Homeland: 1×08 – Achilles Heel

[SPOILERS] A cinco episódios do fim, a história parte novamente do zero. Um reset a todas as teorias, pressupostos e convicções…e agora?

Uma nova caça começa, desta vez não às cegas mas com um alvo bem identificado. As ideias para o apanhar passam inicialmente pela família ou pela ajuda do público. Mas mais do que a caça a um homem, o episódio foi cheio de “Calcanhares de Aquiles”:

Calcanhar de Saul
Com a partida definitiva de Mira, Saul (Mandy Patinkin), que fez tudo para que ela mudasse de opinião menos aquilo que ela precisava para mudar de opinião (ficar em casa), chega à mesma epifania no mesmo dia que Carrie: esta vida vai fazer com que passe o resto da mesma, sozinho.

Calcanhar de Brody
Brody (Damian Lewis) dá finalmente o descargo de consciência que Jessica (Morena Baccarin, que esteve mais uma vez muito bem) merece. Quantos de nós esperariam seis anos pelo retorno de alguém depois de toda a gente dizer que está morto? Quem esperaria um ano? E após aquele “date”, Jess torna a perceber porque casou com aquele sargento, porque é que a sua família unida é tão importante para si. Afinal de contas foi isso que sempre quis, um homem de família.

Calcanhar de Carrie
O ambiente entre Brody e Carrie (Claire Dannes) continua tenso (como seria de esperar) e o primeiro encontro entre ambos acabou da mesma maneira que o penúltimo, com um “Fuck You!”… não literal, mas deu para ler nas entrelinhas. Parece que não é mesmo só uma falsa paixoneta.

Brody: “Fucking me to get information, is that part of the job description? Or do you get a promotion for showing initiative?”

A capacidade de “Homeland” em surpreender nunca para de…me surpreender. Estava a espera que o amor na cabana fosse permanecer em segredo até que essa “granada” explodisse na altura mais inconveniente, mas o assunto foi arrumado com mais uma conversa honesta com Saul. Obviamente este não aprovou, mas notou-se a satisfação pela honestidade que valeu um abraço e um “não se torne a repetir”. Não fiquei é muito esclarecido se Saul entendeu até que ponto foi “pessoal”.

Ainda pensei por momentos que estava a ver um episódio de “The Vampire Diaries” porque toda a gente estava a ser convidada para a mesma festa. A assistente do Vice-Presidente parece ter planos bem avançados para o nosso sargento porque aquilo mais parecia um baile de debutantes, uma maneira de apresentar Brody aos leões, que é como quem diz, os próximos melhores amigos. Um senador foi apanhado num escândalo sexual e tem o seu emprego em risco, que é como quem diz, perdido e Brody é um ex-prisioneiro de guerra, um relações públicas nato com uma família bonita e “à americana”, que é como quem diz, o candidato perfeito para o substituir.

A piada com o nome do senador, Dick Johnson (dois nomes de código para pénis), é provavelmente uma referência ao verdadeiro escândalo de um senador que também foi apanhado a mandar fotos do seu “material” em Junho passado… o seu nome era Anthony Weiner (sim, adivinharam o significado do seu apelido!).

A perseguição a Walker deu-nos o momento com mais acção da temporada. A ideia dele fugir para um local de oração foi uma manobra excelente, não só despistou os agressores como colocou mais pressão sobre o governo no que toca à perseguição ao Islão. E depois veio o fim… o fim… tipo… é que não sei o que dizer… foi… foi tipo… pah… UAU! Sinto que o meu cérebro caiu numa piscina de ácido… Que foi brutalmente espancado por um bando de skinheads, armados com tacos de basebol cheios de pregos e de seguida mergulhando num balde de álcool. Que final tão bom!

O mesmo homem que deu instruções a Walker sobre o local da arma é “aliado” de Brody. Brody está farto de receber ordens de Abu Nazir e não sabia que o ex-companheiro estava vivo…porque encenou Abu Nazir a morte se Brody é um aliado? Terá sido um ritual de passagem para Brody, como quem entra num gangue, enquanto usa Walker como peão e executor? Que entendimento com Nazir é que Brody acabou de cancelar? E se está por dentro do atentado, quem é que esperava que fosse concretizá-lo se não sabia da existência de Walker? Será Walker apenas um isco para toda a gente perseguir e, quando tudo tiver calmo e descansado pelo dever cumprido, Brody poder atacar? Estaria este cargo como senador nos planos de Brody e Nazir desde o início?

Tanta pergunta com tanto nome repetido, eu sei, mas depois deste final já não consigo debitar um discurso muito coerente. O melhor é mesmo desfrutar de mais um orgasmo mental que “Homeland” foi capaz de nos oferecer. É de deixar qualquer um sem palavras (embora não pareça). Nunca mais é Domingo!

O Melhor: Tudo!
O Pior: Nada!

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