Homeland: 1×12 – Marine One

[SPOILERS] Esta análise descreve os eventos ocorridos entre as 7 da manhã e as 9 da manhã de segunda-feira…

Não me lembro de uma finale me criar tanta expectativa como este. Desde de “Lost” que carregar em botões não dava tanto que falar. É meu objectivo descrever na review todos os sentimentos contraditórios que ocorreram durante esta hora e meia, a ponta da seta desta maravilhosa temporada. Jump!

Dia 1 – O Prólogo
O episódio começa com uma gravação de mea culpa de Brody (Damian Lewis) a reivindicar e justificar o atentado do qual seria protagonista. Ao contrário de homens encapuçados com bandeiras e AK47 em punho, temos um homem fardado, emocionado e convicto. Impressionante como com uma imagem estática e um monologo Damian Lewis é excelente. Ficou apenas por explicar a fase entre ser torturado e a morte de Issa, mas talvez isso levasse muito tempo. A sensação de despedida no seio da família continua no ar e nem o facto da filha o ter “apanhado em flagrante” o desconcentrou. Nesta altura Brody colhe os frutos de ter cultivado uma relação de proximidade e confiança com a filha nos episódios anteriores.

Três dias se passaram desde que o “Mosaico” de Carrie foi arrancado da parede. De rastos, não se alimenta bem e mantém-se em clausura. Virgil (David Marciano) alicia com massa e Saul com sopa numa tentativa de lhe levantar o espírito mas a depressão de um emprego perdido, de uma ameaça não neutralizada e da traição de Brody, cuja paixão finalmente “confessou”, está bem enraizada.

Apesar do nível de alerta e da ameaça ser quase palpável, o Vice-Presidente Walden (Jamey Sheridan) não recua nas suas intenções políticas, Estes está a bater no ceguinho e ele não vê. Walker avança no terreno e passa a fronteira para território inimigo em modo esquivo (fica a questão do porquê da senhora de idade ter convenientemente vidros fumados atrás e da incompetência da policia em nem sequer apontar uma luz dentro carro, uma revista, qualquer coisa. Detalhes).

Dia 2 – O dia “B”
O grande dia chegou para Brody e Carrie (Claire Danes) acorda para um novo dia com uma nova chama. A epifania de um possível ataque a inúmeros membros do governo no mesmo local faz apitar o seu sensor aranha. Mas isso é a reacção normal! Confrontados com um atirador em fuga e o mais que possível envolvimento de Abu Nazir, torna-se quase inacreditável que tanto Estes como Virgil precisem de ser convencidos que isto é uma oportunidade de ouro para quem pense em ferir a América. Mas como de costume, nem tudo é eterno: Virgil entra imediatamente a bordo depois de Carrie puxar da carta da amizade e Estes tem razões para fazer ouvidos de mercador porque esteve envolvido no ataque que vitimou as 82 crianças, incluindo o pequeno Issa.

Talvez seja o nervosismo provocado pelo momento, a minha ansiedade em ver o que iria acontecer mas achei bastante irritante toda a participação da filha Dana (Morgan Saylor) neste episódio, que de repente começou a levantar a sobrancelha para tudo o que o pai fazia. Brody é o espelho do nervosismo, pode ter todas as razões do mundo bem enraizadas na alma mas é impossível ficar calmo quando tem uma missão daquelas pela frente. Carrie tentou! Ao longo desta dúzia de episódios ela esteve sempre a frente de toda a gente, com o seu instinto a funcionar como uma bola de cristal. Mas sejamos honestos, se não conhecêssemos o seu lado da história seria bem difícil acreditar nela. Primeiro porque não tinha provas, depois porque teve pressa de mais e finalmente porque perdeu a credibilidade pelo seu estado mental. Irão lamentar não lhe terem dado ouvidos.

Para quem como eu não resistiu a ver a preview deste final, deve ter percebido como é que as coisas se iriam desenrolar. Walker (Chris Chalk) revelou ser aquilo que sempre foi: um peão, um catalisador, um engodo, um meio para chegar a um objectivo maior. O seu ataque teria como simples objectivo encaminhar toda a gente para o mesmo local para que Brody fizesse o resto. O assassinato de Elizabeth Gaines foi o suficiente para desencadear essa queda dos dominó. A imagem do sargento a entrar em “pânico” no bunker, a ansiedade em despachar o assunto foi muito captada visualmente. Sempre que Brody passa por um momento de stress e choque a câmara sofre com ele, apresentando uma imagem desfocada, tremida e instável. Então surge a claridade, a respiração é apressada e ofegante, mas o ambiente foca-se e as palavras do seu mentor ecoam na mente, dando propósito e o último pedaço de coragem que precisa e…NADA! Senhores e senhoras, o momento mais anti-climático da televisão nos últimos 3000 anos. Estava a achar estranho o grande momento acontecer a meio do episódio mas com “Homeland” tudo pode acontecer.

