Homeland: 3×07 – Gerontion

[SPOILERS] Numa altura em que o descontentamento com “Homeland” cresce a olhos vistos, há quem pense em largar a série no final desta temporada, senão antes. Aquela que era o produto mais promissor há dois anos…

Gerontion é um poema de T.S. Eliot, de 1920, que relata as opiniões e impressões de um homem velho sobre a Europa após a I Guerra Mundial, abordando temas como a religião e a sexualidade. Uma das frases é “wilderness of mirrors”, que outros autores têm usado para descrever o mundo da espionagem e a confusão da contra-inteligência.

O pior e o melhor dos primeiros cinco minutos: Quinn é apanhado na câmara de segurança do vizinho que por alguma razão abrange a porta da vítima e Fara (Nazanin Boniadi) a debitar palavras em Farsi à velocidade que um coelho procria! Teria de chorar no fim, claro, senão até parecia mal.

O sentimento de mediocridade em relação ao que já vimos a série fazer mantém-se. Repito que os diálogos não são os mesmos e as incoerências são um empecilho na altura de imergir na história. O factor novela também tem crescido exponencialmente e não me agrada: 1- Saul tem o número dois da inteligência iraniana por um período de tempo limitado e em vez de fazer perguntas valiosas prefere falar do passado que os une; 2- Os efeitos desta gravidez de Carrie (Claire Danes) começam a fazer-se sentir, mas talvez pior é o facto de ela andar para todo o lado sem preocupação nenhuma, incluindo aparecer numa cena de crime que se sabe que Adal está a vigiar. Recordando que até há pouco tempo era vigiada por ambos os lados da trincheira.

O Senador Lockhart (Tracy Letts) continua a ser mais uma pedra no sapato desta temporada. Um sapato sem sola nuns pés todos calejados. Já referi varias vezes a sua simplicidade como personagem, neste episódio chegou a um ponto mesmo cartoonesco. A maneira como ele contesta tudo o que Saul (Mandy Patinkin) quer fazer é tão ridiculamente apresentada que nem sequer fazem uma tentativa de a tornar credível. Até a maneira como ele reage às coisas é caricata. Acabar fechado numa sala como uma criança que é presa pelas mãos e pelos pés enquanto o irmão mais velho faz pouco dele foi mesmo a gota de água. A série costumava ser tão inteligente e de repente é isto: um Senador preso numa sala escura sem saber usar um telefone.

Quinn (Rupert Friend) está a percorrer o longo campo. Primeiro vimo-lo a matar a criança no início da temporada e agora é obrigado a confessar algo que não cometeu. Presumo quer tudo isto é com a intenção de provocar um efeito na personagem mais lá para a frente, mas para já serviu apenas para um policia dar asas à moralidade do povo e questionar os serviços secretos, dando asas à visão daqueles que a contestam. Odeio quando tentam empurrar-me moralidade pela goela abaixo numa série. A surpresa, embora compreensível, em mostrar vontade em abandonar a CIA é superada pelo facto de se manter no cargo a pedido de Carrie. Já tivemos varias “migalhas” de um sentimento que Quinn possa ter pela nossa loira, veremos se não é mais um triângulo amoroso que nasce com Brody. Deus queira que sim, porque se há coisa que nunca é demais é triângulos amorosos!

Como a série não parece ter uma perspectiva de futuro nem conseguiu criar um alvo final para a temporada, vai fazer o arco enrolar-se em si próprio. A viagem de carro de Carrie com Javadi (Shaun Toub) foi um empata já que se sabia que ela não iria aguentar. Tal como as comédias românticas, o melhor momento, o da revelação, é feito sempre no aeroporto, no limite do tempo. Faltou só a música, e ela correr para os braços de Javadi em slow motion. Destruída a ambiguidade de Brody, a mira é apontada a um alvo que pouco interessa, o advogado. Veremos para onde isto evolui, partindo do princípio que já sabemos tudo o que interessa saber (que o responsável foi Javadi e que Brody não esteve envolvido). Mas de certeza que será excitante na mesma! Afinal de contas temos um homem com a importância de Javadi a dizer que não foi Brody, mas convenientemente não sabe quem é o bombista (?!), é preciso provar isso. Podia também salientar o ridículo de a série se centrar na confirmação da inocência de um homem que não se dignificam sequer a mostrar há quatro episódios… mas nem vou por aí.

Uma última nota para a vida amorosa de Saul (meu Deus, as coisas que sou obrigado a dizer nas actuais análises de “Homeland”). Parece que eu estava enganado e afinal ele não quer mesmo largar a mulher. Estamos, então, presos num triângulo amoroso sem sabermos o porquê e para quê. Parece que já estou a prever um possível envolvimento de Mira (Sarita Choudhury) na espionagem, aquela chamada telefónica, recordando que Saul está com ela desde os tempos de Teerão… não sei não.

Espreitem os nossos parceiros em “Homeland (Portugal)” para mais informações sobre o crescimento da barriga de Carrie e os casos amorosos de todos os personagens.

O Melhor: Quinn e o facto de ser a única personagem que tem uma história pessoal que interessa. Javadi a manipular apesar de encurralado entre a espada e a parede. Ao menos não houve Dana.

O Pior: O Senadores, as gravidezes, os triângulos amorosos e as incoerências.

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