Homeland: 2×12 – The Choice

[SPOILERS] Oh minha grande besta, isto são horas de sair a review ao episódio?! (Sim, é a primeira vez na história que se começa uma análise assim). É verdade, eu só vi este finale 13 dias depois do devido. Devia ser torturado pelo Abu Nazir.

Brody: “My only real plan for now is to be a good person again.”
Carrie: “You are a good person.”

Amor e uma cabana…quando se está apaixonado mais nada é preciso. Como dois pombos apaixonados, Carrie e Brody fazem o ninho no mesmo sítio em que foram honestos um com o outro, onde tiveram a primeira discussão, onde tivemos o melhor episódio da série até agora. O que mudou entretanto? Aparentemente tudo.

Sempre duvidei do que Brody sentia por Carrie (Claire Danes), o sentimento nunca me convenceu e parecia um engodo, um plano a longo prazo. Agora digo que é difícil que seja outra coisa qualquer que não amor/paixão/seja o que for. Há sentimentos reais ali, há uma vontade de tentar. Há medos e problemas a ultrapassar, mas há algum desejo e esperança, será suficiente? A grande ironia de tudo isto é que Brody (Damian Lewis) é que estava “dentro” e Carrie em dúvida. Ela não sabe se quer deixar o emprego por Brody, emprego esse que andou a boicotar para estar com Brody… faz sentido!

Quinn, mais uma ironia da temporada. Aquele que veio para controlar Carrie, que veio para limpar a casa e o sebo a Brody é aquele que acaba por salvar três vidas no final… Faltou o momento em que Quinn assiste à confissão de Brody quando esta passa na televisão, em que Quinn se mostrava arrependido por não ter cumprido as ordens. Foi pena, teria sido um pormenor engraçado que relançava a sua participação na terceira temporada. Já Estes (David Harewood) não deixará grandes saudades. É verdade que foi um personagem com relevância, cumpriu o seu papel de “mau”, mas nem conseguiu atingir o estatuto de “ódio de estimação”. A sua ausência acaba por dar um maior input à história que a própria presença.

Pais e filhas, Brody e Dana, Saul e Carrie. A série sempre construiu com afinco a relação entre o sargento e a pequena rebelde, servindo como consciência e apoio, Dana (Morgan Saylor) era aquela que estava mais afastada do pai mas a que mais tentava aproximar-se dele. Assim, não entendo o que leva Brody a confessar que ia cometer o atentado, desculpem-me os mais convencidos, mas para mim não faz qualquer sentido. Porquê colocar esse peso na filha? Porquê arruinar a relação entre ambos agora que o casamento com Jessica (Morena Baccarin) acabou? Nem a necessidade de Brody em confessar os pecados faz sentido para mim. Também atribulada é a relação entre agente pai-agente filha. Se é verdade que Saul (Mandy Patinkin) não acreditou na pupila quando ela mais precisava, também é verdade que esta esticou a corda várias vezes, mais do que qualquer outro toleraria. Face à oportunidade de um novo cargo na agência (nas séries de espionagem já é uma tradição a protagonista ser a mais nova de sempre a chegar a um determinado cargo!), Carrie vacila e Saul faz o seu papel. Verdade seja dita, o velho de barbas é a grande estrela deste final. Pode estar mais ou menos presente, mais ou menos activo, mas a verdade é que tem quase sempre as melhores falas e diz tudo acertado. Enganem-se aqueles que acham que a grande relação é entre Carrie e Brody, é a ligação Saul-Carrie que me suscita mais curiosidade, é aquela que molda verdadeiramente a série. Alex Gansa já confirmou que Saul será o líder na ausência de Estes, veremos como evolui como personagem no novo cargo. O ponto mais alto, para mim, é a frase com que o mentor abandona a pupila rebelde, uma tirada genial e um excelente resumo da nossa chorona ao longo destas duas temporadas:

Saul: “You’re the smartest and the dumbest fucking person I’ve ever known.”

Durante 20 minutos não consegui parar o episódio, não consegui parar para escrever alguma coisa, raciocinar. É verdade que as coisas estavam a correr demasiado bem e que algo se adivinhava, mas não isto. O plano é absolutamente genial: Abu Nazir faz o derradeiro sacrifício em prol de um ataque altamente simbolico quando menos se espera que aconteça, quando todos estão juntos por escolha própria, quando a ameaça estava extinta e usando um bode expiatório com justa causa provas. Tudo no plano encaixa como um puzzle, um puzzle que deixa Brody completamente mal visto. Há motivos para desconfiar do sargento (a maneira rápida com que descreve o plano de Nazir depois de lhe rebentar uma bomba na cara, e até a conversa com Mike (Diego Klattenhoff) pode ser interpretada como: “podes ficar com a minha mulher visto que vou desta para melhor”), mas aquele “o meu carro não estava ali estacionado” quase que nos liberta em relação à culpa de Nicholas. Nem sequer foi ele que quis sair da sala do memorial, foi Carrie. Nota: todo o atentado esbarra no pormenor da segurança apertada do evento não ter achado estranho um jipe parado mesmo ao lado da cerimónia!

