Homeland: 1×09 – Crossfire

[SPOILERS] A inocência vê-se no rosto de uma criança… e no caso de Issa, vê-se muito mais.

As ondas de choque do ataque à mesquita fazem-se sentir no dia seguinte. Os religiosos pedem a cabeça dos culpados, ou pelo menos que estes admitam a culpa e não se comportem como “de costume” e os violadores escondem os erros e o preconceito com a desculpa de que há um objectivo maior no meio de tudo isto. O ambiente é tenso. Mas pelo meio do nevoeiro da desconfiança e da fumaça provocada pelas balas, dois factos parecem estar cimentados: Walker conhecia aquela mesquita (e é de suspeitar que a sua fuga para lá estava pré-programada) e a mesquita conhece-o. Nada nesta série é feito à toa.

Enquanto Brody (Damian Lewis) se vê à nora com mais uma maravilha moderna inventada na sua ausência, dá por si espancado, drogado e levado. Primeiro pensamento que surge tão rápido como um reflexo: Abu Nazir (Navid Negahban) a dar a sua resposta à rescisão de contrato. Mas para perceber melhor a relação entre estes dois, temos direito a mais flashbacks sobre a “estadia” de Brody no Médio Oriente.

Ao contrário dos anteriores, estes não pareceram pesadelos cheios de imagens soltas e zooms descontrolados e caóticos, foram lúcidos, tranquilos e harmoniosos, intencionalmente. Brody explicou o “amor” por Abu Nazir, pelo bem-estar que lhe proporcionou no meio do inferno aquele salvador que ele tanto precisava. Os primeiros flashbacks, após cinco anos de cativeiro e três anos antes de ser encontrado, mostram isso mesmo, um vir à tona para respirar, com oferta de banho, corte de barba e cabelo (lá teve de deixar crescer outra vez depois) e até um quarto. Nada nesta série é preto no branco.

“24” fazia algo que nunca vi outra série fazer tão bem: criar bad guys tão irritantes que dá vontade de dar pontapés à televisão com certas falas e atitudes. Provocavam “ódio” e quase tiravam prazer em ver a série. Já estava a demorar a aparecer em “Homeland” mas acabou por surgir um na pele de um agente do FBI… o que o homenzinho não conta é com bitchyness de Carrie (Claire Dannes) sempre em alta!

Estes: “You’re really fucking something, Carrie. I got to hand it to you. There is no bridge you won’t burn, no earth you won’t scorch.”

Mas a nossa agente tem abordado o problema Imam da maneira errada. Está tão habituada a descobrir os podres de alguém para depois usá-los em seu benefício, mas como fazer um anjo a falar? Simples, usa-se o “bem” a seu favor… pelo menos seria um bom plano, não fosse o anjo teimoso. Ao contrário das conversas anteriores, nesta última a esposa do Imam estava presente (estratégia de Carrie, obviamente), e aquela troca de olhares no final deu logo a entender quem iria dar asas à língua e ajudar. Nada nesta série é simples.

Então porque é que passamos uma grande parte do episódio a ver um menino, por quem Brody chamava durante o pesadelo na cabana, chamado Issa? Porque é necessário perceber de onde vem a vontade e a perseverança neste grande plano que se desenha. É necessário perceber o que leva dois homens a declarar guerra. É necessário meter um rosto na inocência no meio de uma guerra. É necessário mostrar que por detrás do ódio há sempre um motivo para ele existir…

Brody não está a seguir o plano, seja lá ele qual for, porque Abu Nazir o salvou e lhe fez uma lavagem mental, não foi preciso, o seu país fê-lo por ele. Tirou a vida àquela inocente criança por quem tinha tanto carinho e como se não bastasse, tentou esconder tudo numa máscara de mentiras. É o suficiente para revoltar qualquer um. Mas não estaria mesmo Abu Nazir a usar aquela zona residencial como escudo? Nada nesta série é inocente.

Sem dúvida que vai aparecer a dúvida na mente de Brody no futuro: estará ele disposto a sacrificar, em prol da vingança da sua família oriental, o bem-estar da sua família americana? Até lá, as roldanas vão rodando… Porque nada nesta série é fixo.

O Melhor: Brody, o professor. Issa, o inocente.
O Pior: Podiam dar mais propósito a Walker. Por onde anda Mike?

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