Homeland: 3×04 – Game On

[SPOILERS] Bem-vindos ao fim do primeiro terço da temporada, onde Dana tem um namorado, Carrie está num hospício e Brody num prédio… and no one gives a fuck!

O título dá imensa esperança! É agora “Homeland”, é agora que começas finalmente a temporada, três episódios em atraso? Tudo começa com Saul mais uma vez a entrar numa sala, contracenando com a rapariga do lenço que parece estar sempre naquele “ponto caramelo” de quase choro…e parece também nunca sair daquela sala, nem para comer.

*INÍCIO DE EXPLICAÇÃO* Para todos os que estão perdidos quanto ao processo financeiro das actividades terroristas, eu também estou. Tive de rever a cena e mesmo assim! A minha interpretação: Há uma discrepância nos fundos do banco HLBC. Após investigação apurou-se que 5% do dinheiro foi desviado para a subsidiária em Caracas (onde Brody está “seguro”). Lá o dinheiro é lavado, ao passar por receitas de vendas de bilhetes do estádio. A suspeita recai sobre alguém que possua a maior parte das acções do tal clube, neste caso um nome salta à vista: Nasser Hejazi. O problema é que Nasser é um ex-guarda-redes iraniano que já morreu, então quem se está a fazer passar por ele (que comete o erro absolutamente estúpido de personificar um dos nomes mais famosos do Irão, mesmo que seja por ironia)? Majid Javadi é a suspeita, o homem responsável por planear o bombardeamento na CIA (que ainda não me convenceu, porque fiquei mesmo com a ideia, e foi a que a série nos passou na temporada passada, que tinha sido Abu Nazir a organizar, mas ok). Suspeita-se então que estes fundos desviados fazem parte de uma operação que o terrorista montou para lucrar 45 milhões, sem que as autoridades iranianas, para quem trabalha, saibam. *FIM DE EXPLICAÇÃO*

Depois do segundo episódio pensei eu que o arco de Dana (Morgan Saylor) tinha mudado de vez, adquirido um tom mais sério, consistente e lógico… e depois vem isto. A fugir com o namorado, a fumar umas “brocas” enquanto conduz e com actos tão parvinhos como andar a trocar carros ou atirar o telemóvel pela janela. Nunca percebi esta mania nos filmes e séries, mas os telemóveis lá não custam dinheiro?! Atira-se smartphones de janelas, ou esmagam-se com os pés, com uma tranquilidade assustadora! Então e os contactos que se perde, as fotos, o recorde do Fruit Ninja?! Irresponsáveis.

O meu grau de saturação com a miúda chegou ao ponto de me fazer impressão a roupa que ela usa e os tiques de sobrancelha de pré-choro. Já percebemos que ela sofreu com a traição, já percebemos que ela tentou acabar o sofrimento, já sabemos que ela acha que a mãe não a percebe! Agora, por favor, alguém enfia uma bala na testa da miúda?! Por mim?!

Carrie (Claire Danes), a super-espiã que salvou o “mundo” contra tudo e contra todos, vai à sua milionésima entrevista para sair de um manicómio onde já passou demasiado tempo. É mais do que evidente que o vulcão está lá, à flor da pele, contido e domado para que possa finalmente sair. Quando lhe foi negado saiu-me um enorme rebolar de olhos, não consegui evitar. O que vale é que este novo jogador, a companhia de advogados misteriosa, entrou em jogo e pôs o tornado cá fora. Ver Carrie a movimentar-se, finalmente, pelas ruas poderia ser um alívio mas a verdade é que não tem a mesma energia da primeira temporada. As coisas simplesmente não têm a mesma intensidade, cada acção era importante para algo ou carregada com algum significado. Estivemos a ver uma barata tonta de nome Carrie a virar-se para tudo o que é lado, só.

