Homeland: 2×03 – State of Independence

[SPOILERS] Há dias em que mais vale não sair de casa, não é Brody?

Aparentemente tudo voltou à normalidade neste mundo. Carrie (Claire Danes), ainda sobre o efeito da adrenalina da missão, volta para casa sobre o olhar atento do pai, enquanto Brody tenta retomar a vida amorosa com a mulher. Mas há o factor Saul (Mandy Patinkin) a caminho que promete destabilizar as águas.

Enquanto o cartão de memória mais importante dos últimos tempos não chega a território americano, Brody tem de limpar a casa. Num conjunto de situações altamente convenientes (o furar pneu + não ter como o arranjar), percebeu-se desde logo que a  presença na cerimónia da mulher Jessica (Morena Baccarin) ia estar comprometida. O pobre desgraçado não podia ter imaginado o dia que ia ter quando se levantou de manhã, a complicação que seria em fazer um favor a um “amigo”. Bassel revelou-se uma verdadeira carga de trabalhos, não só criou uma bomba com tiques, como agora ainda complicou mais a vida ao nosso herói/vilão. O destaque vai todo para Damian Lewis que mais uma vez esteve excelente. A maneira como estes momentos são filmados, de forma crua, somado ao talento dos actores dá origem a momentos fantásticos de televisão.

No final acontece o que se esperava, Brody não está presente para o discurso, desiludindo a mulher, e foi ainda forçado a matar o homem que teria de proteger. É difícil adivinhar pior cenário para o congressista.

Carrie, essa, está sempre num limiar que não lhe faz bem, constantemente no limbo entre a sanidade e a perda da mesma. Já tínhamos percebido que o envolvimento com a agência não terminaria ali, pelo menos não na mente dela. Estes (David Harewood) tinha razão, ela esperava que o excelente trabalho em Beirut fosse o mote para o regresso à agência e, quando tal não acontece, há como uma luz nos seus olhos que apaga. Danes começa a ficar especialista naquela cara “pré-choro” em que o queixo treme um bocadinho porque todas as esperanças de um final feliz estavam a esfumar-se. Apesar do seu desejo a pergunta coloca-se: será que o melhor para ela é regressar?

Brody e Carrie, duas faces da mesma moeda. Duas personalidades destruídas pela bipolaridade e anos de cativeiro, dois seres que tentam fazer o melhor possível mas que são sempre arrastados para o fundo pelo mundo que os rodeia. Neste episódio vimos ambos a bater nesse fundo: Carrie, sem qualquer ideia de futuro, impossibilitada de fazer o que ama, tenta suicidar-se para imediatamente se arrepender (Claire Danes foi invejosa, não deixou Damian Lewis brilhar sozinho neste episódio), e Brody, debaixo de chuva forte, a enterrar um terrorista no meio da floresta. A grande diferença entre os dois, e que confirma que esta temporada será muito difícil para o sargento, é que este chega a casa e vê o seu status a complicar-se mais ainda, com um Jessica (Morena Baccarin) cada vez mais forte mental e, porque não, politicamente a exigir respeito e honestidade. Meanwhile, Carrie recebe uma verdadeira bolsa de oxigénio com a chegada do seu “mestre”. No episódio anterior confessava que desde que se enganou acerca de Brody que não conseguia confiar no seu instinto, factor determinante para a queda psicológica abismal que sofreu. Pois bem, confiança reposta. A sua reacção, as lágrimas, a expressão facial, foi como um peso gigantesco que lhe saiu dos ombros e que nos emocionou também a nós. De certeza que tudo agora vai ser diferente para ela, veremos o que vai mudar no ponto de vista da CIA/Brody.

Notas finais:

  • Juraria que Brody deixou cair o telemóvel quando Bassel o atingiu na cabeça.
  • “George Bush Center for Intelligence”…LOL!
  • O facto de Mike (Diego Klattenhoff) ter descoberto que Brody “dormiu” com Carrie ainda vai dar panos para mangas. Vem dar mais motivos de desconfiança no seio dos irmãos de armas, que há muito pensam que o caso “Walker” está mal explicado.
  • Como sempre, não se esqueçam de passar na página de facebook do “Homeland (Portugal)” para todas as novidades sobre a série, incluindo a promo do próximo episódio.

O Melhor: A sorte que temos em ver estes dois actores a trabalhar. A maneira como conseguiram mostrar o fundo do poço emocional das duas personagens centrais. Sentirmos a carga dramática deste final, juntamente com Carrie. Morena Baccarin responde muito bem sempre que a série assim o exige.

O Pior: O atraso desta review.

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