Homeland: 2×10 – Broken Hearts

[SPOILERS] Brody mudou, algo mudou mesmo desde o encontro com Nazir. Até no relacionamento com Jessica se sente a  indiferença, a falta de necessidade em manter tudo bem. A maneira como aceita, tão pacificamente, que o seu futuro político acabou demonstra ainda que as suas prioridades mudaram… mas com que objectivo?

Talvez esteja a exagerar nessa mudança que observo, mas prefiro pensar que tudo isto tem um objectivo. Que não andaram a construir uma carreira politica para agora acabar assim, que não andaram a remoer na reconciliação com Jessica para agora acabar assim. Acho mais reconfortante a ideia de que tudo isto teve um propósito porque não me cheira que seja apenas amor por Carrie (Claire Danes)?

Saul (Mandy Patinkin) pode andar mais ausente do que na primeira temporada, mas ninguém passa a perna a este senhor. Com relativa rapidez apercebe-se do “plano de contingência” de Estes (David Harewood), em manter Quinn a respirar ao pescoço de Brody, esperando apenas que a língua do congressista esboce as palavras erradas para lhe parar a circulação sanguínea de vez. Este encontro casual com Adal (F. Murray Abraham) foi outro grande momento do episódio.

Independentemente de tudo o resto, há algo que não passa ao indiferente ao nossos olhos: Carrie, ao fim de todo este tempo, fica frente-a-frente com o seu maior inimigo. Não só é palpável o pânico e sofrimento sentido por ela, amarrada numa fábrica algures e sabendo que o seu fim pode chegar a qualquer momento, como o confronto entre estes dois pólos, os mais distantes de todo o leque de personagens, é algo “bonito de se ver”. Óbvio que desde início sabemos que Carrie sobrevive àquele encontro, mas também de início se percebe que aquele cenário-tipo da tortura, da mordaça, do típico discurso prisioneiro-raptor é mostrado de maneira diferente. É tudo mais real, mas intenso e inteligente do que veríamos em outra série que abordou o mesmo capítulo. E tantas já o fizeram.

Agora, vamos ignorar o facto da CIA não vigiar mais o telemóvel de Brody, vamos ignorar que ninguém o seguiu nem questionou a sua ida à casa do Vice-Presidente, vamos ignorar que ninguém questionou a sua ausência no edifício, que o VP não achou estranho ele estar no seu gabinete sem autorização e que o número que pode ditar o fim do segundo homem mais poderoso do país não está escrito numa etiqueta. Vamos ignorar tudo isto, juntamente com o facto de Carrie desafiar constantemente as leias da irritabilidade e, porque não, da estupidez, e desafiando mais uma vez ordens directas, avança pela fábrica adentro, esperando que uma das mais inteligentes mentes do terrorismo se tenha mantido lá depois de a ter libertado (o cliffhanger acaba por não ser cliffhanger nenhum). Vamos ignorar que “Homeland” consegue criar estes furos na lógica e  criar barreiras de credibilidade. Vamos ignorar que a primeira temporada não nos invadiu com um enorme sentimento de realização pessoal de que estaríamos a ver uma série diferente, uma série que se propôs a retratar as coisas de maneira fidedigna, mais realista possível e com a enorme nuance de manter tudo na bipolaridade de pensamento, tal como a mente de Carrie. “Homeland” não é Rambo em calmantes, é muito mais do que isso (ou é melhor dizer, era?!). O sangue de “24” corre nas veias destes criadores que teimam em injectar perseguições e sangue na cara dos personagens com um intuito de criar tensão. A primeira temporada foi muito mais rica e ninguém sangrou! Não quero ser o típico alarmista que desiste da “série do momento” porque já viu isto a acontecer dezenas de vezes ao longo do seu historial seriólico. Quero ignorar todos os meus instintos e pensar que é só uma fase. Uma fase que se prolonga há um tempo considerável, numa série que só tem exibidos o número de episódios equivalente a UMA temporada da network TV. Vou aguardar pelo episódio desta semana para tentar encontrar um sentido para tudo isto acontecer. Para já é notório que a série perdeu, sem sombra de dúvidas, subtileza.

Uma parte de mim quer acreditar que aqueles telefonemas ente Nazir (Navid Negahban) e Brody foram algo mais do que aparentam. Uma encenação para Carrie acreditar que o seu cavaleiro estava mesmo do lado correcto. Quero acreditar que Brody estava a representar como a sua vida dependesse disso, que o rapto surgiu na altura em que Nazir sabia que Walden não ia estar no gabinete e que Brody podia infiltrar-se, como ambos tinham planeado. Quero acreditar que as cenas de interrogatório entre Nazir e Brody no episódio anterior foram para isso mesmo e o “rapto” por helicóptero não foi em vão. Mas esta teoria esbarra no facto de termos visto Brody a temer verdadeiramente pela vida de Carrie e, mesmo que Carrie e o pessoal da CIA acreditem que Brody não está do lado dos terroristas, sabem que ele forneceu o número de série e é responsável pela morte do VP. Que ganharia ele com isso?! PS- Considerando toda esta “desilusão” é sempre de salientar que mesmo que tudo corra mal com a série, continuará a ser acima da média. Só não será a “Homeland” pelo qual o mundo se apaixonou.

Notas sobre o episódio:

  • Mais uma vez, as narinas de Damian Lewis funcionaram a todo o vapor… literalmente!
  • O camião bate no carro de Carrie do lado de passageiro. Quando Saul chega ao local o lado de passageiro está encostado a um poste (além da amassadela na frente do lado do condutor). Gostava que algum perito me explicasse como é que isso é possível!
  • A relação Dana / Finn continua a ser explorada. Se antes suspeitava, e depois temia, agora sei que é um arco que não interessa ao menino Jesus. Vai explorar a ligação destes dois depois da morte do pai de Finn, é isso?!
  • Parece que o homem dos mil ofícios não morreu mesmo! Aliás, tal como é seu costume apareceu em cena como se fosse o Batman… só para depois desaparecer novamente, nas sombras. Cavaleiros das Trevas, é isso, Galvez é o Cavaleiros das Trevas de “Homeland”.
  • Brody faz o nó da gravata no carro…Quando abrem a porta ele tem o botão da camisa desapertado, ao sair está apertado e a gravata no sitinho!
  • Brody demora um bocado a encontrar uma caixa, mas encontra uma lupa em 3 segundos…quem é que ainda usa lupas?!
  • Meio esquecido em tudo isto ficou Saul e a maneira como acaba o episódio. Mas que raio é que Estes está a planear?! Aquele “Fuck You Saul” foi bem sentido!
  • Para quem não sabe, existem extras no dvd/blu-ray da primeira temporada. Poderão ver algumas deleted scenes, e um “documentário” onde se explora os vários lados da série: actores, história, argumentistas, etc. Explicam lá algo em que não tinha pensado ainda: a música. A série tem muito jazz (antes de Carrie ser “atropelada” neste episódio, temos mais deste estilo de música) e foi assim com intuito. Pretende representar o caótico mundo de Carrie, a sua bipolaridade, ao mesmo tempo que simboliza a “beleza” do seu fio de pensamento (que vimos no final da primeira temporada e que temos observado cada vez menos nesta).
  • Na altura em que sai esta review, já saiu o episódio seguinte, mas se quiserem já ver a promo do episódio 12…be my guest e visitem o “Homeland (Portugal)“.

O Melhor: Carrie prisioneira e a conversa com Nazir. As narinas de Brody.

O Pior: A “queda” de Homeland?!

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