O melhor do episódio chegou com a conversa entre ela e Leland Bennett (Martin Donovan). Finalmente uma cena bem escrita e bem representada que dá gosto ver. O que não deu gosto foi ver como as duas personagens caiem na “facilidade” uma da outra. Primeiro foi a facilidade com que o advogado confessa que representa o homem responsável pelo ataque à CIA antes mesmo de ela concordar em trabalhar para ele, e depois a facilidade com que Carrie aceita o emprego. Podia argumentar-se que o sofrimento dela, a ideia de voltar àquele lugar e ver que Saul (Mandy Patinkin) a quer enterrar ajudam a que os princípios de pátria sejam esquecidos, mas estamos a falar de uma personagem que teve sempre o trabalho em primeiro lugar e que sempre se agarrou a essa honra para superar obstáculos, vê-la a abdicar disso não fazia sentido, logo, o “twist” final acabou por não ter o efeito desejado. Mais, quando é que Saul “converteu” Carrie? Depois daquele “Fuck You” no segundo episódio (todas as conversas de Carrie parecem acabar assim agora)? Foi combinado ainda antes disso? Desculpem mas não me convence. Fizeram questão de nos mostrar a dor REAL de uma personagem durante três episódios, a reacção dela quando vê Saul a difama-la na televisão (e está sozinha), e agora querem fazer passar por algo planeado. Desculpem, mas para mim não faz sentido.

Talvez esteja a ser muito duro com o episódio, talvez os três anteriores estejam a pesar na avaliação, talvez este tenha sido um bom twist e faça com que os 240 minutos anteriores façam sentido, mas não me convence. Soa-me mais a “tapa-buraco” do que a outra coisa. “Vejam todo o sofrimento desta personagem, agora peguem lá este twist que justifica três episódios sofríveis e ao mesmo tempo invalida quase toda a dor por qual a personagem passou”. Sim, Carrie mesmo assim chora no ombro de Saul por ele o ter deixado no hospital aquele tempo todo, mas porquê?! Se ela sabia que ele estava do lado dela, porque estava em sofrimento? Se tudo fez parte do plano, porquê mostrar-nos as cenas em que ela sofre sozinha em vez de nos mostrar apenas aquelas em que ela “representa” a dor aos outros? Porquê prolongar tanto tempo e porquê um desenlace tão anti-climático com uma conversa no jardim tão reveladora? Acaba por ser uma “surpresa” que só tem um efeito negativo na lógica da temporada. Por vezes é bom uma série “enganar-nos” para nos manter alerta, outra coisa é fazer de nós parvos.

Saul: “You’re an amazing person, Carrie Mathison. Amazing… You’ve been very, very brave.”
Carrie: “You should’ve gotten me out of the hospital, Saul. You shouldn’t have left me in there.”

Alguns diálogos sofríveis, o discursozinho de culpa que balança na família Brody, a pirralha, o regresso de Mike (Diego Klattenhoff – sim, eu sei que perguntei por ele) que cai aqui de para-quedas, são tudo tijolos que fazem desta a pior temporada de “Homeland” até ao momento. O episódio anterior já foi o que foi (não gostei mas “aceito” como intenção de fazer um episódio diferente e introspectivo), este deixa-me desiludido com a Homeland da primeira temporada, que pariu uma ninhada muito débil…  Digam-me o que vocês, meus camaradas, pensam e ide a “Homeland (Portugal)” ver se eles estão comigo na indignação.

Pergunta parva: Um hospital que evita riscos de suicídio, incluindo cortar unhas que estão demasiado grandes, permite que Carrie ande com uns saltos de cinco centímetros?

O Melhor: A conversa de Carrie com Leland. Claire Danes no final, apesar do choro.

O Pior: O “twist” que tentaram empurrar pela minha garganta abaixo. O raio da miúda que não morre numa piscina de ácido. Brody ficará de fora também para a semana e depois enche o sexto episódio novamente com cenas demasiado longas. Quinn tinha recados para fazer.

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