Homeland: 2×02 – Beirut is Back

[SPOILERS] Beirut, não há série ou filme de espionagem que se preze que não passe por aqui, ou que o seu nome não seja referido. Carrie consegue escapar aos seus perseguidores com um enorme sorriso estampado no rosto entre a felicidade e o nervosismo, e encontra-se com Fatima (Clara Khoury). Imediatamente vem à memória Lynne Reed da primeira temporada. Fatima Ali partilha da beleza (que olhos!) da falecida assistente do Príncipe Farid, partilhará também o mesmo destino? Basta o nome Abu Nazir (Navid Negahban) vir à baila que algo desperta dentro da nossa querida bipolar. Sim a tudo, porque não se olha a meios para apanhar tão importante alvo. Não é que nesta altura do campeonato seja preciso dizer seja o que for da prestação de Claire Dannes, mas é delicioso ver os pequenos tiques nervosos e a intranquilidade constante da personagem, tão diferente da “profissional” que conhecemos.

Entretanto, no lar dos Brody, a vida corre bem. Entre jantares de gala e reuniões de gente com muito poder em Washington, o futuro desta família parece sorridente e cheio de promessa. Mas o episódio “Muçulmano” está muito presente, para além disso, Brody (Damian Lewis) luta constantemente entre as ambições políticas e a chamada da própria consciência.

Carrie é aquele tornado improvisado que muda de trajectória com base no instinto e obsessão, mas quem não acha piada à iniciativa são Saul e Estes (David Harewood). O primeiro tinha de verificar a viabilidade da fonte para que o segundo acreditasse na veracidade da informação. O primeiro gosta muito da sua protegida e não quer vê-la falhar mas terá sempre um pé atrás de agora em diante, o segundo já tem tradição de implicar e não quer que a agência falhe no meio de uma guerra fria entre os EUA e o Irão, porque isso afectaria a sua imaculada reputação. O que ambos estão a esquecer-se é que foram eles que pediram para ela viajar para o lado oposto do mundo, não o contrário. Enquanto a mamã e o papá se envolvem nos lençóis a discutir quem tem a responsabilidade, Carrie vê a sua condição a agravar (representação de topo = 50 pontos para Griffincarrie!). No final a parte paternal de Saul (Mandy Patinkin) fala mais alto. Muito interessante ver que tanto Brody como Carry assistem sentados ao mesmo evento que pode alterar as suas vidas de modo decisivo. Apesar de estar tão envolvidos em todo aquele cenário, por momentos foram apenas espectadores das suas próprias vidas.

Na review anterior os leitores discordaram um pouco da minha opinião, de que a série recomeçou morna, foi algo lenta (pelo menos para os parâmetros habituais). Pois bem, desta vez não quiseram dar asas a dúvidas e a partir do minuto 30 foi uma adrenalina de colar as costas à cadeira e os olhos ao ecrã. Independentemente dos princípios que Brody possa ter em discordância com Nazir, continua a considera-lo um amigo, a querer protege-lo, e é aqui que entra a carta politica de Brody e o seu acesso as informação privilegiada. Apesar de Abu Nazir sobreviver para aterrorizar mais um dia, é principalmente uma enorme vitória para Carrie e para a sua credibilidade. Mas lembrem-se que estamos a falar de um tornado meio descontrolado.

Quando as coisas são bem feitas, bem realizadas e interpretadas, não são necessários “sufixos” de clima como música de acção. A própria respiração de uma mulher terrificada é o mote ideal para colar ainda mais a cadeira, e ainda mais os olhos no ecrã. Enquanto Carrie se desvia de balas e atira tijolos, Brody está sobre outro tipo de pressão, mais prolongada e stressante. Tal como já referi, o nosso sargento vai ter uma temporada complicada este ano. A vice-Presidência, a luta moral com o amigo terrorista e agora são os companheiros de armas (sobre a voz do esquecido Mike – Diego Klattenhoff) a exigirem saber o que aconteceu a Walker. Eles bem fazem as perguntas correctas, mas à pessoa errada, à única pessoa que nunca lhes poderá dar a resposta. O episódio termina com os nossos protagonistas em respiração acelerada, intranquilos e claramente metidos em lama demasiado alta para o que conseguem aguentar. Curiosamente foi a mesma maneira como nós ficamos após estes 50 minutos. “Homeland” consegue, por muita acção frenética que possa ter, deixar-nos agarrados pelos períodos mais calmos e de boa escrita. Tudo parecia encaminhado para um desfecho tranquilo e sem um novo objectivo a curto prazo, até que a gravação de Brody aparece sobre o olhar atento de Saul…

Esta alteração de status quo é uma grande marca registada da série. Com certeza lembram-se do “The Weekend” há um ano (para muitos o melhor episódio da primeira season) em que todas as teorias que tínhamos caíram por terra, para que novas florescessem. Pois bem, aconteceu novamente, esta gente não joga definitivamente pelo seguro. O facto de Saul saber de um envolvimento real de Brody, além de dar um verdadeiro sentido ao desabafado de Carrie no telhado, em que dizia que por ter falhado na culpabilidade Brody já não confiava no seu discernimento, muda tudo a nível de história. Cria também um facilitismo que vai ser difícil de explicar e gerir. Saul mostra a gravação aos altos comando, Brody é preso, Fim. Terá de acontecer algo no meio para que a água continue a correr debaixo da ponte (talvez com Brody a fazer de agente duplo…se a pressão já é muita agora!). Seja como for, pela primeira vez não será apenas Carrie contra Brody, já que um novo aliado surgiu sobre a forma de Saul e a guerra será com certeza bem diferente.

Pessoalmente sinto-me desgastado e meio parvo. Desgastado porque sinto que me deram um enxerto de porrada no cérebro com dois tipos de stresses (físico e psicológico) e parvo por ter duvidado, nem que seja por instantes, que a série estaria a abrandar. Não vou entrar pela arrogância de que este foi o melhor episódio da série até agora, mas foi definitivamente um dos melhores. Até ao terceiro “Homeland”, devia ser obrigatório um atestado médico para assistir ao que tu nos dás todas as semanas!

Notas:

  • Quando se escreve reviews há sempre aspectos que passam. Na semana passada o pai de Carrie comentou algo sobre os níveis de lítio de Carrie estarem baixos – ignoramos – esta semana faz parte do recap – alto, que isto é importante! Considerando que o lítio serve para tratar transtornos bipolares, estaria o pai a fazer apenas uma observação/mostrar preocupação pelo estado da filha, ou há algo mais a interpretar aqui?
  • Só para dizer algo de mal, para não parecer que me pagam para dizer bem: Saul a falar com Estes em voz alta é um bocado anti-secreto. E a CIA usa Skype para chamadas ultra-secretas?!

O Melhor: O ritmo frenético. A coragem constante em alterar o status quo. É cedo para Claire Dannes enviar a candidatura aos prémios do próximo ano?

O Pior: Estas constantes mudanças na história podem deixar-nos apreensivos em acreditar em seja no que for. Se soubermos que vamos acabar por ser “enganados”, mais vale nem acreditar logo ao início.

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