Homeland: 2×08 – Fly Away

[SPOILERS] Depois do episódio mais “fraco” da temporada, em que houve algumas situações um pouco parvas, estava a precisar de um episódio “daqueles”. Imaginem a minha desilusão quando levei mais do mesmo.

A única razão que me ocorre para Brody querer ir com a filha à policia, e assim estragar a Vice-Presidência, a relação com Abu Nazir e a associação com a CIA é que talvez tenha visto ali uma hipótese de livrar de se livrar de toda essa pressão. Ele próprio esboçou essa intenção na “cabana nº 2”, mas mesmo assim não me convence. O episódio não começa bem. Dana, a única rapariga no mundo que não gosta de sapatos, a recorrer a Mike (depois do raspanete de Carrie para se afastar lá volta ele à trama) em busca de apoio e Jess a dar uma de moralista. “Claro, liga à CIA e diz-lhes que hoje não dá muito jeito! Que passas lá depois do jantar para beber um copo e falam melhor!”. Ficou ainda provado que esta mulher não consegue manter um segredo com Mike (Diego Klattenhoff), em menos de 24h sai-lhe tudo da língua.

Talvez seja de mim, talvez seja eu que estou a exagerar na abordagem a tudo isto, mas parece que anda toda a gente com o período nos dois últimos episódios! Até o “meltdown” de Brody me irritou um pouco. Não por ele, mas porque toda a gente à sua volta parece estar a enlouquecer e a enlouquecer-me no processo. Ninguém está em controlo das suas emoções neste momento, todas as personagens estão a atravessar um momentos de instabilidade, o que até se consegue perceber considerando a situação. O único problema é que são todos ao mesmo tempo, são todos a ter atitudes parvas, são todos a piorar a situação uns dos outros. Eu sei que “Homeland” sempre brincou com esta corda-bamba das personagens, o grande parte do apelo das personagens está nisso mesmo, mas por algum motivo desta vez não me está a cair tão bem.

Dana rapidamente recaiu no buraco da irritação; Jessica (Morena Baccarin) esboçou alguma força no início da temporada mas agora é só atitudes de moralista e um pouco parvinhas, com Mike sempre à espreita; Estes aparece só para irritar e cair em cima de Carrie e Saul é uma lâmpada apagada. Carrie ainda não mostrou a força que a caracterizava e nesta season tem andado de um lado para o outro, entre a depressão e a girlcrush por Brody. Já não há aquele jogo de culpado-inocente que gostávamos tanto, aliás, o único mistério nestes momento é mesmo o plano terrorista.

Brody: “I was thinking…I’ve finally done it. Burned every bridge. With Abu Nazir, with the CIA, with my family. I’m more alone now than I was at the bottom of that hole in Iraq.”

Como eu percebo Brody e a sua aflição. Percebe-se perfeitamente o que sente e o quanto é difícil. Mas a série podia jogar melhor com isto. Podiam jogar com o verdadeiro “lado” dele, como fizeram na primeira temporada, em que num episódio parecia que estava com Abu Nazir e no seguinte com a CIA. Mas em vez disso, tem sido um trapo que é arremessado de um lado para o outro, um saco de pancada em que toda a gente bate e ela deixa. Brody nunca foi aquela personagem com uma mentalidade forte, mas na primeira temporada pelo menos ripostava. Diria mais, que o romance, ou lá o que é isto, com Carrie (Claire Danes) tem prejudicado a série. Gostava mais quando estes dois andavam às turras! No fundo este foi o “The Weekend – Parte 2”.

Quer se goste muito dele ou não, Mike ainda é o único normalzinho no meio disto tudo. O apoio a Dana mais tarde irá dar frutos, em que a filha vai apoiar a mãe no reatar deste relacionamento interrompido com a chegada de Brody. Para já, o sumo da história é que a vontade em confessar à policia esbarrou no dinheirinho que a filha da vitima está a receber, ou dos pais de Finn ou de Estes. Isto deverá acabar, espero eu, com este arco que só serviu para chatear. Novamente, eu entendo a dor da personagem e penso que faz sentido, mas agora que esta história está perto da conclusão pergunto-me “para que foi isto?”. Para aproximar Mike e Jessica? Brody está a conseguir fazê-lo sozinho. Veremos como isto é abordado no próximo episódio e perceber se acabou ou não.

Ora, tinha de vir aquele momento em que Carrie faz o que lhe apetece, independentemente do que lhe mandam fazer. A primeira vez foi giro, a segunda curioso, a terceira aceitável, agora é simplesmente irritante! Até para mim, que não trabalho com ela é de enlouquecer. Porque continuam a deixá-la ir naquela carrinha?! No final quiseram surpreender com a cara de Abu Nazir mas percebeu-se logo, mal Brody é levado no helicóptero, que se iria encontrar com ele. A presença do terrorista-mor confirma, se é que havia dúvidas ainda, que algo de grande está para acontecer, e é iminente. Parece ainda que teremos Brody em mais um interrogatório (com este faz quatro ou cinco?!).

Talvez tenha parecido um pouco duro na review, mas não era essa a intenção. Apenas considero que a série distanciou-se um pouco do que costumava ser, principalmente nestes dois últimos episódios. Não se brinca tanto com a ambiguidade das personagens e com as suas verdadeiras intenções. O facto de andarem sempre no seu limite, faz também com andem no limite entre o fantástico e o irritante. E assim, como quem não quer a coisa, vamos entrar no último terço da season.

Notas finais:

  • O hilariante e constrangedor momento em que Saul e a equipa estão a ouvir a “sinfonia” no hotel. A cara de desespero de um “pai” a ouvir a “filha” a dar umas cambalhotas…coitado!
  • Carrie não chorou neste episódio – WIN!
  • Brody a gritar “I can’t! I can’t! I can’t!” foi extremamente forçado! Mas fora isso, Damian Lewis esteve excelente como sempre.
  • Carrie negar, nesta altura do campeonato, que sente algo mais por Brody é absolutamente ridículo. Aliás, está cada vez mais difícil torcer por ela.
  • Apesar de todas as criticas que faço a Dana, tenho de salientar o bom trabalho que Morgan Saylor tem feito na série, ao conseguir conquistar o seu espaço neste leque luxuoso de actores. A conversa com Jessica no final é um dos pontos altos do episódio. Só tem de mudar um pouco a expressão facial…
  • Aquele “Nicholas” no final foi delicioso.
  • Eu não consegui ver as cenas do próximo episódio, mas os mais corajosos podem sempre visitar o pessoal do “Homeland (Portugal)” para espreitar a promo do nono episódio.
  • Chamo a atenção para os nomes dos dois últimos episódios da temporada: “The Motherfucker with the Turban” e a season finale “The Choice”…promete!

O Melhor: Roya e o input de inteligência e acção que deu ao episódio.

O Pior: Personagens demasiado inconstantes. Alguns factores irritantes.

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