Homeland: 1×11 – The Vest

[SPOILERS] Que série esta que caiu sobre nós. Que maldição desceu à terra para nos mentalizar de que quase tudo o resto que vemos não vale cinco centavos… obrigadinha “Homeland”!

O episódio começou logo bem com a preparação de uma bomba (salvo seja). A calma com que é feita… quase como se estivesse a fazer um bolo.

O momento de “paz” acaba depressa quando a insanidade de Carrie, provocada pela abstinência dos comprimidos durante dias. Vê-la debitar o máximo de palavras por minuto, os raciocínios incoerentes e as expressões exageradas. Foi só o início daquilo que Danes tinha reservado para nós. Saul (Mandy Patinkin) é que ficou parvo para a vida com o que estava a assistir, a sua reacção não foi de um amigo que se sentiu enganado pelo segredo, não foi de um patrão traído por uma mentira, foi a de um pai que descobriu que a filha não é a perfeição que pensava ser e não sabe como vai lidar com a situação para o resto da vida.

A verdade é que este meltdown de Carrie não podia vir em pior altura. O grande atentado está iminente, Walker continua à solta, há provas que ligam a Arábia Saudita ao ataque na praça e o seu chefe está a sentir a respiração do Vice-Presidente (Jamey Sheridan) no pescoço, tal é a pressão para apanhar Walker, exigindo que alguém seja leve com as culpas pela demora. Enquanto tudo isto se desenrola no mundo real, uma das melhores agentes está presa no limbo da bipolaridade e de baixa forçada por algo que pode pôr em risco o resto da sua carreira. Os “bons” estão a perder.

A meio do episódio já tinha 99% de certeza na teoria formulada há dois episódios, quando aparece o Vice-Presidente na televisão de Brody (Damian Lewis) e Abu Nazir: seria ele o alvo do ataque. O Presidente é um alvo mais difícil, para além disso a cara e voz do VP está associada ao ataque que vitimou Issa (depois há aquele pormenorzinho de ele aparecer varias vezes em cena e o Presidente não…).

Enquanto o mundo da espionagem e do terrorismo jogam à guerra, a família Brody decide tirar uns dias de férias e passarem algum tempo juntos. Depois entra a máxima que “Homeland” já instaurou ao fim de dez episódios: Nada é o que parece. Uma lição de história sobre uma batalha da guerra civil? Não, uma explicação do que um homem com uma missão e alta dose de determinação consegue fazer. Uma pedido de ajuda à filha (Morgan Saylor) para que apoie a mãe durante a candidatura ao cargo político? Não, uma pedido para que a ajude a suportar a pressão do mundo depois de ele partir. Uma simples viagem em família? Não, dar uma última viagem de despedida e criar um álibi para se encontrar com o “alfaiate das bombas”. Nota- Aposto que há uma mensagem subliminar no comentário de Dana sobre as cicatrizes do pai, só não decifrei qual.

Brody inocente/Brody culpado. Seja qual for o vosso lado, ninguém esperava que a revelação viesse assim – o momento WOW – mesmo no meio de um episódio como quem não quer a coisa (o segredo estava no título do episódio). Sempre coloquei Brody como um mini-cérebro, um aliado de Nazir que facilitaria o ataque, nunca o executor. Pergunta imediata: Ou Brody muda de opinião, ou vamos ter uma segunda temporada muito diferente do esperado.

No final do episódio tivemos aquilo a podemos chamar “o momento Mente Brilhante”. Saul percebe o que a incoerente Carrie tenta dizer e organiza na parede o resultado da fase Savant da sua pupila. Ela percebeu quase tudo, conseguiu desfazer a última década da vida de Nazir em períodos, só não chegou ao momento Issa, que despoletou tudo o resto. Mas os bons rapazes não vivem momentos de euforia muito duradouros, e Carrie ainda não tinha tomado a sua má decisão do episódio. O pai bem tentou provocar uma epifania e fazê-la ponderar entre bom e mau instinto, mas sem resultados. O problema da nossa menina sempre foi ter a boca demasiado destravada, que acaba sempre com efeito boomerang. Foi novamente o caso. O último minuto do episódio conseguiu provocar raiva. O trabalho de Carrie, o esforço de Saul, tudo destruído por um telefonema directamente do inimigo. Brody (em mais uma manobra genial) elimina a ameaça sem precisar de se esforçar muito, bastou colocar a máquina a funcionar que ela anda por si.

Para alguns foi uma surpresa, para outros a confirmação, a verdade é que Claire Dannes não está a deixar ninguém indiferente e este episódio foi a escalada do Monte Evereste. O desespero na sua cara quase nos dá vontade de ir lá ajuda-la. Perfeita.

Se já viram o preview do final de hora e meia já devem estar a fazer contas à vida, como eu. Não acredito que Brody vá cumprir o objectivo, mas talvez seja o meu lado de fã a não querer vê-lo fora do ecrã. Walker, esse sim, cumprirá aquilo que sempre se esperou dele, ser um peão, um meio de atingir o fim, a decisão final caberá sempre a Brody. Agora percebo porque é que o Universo quis que eu nascesse a 18 de Dezembro… Estou ansioso por dar nota “10” ao que aí vem!

Para não acabar de uma maneira tão pesada, vejam a imagem que estive quase a pôr como “capa”

O Melhor: Claire Danes. “Homeland”.
O Pior: Que só falte um Domingo…

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