Homeland: 2×05 – Q&A

[SPOILERS] Há coisas que qualquer fã de “Homeland” tem de se mentalizar. Uma delas é ter que fazer a pergunta ”e agora?” em todos os episódios.

E assim temos novamente Brody de volta à sala de interrogatório. A pergunta que surge logo no início do episódio é: qual dos dois protagonistas está em piores lençóis. É verdade que um é terrorista que tinha planos para matar o Vice-Presidente e está aliado a um grande nome do terrorismo, mas a outra fez asneira da grossa também. É óbvio que todos queríamos que fosse Carrie (Claire Dannes) naquele interrogatório, queríamos ver o embate de titãs, mas não faria sentido, pelo menos para já. Considerando a asneira que fez, é mesmo uma sorte que a deixem entrar no edifício sequer. Para além disso, Quinn fez excelente trabalho em afundar o sargento nas suas próprias mentiras e a abrir terreno para o golpe final de Carrie. Foi quase penoso vê-lo a escavar o próprio buraco inicialmente.

A ausência de Brody faz-se notar. Embora a agência possa mantê-lo prisioneiro o tempo que entender, ao abrigo de leis aprovadas após o 11 de Setembro em que qualquer pessoa acusada de terrorismo perde praticamente todos os direitos, fazê-lo com um congressista e sem levantar suspeitas torna-se uma tarefa difícil. Jessica suspeita de algo (às vezes até me esqueço do quanto bonita é Morena Baccarin) enquanto que Dana, embora entretida com o novo namorado (nem a vimos a acabar com o antigo!) e o filho mais novo, Chris (Jackson Pace), bem mais ausente da história nos últimos episódios, receiam que o pai esteja a afastar-se demasiado da família. O trio de interrogadores parece ter cometido um erro em deixar Brody sozinho após o visionamento do vídeo. Deu tempo para que o prisioneiro pensasse bem no que iria dizer, como retaliar. Brody esteve excelente ao mostrar que no fundo, não têm provas contra ele, de algo realmente grave pelo menos. Que bem faz Damian Lewis de prisioneiro, já o tinha feito na primeira temporada e agora continua a superar-se.

A táctica de “Polícia Bom/Polícia Mau” já foi usada milhares de vezes em séries, mas nunca assim, nunca como “Homeland” o faz. Qualquer outra série teria tornado aqueles 15 minutos em algo menos de fantástico, intenso, emotivo, qualquer outra série tornaria aqueles “longos” minutos em algo secante de se ver, mas não “Homeland”. A maneira como aqueles dois actores dançaram o tango sem se levantarem da cadeira foi lindo ver. O modo como Carrie, sem nunca sabermos se estaria também a ser 100% sincera, molda a mente de Brody e o convence a dizer a verdade é de uma mestria impressionante. Até mesmo os momentos de pausa antes das respostas foram de cortar à faca. Os dois interrogatórios da primeira temporada tinham sido excelentes, este superou-os. No final Brody, desgastado pela “tortura”, pela mão lesada, pela pressão psicológica, pela vida virada do avesso, refugia-se na posição de segurança, aquela que adoptou durante os anos de cativeiro e que manteve nos dias iniciais do seu regresso.

Dizia eu no episódio passado que um dos fios condutores a escolher poderia ser a conversão de Brody num agente duplo (ou será “apenas agente”, visto que voltou para o lado dos EUA?!), aqui surge a oportunidade. Um acordo bem melhor que algum dia podia esperar. E assim, mais uma vez se limpa o “o quadro” para o próximo episódio, enganem-se aqueles que pensam que a vida do nosso sargento ficou mais simples depois da confissão…No final não tivemos um momento “ah?!”, aliás, todo o episódio foi mais “lento” que os antecessores, e só por isso leva menos um pouco de pontuação, mas isso não significa menor qualidade. Foi mais do que um episódio de perguntas e respostas, foi um episódio de emoções fortes.

Notas finais:

  • Embora o interrogatório de Brody tenha sido excelente, houveram pormenores que me causaram alguma comichão: como é que a CIA sabia pormenores da relação de Brody com Issa? Como sabia que Brody era muçulmano?
  • Jessica manda Brody para fora de casa por ele mentir – Deixa-o voltar depois de estar ausente algum tempo e mentir novamente sobre o que aconteceu. Consistência precisa-se!
  • Continuo sem perceber para onde caminha este arco de Dana (Morgan Saylor), que agora ainda se tornou mais complexo. Quem adivinhou que ia acontecer asneira ainda antes de arrancarem no semáforo vermelho, meta a mão no ar!
  • Começa a ser tradição Carrie mandar um copo de vinho abaixo de golada.
  • Como sempre, Homeland (Portugal) é o próximo destino depois de lerem esta review. Caso contrário, vão para a mesma sala onde esteve Brody…não me queiram ver zangado!

O Melhor: O interrogatório…a dança daqueles dois no interrogatório.

O Pior: Alguns pequenos detalhes. A série nos ter habituado a finais bombásticos e este não ter sido.

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