Homeland: 3×06 – Still Positive

[SPOILERS] Gosto de como os títulos dos episódios nos vão guiando pela temporada. Este é como quem diz: “Estão a ver a bosta que temos feito?! Mantenham-se positivos!”

No início do episódio percebemos não só que o número de pessoas que está envolvida nesta operação absolutamente confidencial aumenta exponencialmente como um grupo de terroristas acredita que uma agente da CIA com a experiência de Carrie (Claire Danes) não consegue enganar um polígrafo. Mas não sejamos mesquinhos, um interrogatório está prestes a começar…

E mais uma vez uma pequena desilusão. A mesma equipa que nos enganou durante quatro episódios sobre o plano secreto, não conseguiu manter a tensão durante o interrogatório durante mais de dois minutos. Pensávamos nós que Carrie ia fazer de agente dupla durante um tempo e tudo cai por terra. Sai twist, entra twist. Há algo que sempre me fez impressão nesta Carrie: a incapacidade em fingir emoções. Tudo bem que ela ainda se safa na altura de falar, mas a maneira como se mostra preocupada quando não deve e como estica sempre a corda quando está confiante não vai de acordo com a personalidade de gelo que uma pessoa na sua profissão deveria ter.

Saul (Mandy Patinkin), esse, descobre que além do emprego emprestado, tem uma mulher emprestada. Na manhã seguinte a perder o cargo de liderança na agência descobre também que perdeu a sua amada para um outro homem (é óbvio que tinha de ser francês!). A maneira como reage pode fazer impressão a Mira (Sarita Choudhury) mas é compreensível para mim. Neste momento ele está em modo “focus” com a missão, para além disso já sofreu com a partida dela da última vez e talvez tenha fechado esse livro na temporada passada. Ainda há amor e companheirismo, mas já não há ilusõe e Saul já fez o seu “luto”. Pelo menos eu interpreto desta maneira.

Adal (uma personagem que mantemos na dúvida sobre o lado que realmente pende) encontra-se com o futuro director da CIA (uma personagem absolutamente uni-dimensional, que é má da fita porque sim com o intuito de nos provocar o maior desprezo possível em menor tempo possível, ao espelho do que estes produtores costumam fazer desde “24”) e discutem métodos de trabalho na nova CIA que vai nascer em 12 dias. Saul esquece as suas obrigações como Diretor interino de uma agência como a CIA e foca-se apenas numa só missão, a de apreender Javadi (Shaun Toub).  A frieza com que este persegue e mata a ex-mulher foi mesmo o melhor do episódio, aliás, sempre que a série se torna crua e “fria” atinge o seu máximo, tal como acontecia na distante primeira temporada. Mas não foi só isso que Alex Gansa e companhia “desaprenderam” de fazer. Os diálogos continuam pobres, com perguntas desnecessárias em que tudo parece pouco fluído. Quando Saul realiza o seu momento “Karate Kid”, a acção fala por si, porque é completamente contra-natura à atitude normal da personagem, percebemos assim o quanto as duas mortes o enfureceram. Não foi preciso vocalizar a raiva, nós entendemos. Não é preciso ter a Fara em todos os episódios a fazer mil e uma perguntas (e a chorar sem motivo nenhum!) para que a história nos seja exposta. A impressão que me dá é que a série perdeu níveis de QI, em que tudo tem de ser explicadinho e perguntadinho, em vez de nos ser mostrado de outras maneiras.

Este episódio foi algo melhor, pela acção que teve, pela evolução na história, pelos tais momentos crus que foram mostrados… mas lá está, tudo sabe a agridoce. Não serei o único a pensar no final de cada episódio que tudo poderia ser melhor, que tudo já foi melhor. Esquecendo por momentos que Brody, com a temporada a meio, apareceu uma vez (isto não é ser personagem recorrente, é actor convidado!), os produtores estão tão ansiosos em nos surpreender com a narrativa que se esquecem de torná-la boa. Usando “Lost” como exemplo, toda a gente pensa, e tenta copiar, o mistério e o factor-surpresa que a série imprimia, mas esquecem-se sempre que aquilo que a tornava realmente boa era a construção de personagens. Porquê colocar Quinn (Rupert Friend) a dizer no final que “isto é só o começo” e no momento seguinte sair da porta para ir perguntar a Carrie como ela está e depois voltarem os dois para dentro outra vez?! Nós já sabemos que agora vai começar um grande interrogatório (andamos a saltar entre salinhas, lembram-se quando significavam alguma coisa?!) e podiam mostrar que Carrie estava afectava de outra maneira, mas para quê o dialogo fácil? Outro exemplo da estupidificação da série são os maus da fita: passamos de um ambíguo e excitante Brody, para um convicto e interessante Abu Nazir, para um senador arrogante e um Javadi que está preso ao fim de dois episódios! Enfim, estou a divagar e a cair no mesmo erro da série.

Deixo uma pergunta: o que interessa a história desta temporada? Javadi está preso… e? Já sabemos que ele cometeu os actos, o que está no futuro do arco? O que falta saber? Porque é que a série não nos dá algo para ficarmos entusiasmados com o que aí vem? É mais do que uma pergunta, mas vá.

PS- Ah, e tivemos a Dana (Morgan Saylor), que depois das botas de estimação parece ter uma calças que nunca tira, a abandonar o lar. Depois de a vermos emocional com tudo e mais alguma coisa, vemo-la a fazer esta transição com a maior calma do mundo, deixando para trás a Jessica dos decotes (lembram-se de não a ver chorar?!) e o personagem mais útil de sempre numa série de televisão, o irmão. Pequeno ou crescido, o puto só serve para sorrisinhos Colgate de satisfação ou para alguém lhe coçar a cabeça. Nem sequer lhe deram uma falazinha na altura da irmã partir.

PS 2- Também tivemos a revelação de que Carrie pode estar grávida e que coleciona testes de gravidez como se fossem cromos dos Pokemon. Não só adiciona camadas à sua mentalidade compulsiva, como adiciona camadas ao factor novela em que esta série está a tomar. Prefiro nem abordar isto para já que é para não ficar doente…

Passem em “Homeland (Portugal)” para que eles vos mantenham a par do que vem aí. Eu já nem me deixo ficar muito excitado com isto.

O Melhor: A série a ser crua. Momentos de acção que nos fazem sentir a emoção que a série costumava imprimir sem ser preciso a acção.

O Pior: A constatação de que “Homeland” é neste momento apenas uma série mediana com momentos espontâneos de genialidade.

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