Homeland: 3×08 – A Red Wheelbarrow

[SPOILERS] Alex Gansa, em mais uma entrevista em que tenta convencer moucos, confessa que adorava que as pessoas esperassem pelo resto da temporada antes de a criticarem, mas visto ser impossível, fica feliz por as pessoas estarem tão aficionadas à série, que se fale dela e esteja a ter os melhores números de sempre. Das duas uma, ou este senhor é o produtor mais alienado de sempre, ou está simplesmente a cagar-se para o que as pessoas gostam, perdoem-me o francês.

Desde que as pessoas vejam é o que interessa, não importa se é bom ou não. “Mas oh Vítor, o facto das pessoas verem não quer dizer que é bom?”, não. Há muita gente a ver reality shows, não faz deles bons produtos televisivos? “Homeland” está a viver do hype dos prémios que temporadas passadas receberam, só isso. Se o senhor Gansa se preocupasse com as pessoas que estão a desistir da série, that would be great! Ainda tem a lata de dizer, na mesma entrevista, que estão a trabalhar duramente para que a história seja interessante e fiel às personagens. Pois eu não me identifico com as personagens da primeira temporada, à excepção de Saul (Mandy Patinkin). Talvez o facto de estarem quase todas ausentes não ajude. Em todas as entrevistas salienta que a temporada foi meticulosamente planeada e que tudo vai fazer sentido na recta final, como se isso fosse algo bom! Como se a série fosse um emprego em que temos de raspar bosta de rato da parede mas que no final do mês vem o ordenado. Que pode ou não ser satisfatório! Eu não vejo uma série para que ela seja uma recompensa no final, vejo-a para que seja uma recompensa sempre. Senão vou ver só os últimos três episódios das temporadas, visto que o resto é palha! Este pessoal de “24” não entende que qualquer coisa de bom que aconteça agora, vai saber a agridoce porque estamos fartos do que vimos antes. Mas porque é que me estou a chatear com isto, vamos ao episódio…

Exemplo perfeito da situação desta temporada: a discussão entre Carrie e Saul. Cheguei ao fim e quase nem percebi porque discutiram sequer e quem estava a trollar quem (além da série a nós). Enquanto Dar Adal (F. Murray Abraham) se faz demasiado amigo de Saul, o ainda director tem uma reunião na Casa Branca para expor o seu plano ao topo da hierarquia. Adorei a discussão com o Senador Lockhart (Tracy Letts) porque ele (mais uma vez) não pareceu nada exagerado. O alarme que me desperta imediatamente face ao plano de Saul: planeiam colocar Javadi no topo da hierarquia iraniana, mas quando ele chegar ao poder o que têm sobre ele, a chantagem, não deixa assim de fazer efeito? Se a ameaça é contar ao país que ele é fraudulento, quando este estiver no topo deixam de ter essa “alavanca” sobre ele, certo? Há também o pormenor de Saul perder o cargo nos próximos nove dias e o Senador poder minar completamente a missão e depois culpar Saul por isso, mas esquecemos o facto por momentos.

As personagens que parecem estar melhor esta temporada, além de Saul, são as novas. É verdade que Quinn (Rupert Friend) não é novo mas tem tido mais destaque e Fara (Nazanin Boniadi) tem os seus defeitos mas também qualidades. O facto de a vermos demasiado sensível até agora faz com que a sua relutância em prosseguir com o trabalho, a dúvida e o peso na consciência façam sentido. Esta construção deveria ter acontecido mais cedo (foi bom rever Chance Kelly, o Padrinho de “Generation Kill”).

A nível pessoal, Carrie (Claire Danes) pondera se deve continuar com a gravidez ou não, mas quer que o bebé fique em pause enquanto o pai é ilibado das acusações que já ninguém lhe atribui. Ficamos também a saber que doses altas de medicação para a bipolaridade, altas concentrações de álcool, uma vida de constante stress e um tiro não parecem afectar a saúde de um bebé (essas maricas que tomam vitaminas pré-natais!). Foi ainda confirmado, de modo indirecto, que Brody é o pai, se é que havia duvidas. Do lado de Saul, enganei-me na fonte de suspeitas, não é Mira (Sarita Choudhury), mas sim o amante Alan Bernard (William Abadie). Uma jogada super inteligente, a de se tornar amante de uma mulher de modo a causar o afastamento do homem de quem ele pretende que ela se aproxime, contando que ela mais tarde  possa ou não voltar para ele… faz sentido!

