Homeland: 1×07 – The Weekend

[SPOILERS] “Hell yeah! I love sucking Nazi Dick…”

Digam lá se não é uma grande maneira de começar um texto. Depois da maneira como o episódio anterior acabou, surgiam dúvidas da orientação que se iria dar à história daqui para a frente. Naqueles primeiros momentos dentro do carro sentia-se uma Carrie aprisionada, e não acreditava que Brody não soubesse que aquela pergunta da traição da mulher vinha dela, por isso, qual o jogo dele? A inocência de espírito de ambos surpreendeu-me.

Este é talvez o episódio menos “variável” até agora em termos de acção e bem poderia ser “Os dois contos da mesma história”. Desenrola-se quase todo à volta de dois locais, dois pares de pessoas, duas relações. Foi um episódio de leitura de personalidades e de histórias, de suspiros longos e respirares profundos, de “limpezas de garganta” a seco e sorrisos tímidos, de descobrimento e união. Embora tenham ocorrido em espaços tão diferentes (carro e um bosque) e as circunstâncias sejam diferentes, apercebemo-nos da ligação que une toda esta gente, aos pares e entre si. O terrorismo pode ser algo cruel e ser confundido com puro ódio, mas por detrás disso pode estar a necessidade de pertencer a algo, de arranjar forças e um propósito para ultrapassar as dificuldades da vida, algo que todas estas quatro pessoas partilham.

Saul (Mandy Patinkin) querer acompanhar a captura da terrorista Aileen (Marin Ireland) de perto é mais uma, outra e outra, faísca ateada. Mas da minha parte excluo-o completamente da lista de suspeitas. Acho que toda a viagem foi muito pessoal para ele e houve detalhes que não tinha de fazer se estivesse envolvido na trama… Se bem que aquele salto temporal entre a terrorista não dizer e estar a dar as informações todas foi um bocado suspeito… bolas!

Carrie (Claire Dannes) é uma bêbada maravilhosa! Ao longo do tempo foi usando essa capacidade para sacar informações a Brody (Damian Lewis). Se isto fosse o piloto pensaria que estava a ver um filme da Sandra Bullock, tamanho o mel que rodeava aquelas árvores… amor e uma cabana.

Esperava-se algo calculado daqueles dois, Carrie a tentar tropeçar e todos nós de olhar semicerrado a analisar todos os movimentos de Brody em busca de pistas. Mas em vez disso, tudo foi posto a nu, literalmente, inclusive a atracção real entre os dois. Nem estava a espera que a conversa do polígrafo viesse tão directamente à baila, mas o caldo entornou com o chá. Muito mau, muito amadorismo e sinal de baixa de guarda… pior só mesmo a reacção de ir buscar a lenha.

No trailer do episódio passado deram-nos a entender que a filha tinha apanhado Jessica (Morena Baccarin) e Mike (Diego Klattenhoff) aos beijos, mas não foi isso que aconteceu, não foi tão cliché, aconteceu o que se espera de uma história mais madura. Jessica vê em Mike o marido que perdeu há 8 anos atrás, agarrou-se novamente a Brody por descarga de consciência, porque era o mais correcto a fazer, porque achava que lhe devia isso por não ter esperado pelo retorno de São Sebastião, mas tal como o marido, já percebeu que o timing deste casamento já expirou há muito. Embora o filho mais novo ainda passe um pouco ao lado da realidade das coisas, a filha Dana (Morgan Saylor) só deseja paz novamente. Talvez quando perceber que a vontade do pai também é a separação, não ignore o sentimento da mãe como sempre o faz.

O que tínhamos visto até ao último terço do episódio tinha sido calmo, não monótono! Necessário para a criação de uma ligação, mas a partir daí… “All hell broke loose”.

Teoria que o impasse entre os protagonistas se arrastasse em segredo (pelo menos até ao final de temporada), desfeita. Teoria que Saul pudesse ser o infiltrado, desfeita. Teoria sobre os sinais dos dedos e a conversão à nova religião, desfeita.

Todas as teorias que nos tinham vindo a fornecer, suspeitas, tiques, piscar de olhos sobre Brody, todos desfeitos numa conversa de cinco minutos. Não consigo imaginar maior sinal de segurança e confiança num argumento do que este. A ideia de que é possível pôr as cartas na mesa, mostrar uma conversa enriquecedora e com isso fermentar mais mistério é genial. Que melhor maneira de nos deixar perdidos em suspeitas do que nos tirar todas as teorias a que nos podemos agarrar?! Lindo serviço que fizeste Carrie, realmente, Fuck You!

Para além da confirmação que nem tudo em Carrie era falso (aquela conversa dos comprimidos tem algum significado de certeza! Cheira-me que aquele controlo de dosagem vai dar problemas), ficam as únicas questões que é possível colocar: Como é que Walker, o outro prisioneiro além de Brody, está vivo? De quem é então aquele corpo que foi enterrado, o qual Brody teve de fazer a cova? Se realmente for o ex-companheiro de armas pode-se pensar que aquilo foi tudo encenado para que ele confirma-se a morte quando fosse libertado.

Com tanto desenvolvimento fiquei com a mesma impressão que tinha antes: só sei que nada sei! E neste caso é uma sensação fantástica…

O Melhor: Dude, I love this show!
O Pior: A ameaça que paira no ar que todas as revelações estraguem o “maravilhoso nevoeiro” e se torne tudo numa simples caça ao homem.

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