: O confronto Brody-Jessica-Mike tarda em aparecer.

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