O final trouxe aquilo a que nós, o pessoal das análises, gostamos de chamar no meio de: dass, ca m**** de estupidez! Que saudades tinha eu das atitudes absolutamente idiotas da Carrie, em que ela encara tudo aquilo que está a ser construído e lhe atira um balde de bosta de boi. Não dá sequer para justificar a acção dela. O que raio precisa ela de provar ainda? Neste episódio ouviu-se o advogado a confessar ao telefone que se iria encontrar com o bombista, porque quer ela falar com ele se toda a gente já sabe que o Brody não esteve envolvido?! Decide mandar ao ar o amor pela pátria, o trabalho todo que teve e a dor que suportou, tudo por amor a um personagem que nem sequer aparece! Seja o que for que uma série devesse fazer-nos sentir, profunda irritação não é uma delas e detesto principalmente quando tentam baixar-me o QI para o nível da sanguessuga. A cereja é a decisão de alveja-la para que o advogado não a veja, dar-lhe um tiro não fatal em que berra mas, muito convenientemente, não cai num sítio visível. Haja paciência, que a minha já foi. Os momentos finais, em que se vê Saul a encontrar-se com o Brody era suposto provocar uma reacção, mas a mim não me interessa minimamente. Não só pelo que se passou instantes antes mas porque qualquer coisa que envolva Brody já não me desperta interesse. Quase que tive de ir ver como ele se chama que já não me lembrava. É suposto acreditarmos que Saul manteve Brody em cativeiro caso ele pudesse a ser útil mais tarde?!

Caso ainda não tenham percebido, ou não se tenham dado ao trabalho de ler tudo o que escrevi, eu refiro-o agora de maneira clara: eu não fui, nem vou ser mais imparcial com a série. Se é espectadores “apaixonados” que os produtores querem, eu estou oficial e apaixonadamente irritado com esta temporada. Chega de fã simpático que tenta ver os dois lados da moeda. Lembram-se das palavras de Gansa? A temporada está dividida em três, ou seja, acabou a segunda parte e o episódio nove inicia um novo acto desta “comédia” dramática que temos assistido… estão a gostar?! Eu estou a amar. Bem-vindos à serie onde tudo é uma surpresa, o que faz com que nada seja uma surpresa!

Notas:

  • Esta é a série em que a protagonista é absolutamente insuportável e o protagonista não aparece.
  • Parece que há mais gente a trabalhar na CIA. Adoro como de repente a missão ganha mais intervenientes. O que era segredo há três dias, agora tem um pelotão a trabalhar no assunto.
  • Continuam a dar nomes de poemas aos episódios. Poemas fantásticos, diga-se. Engraçado como certas frases antigas são poemas e fonte de inúmeras discussões sobre o seu significado e se fosse eu a escreve-las seriam apenas idiotices de um possível bêbado.
  • Saul com uma pasta a dizer “Top Secret”, porque nada chama menos a atenção do que isso!
  • É super aceitável e credível que um tipo entre na casa do chefe da CIA sem ninguém dar nota.
  • Depois de terem fechado no episódio anterior o Senador na sala escura para que ele não pudesse ir brincar com os outros meninos, neste episódio mandaram a criança para a cama mais cedo porque lhe falta ainda nove dias para ter idade e poder ver o filme dos graúdos na sala. “Mas oh mãe, eu quero!”, “Já disse que não, vai para o teu quarto!”. Claro que ele só foi à terceira vez que o pai mandou.
  • A surpresa que foi Carrie desobedecer uma ordem superior. Porque continuam a deixar esta tipa sozinha num carro/carrinha?!
  • Nota para todos os terroristas em filmes e séries: depois de descobrirem que estão a ser alvos de investigação por espiões, não liguem ao vosso chefe segundos depois a confirmarem todo o plano. SE CALHAR eles podem estar a ouvir.
  • Tenho muita pena que Quinn tenha falhado o tiro na testa de Carrie…
  • Pergunto-me se nos próximos episódios o Saul se vai encontrar com Dana, também num quarto mal-cheiroso onde ela vive agora, e onde vamos descobrir que ela também tem uma missão a cumprir, dando assim sentido a tudo que tivemos de aturar nos outros episódios.
  • Passem em “Homeland (Portugal)” porque lá dão chocolates!

O Melhor: A melhor novela da televisão.

O Pior: O pior multi-premiado drama da televisão.

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