Quando já se previa uma temporada com Romeu e Julieta a fugirem ao mundo, Carrie faz a sua “escolha” e fica. O amor pela pátria, o dever de a proteger, é mais forte. O sentimento de obrigação em capturar o próximo Abu Nazir, ilibar o nome de Brody (quero ver esse pequeno milagre!) é mais forte que o desejo de ficar com o seu amor. Mas como já referi, é mesmo no amor que estas duas personagens esbarram na parede da qualidade. Não se trata de aversão ao romance, até porque a série tem lidado bem com isso, mostrando personalidades, duas pessoas “reais”, com falhas a tentarem construir algo. O enorme apelo que este par sempre teve foram as falhas: a bipolaridade de Carrie versus a bipolaridade de Brody. A partir do momento que são apenas duas almas apaixonadas à procura de paz e sossego, perde-se o encanto! Ou pelo menos uma grande parte dele.

No fundo do meu ser ainda me debato com esta relação, não é aquilo que desejava para a série. Mas a verdade é que considerando este episódio, tudo faz mais sentido. Tivemos que levar com a parte lamechas durante esta temporada, mas a perspectiva de ver Brody a fugir e Carrie dividida novamente entre fazer o mais correcto e o amor, vai ser agradável de acompanhar. A única falha aqui foi a introdução da dúvida, a série escolheu o amor puro em detrimento da reposição da dúvida sobre Brody novamente. Seria muito bom ver Carrie a debater-se entre acreditar nele ou não, entre perseguir o terrorista que reclamou o atentado e procurar o seu amante, cuja inocência não era clara. Era algo que eu gostaria de ver, paciência. Em retrospectiva, Brody já foi Marine, prisioneiro de guerra, terrorista, congressista, homicida e fugitivo… o que virá a seguir?!

Uma palavra para a família Brody. A morte de Finn fica meia perdida ali no meio da confusão mas faz-nos pensar: para que serviu afinal o arco do atropelamento! Ficou evidente que era necessário manter a Morgan Saylor, um talento com tiques maus ou simplesmente má dirigida, mesmo que no final a sua historia não desse frutos. O atropelamento não teve nenhum efeito a longo prazo nas duas crianças nem nos pais, zero! Com isto vem a questão: o que acontecerá a Jessica, Dana, o inútil filho e um Mike, agora com aprovação de Brody para saltar em cima da ex-mulher? É difícil imaginar vida nesta família para além deste final. Se por um lado não imagino um descartar total, até porque a série tem muito a ganhar com o talento das duas meninas, não quero mais arcos inúteis. Já agora, que estamos a falar de arcos que não deram em nada: Galvez recupera do tiroteio para morrer no atentado deste finale, para quê?; Para que serviu o arco em que Lauter duvidou de Brody e quis saber mais sobre a morte de Walker?

Em resumo, foi uma temporada inconstante para mim, debatendo-me com a mudança de rumo que a série sofreu. Considerando que a primeira temporada era difícil igualar, não estranhei a falta de qualidade, estranhei a mudança nas personagens, a falta de coerência das mesmas e acontecimentos, a mudança de tom na história. Se me perguntarem se valeu a pena, claro que sim! No seu pior momento “Homeland” continua a ser excelente e a merecer a nossa total atenção. Mas com uma grande primeira temporada, vinha uma grande responsabilidade (sim, citei o Homem-Aranha). A série sempre soube fazer grandes começos e grandes finais, este não foi excepção, mas o que falhou neste segundo acto da história foi um meio com a mesma qualidade. Deixa-nos muito curiosos quanto ao que aí vem, mas não tanto como na season passada, nem tanto como deveria (poderia acabar com uma cena que mostrasse o interrogatório, quando Nazir “rapta Brody, e mostra-o a confessar o plano a longo prazo ao seu Nicholas, por exemplo), mas profundamente desejosos que volte depressa ao ecrã, quase sentindo já falta da visão de  Carrie a chorar, ensanguentada.

Dito isto, há séries que nascem, vivem, vivem, vivem e nunca mais morrem, e nós gostamos delas assim. Há outras que estão destinadas a nascer, viver intensamente e morrer graciosamente. Séries que têm um período de vida ideal mas que alguém teima em manipular os genes e estender o sofrimento. “Homeland” é uma série que tem de acabar, mais cedo que tarde, se queremos ficar com boa ideia dela. Se a queremos lembrar daqui a 5/10 anos. Espero que haja discernimento.

Para ti “Homeland”,  “Goodbye, love”…até à terceira temporada.

O Melhor: Saul. Um episódio que soube emendar alguns erros da temporada. A explosão que dá sentido a tantas coisas.

O Pior: Podiam ter relançado o dilema “Brody”. Algumas personagens perderam o seu propósito. Apesar de tudo, o romance Carrie-Brody.

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