Carrie gasta o seu último cartucho, numa tentativa de apelar ao coração de Brody pela filha. Reafirmo, não gostei de tanto envolvimento de Dana nestes momentos, percebo a intenção mas não é a personagem que queremos ver a actuar nesta altura. Mais um momento de brilhantismo de Danes nesta cena, que se destaca também pelo primeiro confronto Carrie vs Jessica (Morena Baccarin). Óbvio que a nossa lutadora não ia conseguir vingar na sua resolução, uma doida com feridas na cara, quase de pijama, aos gritos no jardim e a culpar o herói pai de família de terrorismo, é óbvio que não, mas a semente da dúvida foi plantada. É enervante vê-la mais uma vez impotente.

Ligação feita, fios conectados, vestir o colete pela 148ª vez e vamos lá tentar novamente carregar no botão. Fechar os olhos com força e…tens uma chamada! Neste momento estou no quarto, de pé e aos pontapés à cama. A minha gata foge de mim, candeeiros são partidos e cabelos arrancados, isto não se faz! Eu que já não podia ver a cachopa a frente, agora “estou-lhe com um pó” que nem a vejo bem. Não queria mesmo que a decisão do momento dependesse dela. Como fã de Damian Lewis uma parte de mim não quer que desapareça dos ecrãs, mas a fatia maior do queijo desejava que a série tivesse coragem para levar este momento para a frente. Acreditava mesmo que seria o melhor desfecho para esta temporada de ouro, que desilusão.

Dia 3 – A desilusão
Não fazia sentido uma contagem dos dias se tudo se resumisse a apenas dois. Saul (Mandy Patinkin) começa a ficar seriamente incomodado com o cheiro a esturro que emana daquele dossier vermelho, parece que queima tal é a rapidez com que toda a gente o atira para a mesa e o quer longe. Incomodado o suficiente para ameaçar o VP e descobri de uma vez o que se passou (espanta-me que nem Saul, nem a Danny (Hrach Titizian) se lembrassem de fazer uma pesquisa pelas notícias de eventos significativos no médio oriente durante os últimos dois anos. 82 crianças e um depoimento do VP é algo chamativo). Agora que o caso já viu a luz do dia e a liberdade está nua, começou uma guerra aberta entre idealismos de Estes (David Harewood) e Saul que promete apimentar o clima dentro da agência na próxima temporada.

É muito bonito fazer o mais correcto e não transformar o corpo em polpa de tomate mas as pessoas que andaram a planear aquele momento durante tanto tempo vão querer explicações. Esse pedido de esclarecimento surgiu pela mão de Walker. Foi demasiado fácil a maneira como Abu Nazir ficou convencido e aquela ideia de “porquê matar um homem quando se pode matar uma ideia” não é satisfatória. O novo estatuto político de Brody não mudou no dia do suposto atentado, a sua nomeação já era um facto desde há um tempo, mais, o cargo que irá ocupar não é suficientemente importante para ter relevância. Terem chegado à conclusão que ele pode fazer mais estragos vivo do que morto não devia ter sido um epifania pós-falhanço. Não me convenceu e não percebo como Abu Nazir se deixou convencer também.

Confesso que o último terço do episódio já não foi a mesma coisa. Fiquei com aquele sabor azedo na boca e já nada me sabia bem. Prova disso é que a decisão (mais do que anunciada) de matar Walker nem me aqueceu nem arrefeceu.

Dois dias depois – A facada final
Carrie está determinada a mudar a sua condição e está disposta a tentar tudo. Momentos antes de adormecer lembra-se de uma informação fundamental que não lhe ocorreu minutos antes, convenientemente, durante a conversa com Saul. Mesmo quando o disse em voz alta, convenientemente, ninguém ouviu ou prestou atenção.

Para mim foi a gota de água e não podia ter acabado de maneira pior. Talvez seja problema meu que mais uma vez coloquei as minhas expectativas no topo e assisti enquanto elas caiam do último andar sem para-quedas, mas este final foi uma desilusão pura. Senti que brincaram comigo e não deram uma conclusão à altura de uma temporada, até então, fantástica.  Tudo o que envolveu o rebenta-não rebenta de Brody foi uma frustração e partes da temporada foram deixadas sem resposta: aquela conclusão de Carrie sobre o “Marine One” ser Walker e Brody o “Marine Two” é parva. “Marine One” nunca foi um nome de código, foi o nome de uma pista de aterragem a um quilometro de distância de uma casa alugada por dois terroristas que acabaram por não ter nada a ver com este atentado. Poderão dizer-me que a versão “Brody, o homem bomba” foi um plano B a esse plano original de Walker assassinar o VP no aeroporto, mas não me convence. Para além de que para isso acontecer, não era preciso o Brody para nada.

Estive sempre à espera do último momento para “Homeland” ser igual a si própria e me surpreender como fez tantas vezes, em vez disso, uma informação que nós já sabíamos antes. Esperava mais, esperava que Brody morresse ou que a sua situação mudasse, esperava mais de Carrie que esteve sempre na linha da frente e quando foi preciso não se lembrou de um facto tão importante, esperava ver menos Dana, os seus gritinhos e sobrancelhas levantadas. Sinto que acabei de ver um episódio de “24” e esperava bem mais do que isso.

Mais do que ninguém tenho muita pena por não dar a nota “10” que tanto queria. E vocês o que acharam? Ficaram satisfeitos?

O Melhor: Claire Danes, sempre Danes. Brody, versão bunker.
O Pior: A pura desilusão que foi este final e a maneira como brincaram com o espectador.

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