Homeland: 3×05 – The Yoga Play

[SPOILERS] Em entrevista após a exibição do quarto episódio, Alex Gansa, showrunner da série, disse que esta temporada está dividida em três partes. Brody vai desempenhar um papel importante nesta temporada e que a filha é o elo de ligação com ele (a um nível emocional!) por isso está a ter tanto tempo de antena. Já não liga às críticas dos espectadores sobre o arco de Dana e que o plano de Carrie e Saul foi delineado dias depois do atentado na CIA. Ou seja, vamos entrar na segunda parte da season com este episódio, Gansa faz muito bem em ignorar a opinião das pessoas que vêem a série e confirma-se que o facto de este plano de agente dupla estar delineado há muito só faz largar uma tonelada de bosta de vaca em todo o sofrimento que vimos a Carrie passar. A melhor parte é quando o jornalista lhe pergunta se não acha que a Carrie não é uma personagem suficientemente interessante para se escrever uma temporada centrada nela sem ter de estar sem medicação ou fora de controlo… e ele concorda! Achando que é isso que estão a fazer.

Vou entrar então nessa maré e ver este episódio como um começo: Homeland – Temporada 3 – Parte 2. Tentar esquecer a tristeza que foi até aqui e encarar a trama com cara lavada. Saul (Mandy Patinkin), de ar menos carregado com as boas notícias, coloca Quinn (Rupert Friend) no mesmo barco. São agora três os marinheiros que embarcam nesta aventura para capturar Javadi.

Carrie (Claire Danes), essa, deixa de tomar os comprimidos pela 451ª vez, pelo menos isso é refrescante e novo! Preparava-se para ser um dia normal, de bipolaridade, esquizofrenia e choro enquanto se actualizava em episódios de “Donas de Casa Desesperadas”, quando recebe a mais improvável das visitas. No baú do inferno havia um cenário que ninguém ousava colocar em palavras, um arco de episódio que não podia ser proferido, fechado numa caixa de Pandora e guardado por demónios. Estes argumentistas ousaram abri-la: Jessica (Morena Baccarin) a recorrer a Carrie, a chorar (choro inception!), para a ajudar a encontrar Dana (Morgan Saylor). E deste modo conseguimos ter também Carrie envolvida no melhor arco da televisão. Na primeira temporada víamos a nossa espiã a fazer estes jogos de gato e rato por terrorismo, agora vemo-la a fazer por uma pirralha com as hormonas aos saltos. Pior, a arriscar quatro episódios de “sofrimento” por causa dela. Não interessa se o inimigo topou ou não, interessa que ela tenha arriscado tudo por Dana. Sim, a miúda é a ligação com Brody e sente que tem de proteger a filha do homem que ama (será que ainda ama? Nem sei), mas isso não serve como justificação. No final vemos a miúda no quarto, mais uma vez, a chorar, mais uma vez, de coração partido, mais uma vez. Não deixa de ser uma espécie de sadismo.

Não sei se foi revelado ao longo da série se este é um governo de esquerda ou direita, mas considerando que escolheram ir caçar podemos concluir que se tratam de republicanos. Não acontece muitas vezes, mas desta vez Saul foi apanhado completamente de surpresa e quase desarmado. Este Senador Andrew Lockhart (Tracy Letts), muito à semelhança do maus da fita irritantes que víamos tantas vezes em “24”, torna a cortar as pernas aos planos frágeis que estão agora em movimento. Mais do que a cadeira que Saul ainda nem aqueceu, Lockhart promete reformar a CIA para algo completamente diferente, menos humana. O brinde após a confirmação da sucessão é mesmo o melhor do episódio. Não é que Saul tenha disfarçado muito a alfinetada, penso que também não era bem essa a intenção, mas fá-lo com a elegância que o caracteriza. Prometem ser duas semanas de curiosa tensão.

Quinn: “She’s on her own, Saul.”
Saul: “She’s always been on her own.”

Eu bem tentei, mas a verdade é que por muito que os responsáveis queiram, não há “partes” a meio da temporada. Não se pode dizer às pessoas que aquilo que viram até aqui não conta assim tanto. Talvez se a temporada fosse outra eu tivesse gostado mais deste episódio, mas não consigo fazer reset, nem acho que tenha de o fazer. Nada de realmente importante aconteceu e nem mesmo o rapto conseguiu dar aceleração ao episódio (Javadi pede para ver a sala de interrogatório, já sabíamos que Carrie ia ser levada e que não podia propriamente receber um convite no correio). Depois de duas temporadas do outro lado da mesa, Carrie prepara-se para o lugar do interrogado e Javadi (em mais um passeio de carro representado na série) arrisca muito em se deslocar para falar directamente com uma possível fonte de informação. Considerando que ele não confia (é o que dá a entender) na sua nova aliada, é difícil de perceber o porquê de tanto risco. Talvez o risco-beneficio faça valer a pena. Para já esta temporada continua a desiludir, aos meus olhos pelo menos, deste episódio só tirei sumo de Saul e dos olhares intensos de Quinn (que ao desobedecer Saul no final praticamente arruína o plano se é apanhado, mas ok), de resto achei mais 46 minutos de “seca”. Um episódio de transição (provavelmente necessário), mas que só bem colocar água num copo já cheio. Deve ser o efeito Showtime, em que só acontece alguma coisa de jeito nos episódios finais…

Para todas as pessoas que estão a gostar de “Homeland” assim, pergunto: Se agora está bom, o que acharam da primeira temporada, ou até da segunda? Já agora, o que acha o pessoal de “Homeland (Portugal)“?

PS- “Homeland”, a série onde até os gansos são tão duros que não saem do sitio quando um cão passa por eles. Ou isso, ou são de borracha como aqueles que eu metia na banheira quando era miúdo…

O Melhor: Saul e o seu discurso. A intenção de mostrar pelo menos algum tipo de espionagem.

O Pior: Acabou por ser um episódio à semelhança do título, nada de jeito. Não pergunto por Brody, nem vale a pena. Dana, o tampão ambulante mais uma vez no quarto a chorar. Até um rapto conseguiu ser previsível e ausente de entusiasmo.

Partilha o post do menino no...