Homeland: 3×02 – Uh… Oh… Ah…

[SPOILERS] Antes de mais, uma salva de palmas para o melhor título de sempre para um episódio. Melhor só mesmo “…”.

O episódio começa como terminou o anterior: Carrie (Claire Danes) em modo tempestade. Aliás, a partir de agora este é mesmo o modo normal normal da personagem, quando ela estiver calma e não chorona eu dou-lhe o nome de Carriezinha. Abandonada e traída pelo único homem que a protegia, vê-se obrigada a tomar decisões precipitadas e estúpidas. Não só do ponto de vista de chamar a atenção para si, arruinando-a para um futuro mediático, mas estúpido do ponto de vista que não sei até que ponto está de acordo com a personagem. Não me interpretem mal, Carrie é capaz de idiotices incríveis, mas sempre foram de acordo com a preservação do seu trabalho, na procura da verdade, com um objectivo. Este está orientado simplesmente para a vingança. Como é óbvio as roldanas da CIA funcionam com o intuito de a abafar e Dar Adal ataca-a onde é mais fácil, a sanidade mental.

Não quero parecer aquele tipo que elogiava a Claire Danes e que agora a critica, longe disso, contesto apenas o caminho da personagem. Danes é excelente na representação de uma personagem conflituosa e caótica, mas que não precisava de ser! A série falhou em não lançar a ambiguidade de culpa sobre Brody no final da temporada passada, está a falhar ao colocar Carrie num ciclo vicioso de masoquismo e auto-punição, como se de uma doença auto-imune se tratasse. Para mim, Carrie não é só esta “maluquinha”, é uma agente inteligente, capaz de ver o que os outro não almejam. Só estamos a ver uma faceta dela, até à exaustão.

Enquanto Carrie afasta Quinn, aliena a irmã e o pai, faz de Saul o Satanás e se torna mais uma vez na sua pior inimiga durante a audiência, uma miúda tem uma história paralela a ser contada nos intervalos. Vai chegar a um ponto em que se calhar já nem falo desta parte dos episódios porque realmente não vale a pena. Dana (Morgan Saylor) é neste momento uma adolescente com ataquezinhos, num momento Romeu e Julieta, com direito a acordar no peito do seu amor, envolvida impecavelmente por lençóis que tapam o essencial. Nada aqui interessa nem faz sentido. É uma parte CW dentro da galardoada série da Showtime, que tira grande parte do prazer do episódio. Para quê? Não sei…

Porque é que isto me irrita? Porque aquela conversa na casa de banho com Jessica (Morena Baccarin) foi o melhor momento que Dana teve em muito tempo, talvez sempre. E se por um lado é preciso haver uma relação amorosa para que o caminho que nos querem mostrar faça sentido, não precisa de ser tão abundante, cometer tantos clichés e ser tão afastada da intriga principal. Quando a vemos a recordar o pai pelas fotografias, a estender o tapete de oração e a assumir a posição como que a querer ligar-se a ele, a tentar compreende-lo, mostrando que embora o odeie e renegue, o ama…é essa a Dana que queremos ver! Aquele momento “falou” mais do que qualquer argumento e revelou o que a personagem sente. Em suma, quero menos Dana da primeira parte do episódio e mais Dana da segunda parte.

Um caso de sucesso entre as preferências dos fãs, onde eu me insiro, parece ser Quinn (Rupert Friend). Ele quase passa pelos episódios como água entre as pedras, qual Observador de “Fringe”. É como um olho clínico que observa todos os cenários e diz aquilo que o público está a pensar. Pode não ter um impacto real na história (para já), visto que tanto Carrie como Saul não mudaram de atitude com base no que ele disse, mas está lá. Também uma nova personagem entra em figura, Fara (Nazanin Boniadi), uma especialista em transacções que tal como todos os novatos está mais verde que a cara do Hulk. Algo para o qual Saul não parece ter grande paciência agora. Pressionado a 360º, chega mesmo a contestar o uso do lenço na cabeça da jovem, mas a verdade é que em apenas um episódio ela prova o seu valor (investigação) e fogo na atitude (em fazer frente ao banqueiro). Veremos que influencia terá ela na história.

No final a sensação que fica é que nada de muito significativo aconteceu. Aliás, valeu principalmente pela figura que menos esperava, Dana. Episódio centrado em mulheres com esgotamentos nervosos e pouco naquilo que realmente importa, ou melhor, naquilo que quero realmente ver. Segundo episódio sem Brody: o que eu compreendi na estreia, deixo de entender agora. Se estão a tentar remove-lo aos poucos da história, tudo bem, se vão guarda-lo para o final, custa-me compreender. Se excluirmos o drama na casa Brody (onde Mike nem vê-lo), nem em Carrie vemos qualquer sinal do sargento. Vemo-la a repetir algumas vezes que ele não é culpado pelo segundo 11 de setembro, mas não a vemos a sentir a sua falta, aquele amor que a fez abandonar tudo que defendia. Embora sejam apenas dois episódios, é mais uma mudança brusca da história que nos cai no colo e que temos de aceitar

Notas:

  • Aquele momento em que lês que uns dos pontos mais fracos da última temporada de “Dexter” (vou duas seasons atrasado)  foi a personagem Zach Hamilton (Sam Underwood), o mesmo actor que faz de namorado de Dana, Leo Carras. Não estou a dizer que o rapaz tem culpa, nem que há pessoal na Showtime que gosta muito dele, mas…
  • Para além do choro, do queixo que treme e de mudar o cabelo de um lado para o outro, Carrie tem outro tique nervoso frequente: um bufar rápido no final de quase todas as frases. E quase tão irritante, ou mais, que os outros tiques.
  • Talvez não o refira vezes suficientes, mas Saul é uma excelente ancora da série. Mandy Patinkin está sempre muito sólido, até quando caminha a 120 km/h…
  • Quinn está a provar que foi uma boa decisão promovê-lo a regular nesta temporada.
  • Aquele momento final de Carrie foi uma gema de representação. Os movimentos da boca, o olhar, o desprezo… fantástico!
  • Não se esqueçam dos nossos amigos em “Homeland (Portugal)“, que já foram ilibados pela nossa equipa médica do mesmo problema que afecta Carrie.

O Melhor: Dana e Quinn. O problema é que Claire Dannes é “demasiado” fantástica a fazer de louca chorona.

O Pior: Dana a mais e Brody a menos. Carrie e o seu ciclo vicioso. Quando os pontos mais altos são de Dana, quer dizer que algo podia estar melhor.

Partilha o post do menino no...