Homeland: 2×11 – In Memoriam

[SPOILERS] Muitos concordam que “Homeland” anda a falhar e a perder a caracterização, outros acham que nunca esteve melhor e outros dizem que andamos demasiado exigentes com o que vemos. Talvez concorde com a última opinião, mas a culpa é da série, que nos habituou mal!

Caça – O Início

Vultos num corredor escuro, rapariga ensanguentada a correr com um ferro na mão e a tropeçar sozinha. Por momentos pensei que estivesse a ver…qualquer filme de terror alguma vez feito! Como é óbvio, Nazir fugiu no segundo em que libertou Carrie (Claire Danes), que outro cenário faria sentido? Surgia então a dúvida sobre a pessoa no corredor. A primeira coisa que me veio à cabeça foi bipolaridade a dar de si (Carrie ficou algum tempo sem poder tomar os medicamentos). Agravado pelo avistamento/alucinação, imediatamente surge o comportamento de paranóia, o questionar de tudo e todos e o culpabilizar do maior coitado do grupo. De reparar como Quinn “guia” Carrie durante a loucura, primeiro negando tudo e assim que ela aponta para Galvez, começa a alimentar a “conspiração”. De certeza que há algo mais com este tipo. Se por um lado parece ter atitudes mais suspeitas, parece resistir às ordens mais letais de Estes.

A série gosta de repetir situações. Brody (Damian Lewis) já foi interrogado umas 300 vezes e agora foi a vez de Saul (Mandy Patinkin) revisitar o seu amigo polígrafo (num cena com o fantástico Chance Kelly de “Generation Kill”) . Sempre que o calmo, sereno, calculista e racional Saul fica debaixo da agulha da mentira, o seu comportamento muda completamente, mais uma vez orientando o nosso olhar de suspeita na sua direcção (já desde a season 1 que não o faziam). A verdade é que Estes (David Harewood), seja porque motivo for, tramou e bem o nosso bom samaritano. Quer por pura insubordinação, quer por não querer que ele se intrometa em algo que Estes esteja a planear, as coisas não estão sorridentes.

Teria de chegar uma altura em que o feitiozinho de mer…complicado de Dana daria jeito. Gritando aquilo que ninguém parece ter coragem de dizer, quebrou o gelo no seio da família e foi a real choradeira sobre “leite derramado”. As cartas estão todas gastas, não há muito mais porque lutar, nem parece haver forças. Todos têm de seguir em frente e a conversa não podia ser mais civilizada entre o casal na altura de acabar. A conversa só fica manchada pela estupidez de Jessica (Morena Baccarin) não querer saber o que Brody estupidamente ia contar.

Caça – O Final

Tal como um talibã nas montanhas, também Nazir (Navid Negahban) criou a sua própria caverna, mais industrial. Carrie não conseguiu arrancar nada de Roya (bom momento entre as duas), mas percebeu que a única maneira de fugir a um cerco é não sair do ponto de origem. Toda esta cena de perseguição dos últimos momentos de vida de Nazir está cheio de pequenas coisas que… (a equipa de intervenção supostamente anda sempre aos pares mas o que morreu não tinha par – e não digam que Carrie era o seu –, Carrie passa o episódio a perseguir Nazir mas quando este aparece, ela foge, arriscando a perder-lhe o rasto), mas não é nada que estrague o momento. O ultimo suspiro surge de uma maneira algo anti-climática. Ali jaz o mauzão de duas temporadas, não no meio de um ataque suicida, não pelas mãos de um personagem principal, simplesmente morre sem algum significado especial…e agora?!

Pois, é a pergunta que surge na vossa mente e na minha: o que nos reserva o futuro da série? Para a semana temos season finale e a ela está incumbida a responsabilidade de criar uma storyline que nos prenda durante os meses de hiatus e lance uma nova temporada. Valerá a pena? Quero acreditar que sim. Para já temos uma folha completamente branca, tudo pode acontecer, para o bem ou para o mal. Temos ainda um casal que continua a não me convencer, não só porque não queria que isto se “reduzisse” a um romance, como não me acredito que Brody goste mesmo de Carrie.

NOTAS:

  • Não sei se hei-de achar o título do episódio “engraçado” ou descaratizadamente xenófobo. Não vemos grandes manifestações contra os muçulmanos em geral, não percebo qual a intenção. No mesmo apontamento: Carrie suspeita de Galvez e uma das razões que dá é ele ser muçulmano. Achei completamente deslocado da personagem.
  • A cena da lavagem da cara de Carrie deu um bom momento para a actriz e para a maquilhadora, já que a ferida aguentou-se bem com água. O sangue e o pisado é que desaparecem quase na totalidade, mas quando Carrie volta para o interrogatório já está toda pisada outra vez.
  • Já é protocolo retirarem tudo de perigoso aos criminosos para que não se magoem ou cometam suicídio. Mas pelos vistos não serviu de lição Aileen, já que deixaram Roya manter os seus sapatos de tacão…
  • Foi preciso Dana (Morgan Saylor) estar de pijama para não a vermos com as suas botas.
  • Portanto, deixaram uma agente que em menos de 24h teve um acidente de carro e foi raptada…ir para casa a conduzir e sem protecção!
  • O choro de Brody quando toma conhecimento da morte de Nazir está muito bem feito. Deixa-nos a pensar se foi um choro de alivio ou tristeza. Contente por não estar mais sobre pressão ou pesar pela perda do amigo.
  • Não conseguem aguentar até para a semana? Então espreitem as imagens do finale no “Homeland (Portugal)“.

O Melhor: A possibilidade de criar algo de completamente novo a partir de agora.

O Pior: A possibilidade de criar algo de completamente novo a partir de agora.

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