Homeland: 2×01 – The Smile

[SPOILERS] Um ano depois do piloto chega a segunda temporada que o povo mais anseia. Arrisco-me a dizer que este ano não é “Game of Thrones”, “Dexter” nem “Once Upon a Time”, é de “Homeland” que todos esperam uma temporada de topo. O mundo que ainda não estava rendido, rendeu-se durante esta asfixiante paragem de 10 meses, as diversas academias premiaram (27 nomeações e 19 prémios) e os críticos confirmaram aquilo que os fãs têm como adquirido: “Homeland” é a série do momento.

Antes de mais quero pedir “meias desculpas” pela review anterior. Fiquei realmente zangado pelo desfecho anti-climático da não explosão, mas foi uma reacção a “quente”, com o episódio muito fresco ainda na mente. Em retrospectiva é óbvio que a série ganha muito mais com a presença de Damian Lewis e é um prazer continuar a contar com a sua presença. Surge agora a mesma pergunta que surgiu depois do piloto, depois do meio da temporada e no final da mesma: conseguirá a série manter-se na estratosfera da qualidade? Vamos ver o que nos reservam os próximos 12 episódios…

Saul (Mandy Patinkin) está a tentar evitar que todo o Médio-Oriente comece a abrir feridas. Uma maleita com efeitos irreversíveis, que pode despoletar o pior dos cenários globais. De certo modo, este capítulo começa da mesma maneira que o piloto: um informador num país de conflito, com uma informação valiosa sobre um eminente ataque aos EUA. Tudo feito com o máximo de profissionalismo, como a série já nos habituou. Algumas mudanças são visíveis, mas a mais notória é mesmo a de Brody. Quando nos despedimos dele há uns meses a sua carreira política estava na fase de embrião. Um simples membro da Casa de Representantes que de repente recebe um convite para ser Vice-Presidente dos Estados Unidos. Não sei até que ponto estou à vontade com este avanço tão a pique na carreira, não me parece muito plausível. Mas com os holofotes aumenta a atenção, a fome de saber mais sobre este homem que tem casca de herói e um núcleo cheio de surpresas. Surpresas que o tornam uma opção de risco.

Carrie (Claire Dannes) aparece no ecrã como uma alma tranquila, seis meses depois do “choque mental” que foi a season finale. Longe do mundo caótico da espionagem e só preocupada em tratar da horta e leccionar inglês a emigrantes. Lutando contra o impulso de querer saber mais do mundo, de se envolver naquilo que faz tão bem em prol de uma estabilidade emocional que ambiciona. O problema é que não está curada, nunca vai estar, por muito que se esforce o bichinho está lá e não é preciso uma grande faísca para a colocar em alvoroço. Uma mente mais inocente poderia pensar que tudo o que envolve esta nova informadora, os pedidos de ajuda Estes (David Harewood), e principalmente Saul, são um enorme frete para ela. É evidente que ela deseja toda aquela emoção, a irmã sabe disso, nós sabemos disso. Sente-se que a cada palavra que ouve, a sede de saber mais aumenta e só precisa de uma desculpa para mergulhar novamente naquele mundo. Ela bem tenta afastar o passado, mas nós sabemos que são só palavras da boca para fora.

Danny: “Estes needs to see you.”
Carrie: “Tell him to fuck off.”

A relação entre Brody e Abu Nazir nunca foi muito clara. Ao início não sabíamos se eram discípulo/mentor, depois pairou no ar a ideia de “irmãos de armas” em busca de vingança, e por fim tivemos quase um braço de ferro entre objectivos e fronteiras morais a traçar. Mais uma vez “Homeland” surpreende ao não deixar arrastar pelo tempo esta indecisão e confronta, a nós e a Brody, directamente. A “dívida”, se é que alguma vez houve alguma, não está saldada, o acordo não está encerrado, a vingança não está feita. Esta conversa com Roya Hammad (Zuleikha Robinson de “Lost”) não deixa de ser um pé no sapato na teoria de que este era o plano inicial para Nicholas. Ficou mais ou menos claro que este deveria ter explodido no bunker, que tudo o que vier a seguir é uma espécie de chantagem, politica ou sentimental, para usufruir deste peão inesperado que se tornou.

Não deixa de ser uma abordagem razoável, mas sinto que vou ter saudades daquela dualidade do sargento da primeira temporada, em que não sabíamos de que lado estava e ao que vinha. Vê-lo como uma “simples” marioneta não é um desejo. Seja como for, a cena na agência foi a típica “ver a informação, apanhar pequenos sustos e quando o alvo regressa estamos tranquilamente sentados na cadeira”. Não foi má, mas não foi nada que já não tivéssemos visto em inúmeros filmes de espionagem.

No meio de todas estas mudanças (que no fundo não mudam a base de toda a série) é bom saber que há coisas que nunca mudam. No filme “Missão Impossível 2” havia uma frase muito carismática: “Qualquer procura por um herói deve começar por algo que qualquer herói precisa, um vilão.” “Homeland” tem-nos brindado com prestações do que melhor é feito na televisão e é difícil imaginar algo melhor do que Damian Lewis e Claire Danes fizeram na primeira temporada. Mas a série também nos conseguiu “brindar” com personagens “enfim”. Oh Dana (Morgan Saylor), como eu te odiei na season finale, por todos os gritinhos e mau timing nas aparições… é bom saber que nada mudou e continuas a parvoíce de personagem que eu tão saudosamente recordo. Se ao menos o Abu Nazir te tivesse usado no bunker! O episódio estava a correr tão bem até aquele “o meu pai é muçulmano”, nada justifica a estupidez do momento. É o meu desejo profundo que a tua morte seja breve e um tanto ou nada dolorosa. O lado “positivo” é que originou uma conversa bastante produtiva entre o manso Brody e uma Jessica (Morena Baccarin) mais preocupada com a carreira e a imagem do marido do que propriamente em tentar perceber de onde vinha aquela devoção. Lewis dizia numa entrevista que na segunda temporada Brody iria ser “everybody’s bitch”. Começo a perceber que sim. A primeira season abordou o conflito de Carrie, nesta vão explorar uma pressão bilateral sobre o pobre homem, entre o poder politico e terrorista.

Foi um recomeço bastante morno. Um recomeço que mostrou o par de protagonistas “fora do seu jogo”, mais fracos e vulneráveis. Estou mentalizado que esta segunda temporada não terá o mesmo fogo da primeira, não é ser pessimista ou do contra, mas este “The Smile” confirma isso mesmo. Considero um mal necessário na construção de uma base que será explorada na terceira parte da história. Só espero é que mesmo que abrandem o ritmo, a qualidade não sofra muito com isso.

Antes de me despedir, quero chamar-vos a atenção para um grupo que pessoas que faz um grande trabalho em nos manter actualizados no que a novidades, trailers e imagens diz respeito no mundo “Homeland”. A minha saudação para a página do Homeland (Portugal), façam um grande like e mantenham-se a par do dia-a-dia da série. Atenção: só para fãs com “F” grande!

O Melhor: O regresso.

O Pior: O regresso morninho. Dana, aquele ser detestável. Por onde anda Mike?

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