Homeland: 2×09 – Two Hats

[SPOILERS] Na review passada disse que uma das “falhas” da série nesta temporada era a falta de ambiguidade das personagens que havia na primeira season. Aqui está ela!

Abu Nazir: “My choice was simple…run, hide and wait for death like a cowering animal, like Bin Laden, or die taking the fight to the enemy.”

Brody (Damian Lewis) torna a colocar novamente os dois “chapéus” e obriga-nos a questionar qual dos dois é que gosta mais, a qual se mantém fiel. A despedida de Nazir no início deixa-nos a pensar que mudou de aliança novamente (se é que alguma vez tinha mudado para o lado americano) e durante o questionário com a CIA percebemos que há pormenores que ficaram de fora. Toda a cena, em que saltamos entre locais de interrogatório, está brilhantemente bem feita. Fica no ar a nuvem da dúvida, sobre qual dos dois Brodys é o verdadeiro. A minha opinião é que algo mudou naquelas 12h. Brody, pela primeira vez nesta temporada, mostrou-se calmo e manipulativo com Carrie (Claire Danes), puxando ao sentimento que ela nutre para que confie nele. Até na cena em que o vemos a comer cereais como se nada fosse, em que o homem que está constantemente sobressaltado desaparece, em plena véspera de um possível atentado. Por outro lado, pode ser plano de Nazir (Navid Negahban) para ver se Brody está ou não comprometido.

Entretanto o desejo do sargento cumpre-se e a família é levada para um porto seguro. A mulher, cada vez mais irritantezinha, a miúda, que voltou à expressão facial com sobranceiras à Jack Nicholson e o puto, que só existe para alimentar o “Dexter” que há em mim! O mundo pode estar a ruir, mas o rapaz está sempre com comentários supérfluos e joviais, não tem história nenhuma e é demasiado criança para a idade que aparenta ter. Porque não lhe dão uma missão, alguma coisa! Anda ali para fazer número?! Outra coisa que me faz muita comichão é este constante ataque a Brody por Dana e Jessica no que à colaboração com a CIA diz respeito. Elas não sabem da história toda, apenas que se ausenta para ajudar a agência, porque ficam tão zangadas com isso? O homem é congressista, vai ser vice-presidente e colabora com uma agência de espionagem… não fosse as mentiras de vez em quando, seria o tipo mais cool de sempre! É verdade que esta família sempre quis um pai presente, daí o fascínio por Mike (Diego Klattenhoff) e a estabilidade que representa, mas não justifica tanta agressividade. Entretanto, a re-aproximação do bom-samaritano deu os seus frutos, tanto com Dana como com Jessica, que não resistiu a um saltinho a meio da noite.

Quinn (Rupert Friend) também veste dois chapéus. A personagem sempre foi um mistério, um mistério que permaneceu debaixo da pele e que foi passando para segundo plano. Cheira mal na sala, mas não se sabe bem de onde vem. Pareceu imediatamente estranho que um simples analista tomasse conta de uma operação assim. Os achados de Virgil (David Marciano) e Max (Maury Sterling), a polícia evasiva e o encontro dele com um mestre de espionagem colocaram de vez uma bandeira vermelha na testa de Quinn. Sabemos agora que está pronto a eliminar Brody assim que a ordem chegar (entende-se agora a animosidade que sempre teve pelo congressista) mas não chega. Quem é Dar Adal e porquê o seu envolvimento aqui? Porque querem eliminar Brody? Não parece que seja só para “limpar a casa”.

Fosse este o penúltimo episódio e diria que seguia o mesmo caminho da primeira temporada, com um ataque eminente. A ausência de Nazir no local faz-me ter a certeza que isto faz tudo parte do plano por ele traçado, veremos agora como tudo se desenrola. Pessoalmente alegra-me que as coisas acelerem, que questões sejam colocadas, que lealdades sejam postas em causa, que algumas personagens usem esses chapéus metafóricos que nos mantém expectantes. É isto que queremos!

Notas finais:

  • Agente: “Não comentem nada sobre o trabalho com a CIA”; Jessica: ”Brody, há alguma coisa que possas dizer sobre o que se está a passar?”…não há paciência para esta mulher às vezes!
  • Houve momentos deste episódio em que a câmara tremeu demasiado.
  • Que saudades de ver Claire Danes a chorar…Tenho pena que a personagem não seja a mesma da primeira temporada. Não consigo afastar essa ideia da cabeça, não é a mesma “coisa”!
  • Já gostei muito mais deste Saul activo.
  • Como sempre, o pessoal do “Homeland (Portugal)” está em cima dos acontecimentos e podem visitar a página para espreitar a promo do 2×10.

O Melhor: Os vários “chapéus” que as personagens usam. A nova face de Quinn. A cena de duplo-interrogatório de Brody.

O Pior: Jessica. Não consigo afastar da ideia que esta Carrie não é a mesma da primeira temporada.

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