Homeland: 3×10 – Good Night

[SPOILERS] Na altura em que esta review sai, já a análise ao próximo episódio está ligeiramente atrasado… o que é uma pena, já que a série está tão boa!

Brody a comer cabra no deserto e Carrie (Claire Danes), calma e razoável como sempre, a controlar quantos graus de areia estavam debaixo do quarto calhau à direita. Em mais um casting mal aproveitado, Scott Ryan (sim, é esse o nome da personagem interpretada por Tim Guinee, caso não tenham percebido) mostra que é um grande actor ao conseguir fazer com um pointer o que mais ninguém consegue: mantê-lo imóvel na parede (quem já fez apresentações vai perceber!). A rapidez com que os primeiros 12 minutos do episódio passaram foi absolutamente alucinante… felizmente houve tempo para nos mostrarem a secretaria de Saul (Mandy Patinkin) a levar-lhe as pastilhas elásticas da sorte! Seria uma pena perder esse pormenor.

Daí até ao ultimo terço do episódio o ritmo não acelerou significativamente, aliás, não fosse a música de background a impor uma certa tensão e uma explosão que, pela primeira vez no meu historial de explosões, parte um carro ao meio mas não o incendeia, quase se poderia dizer que estávamos a adormecer no meio da acção. Mais uma pastilha para aqui, uma aparição do Senador Lockhart para irritar ali, um grito de insubordinação máxima de Carrie a um alto membro de alta hierarquia do governo que passa incólume acolá, nada de especial.

Não é preguiça em escrever, mas a verdade é que este episódio não tem assim tanto eu possa ser comentado. Não consigo afastar da cabeça que as coisas podiam ter sido mais rápidas na primeira metade do episódio, mas a verdade é que a segunda parte compensa. Dispensava bem as cenas (ou a maior parte delas) no centro de operações. Neste caso quase se justificava um episódio centrado exclusivamente em Brody (Damian Lewis), tal como o “Torre de David”. Não que seja adepto total do formato, mas as cenas de Carrie a menstruar-se pelo episódio inteiro (embora esteja grávida) cortaram-me o clima da situação de guerra, assim como a simpatia disfarçada do Senador. O que custa a entender também é a decisão de Saul em sair da sala com a operação ainda a decorrer. Num momento diz que nunca ordenaria a morte dos seus homens e no outro está a ir-se embora enquanto o esquadrão ainda está em perigo de vida e com destino incerto. Todo o episódio fez-me lembrar o filme “Zero Dark Thirty” e nesse aspecto fê-lo muito bem, quer se goste do formato ou não. O ponto alto é a conversa entre Carrie e Brody, honesta e com emoção, aí sim, justificada. Mas deixo o seguinte desafio, se tiverem paciência: ver só as cenas de Carrie no episódio. Os saltos entre o sorriso e o choro são para lá da bipolaridade.

NOTAS:

  • Adoro o quanto selectivos são estes drones. Observam tudo! Mas não “viram” o carro da policia a chegar nem o exército iraniano que estava mesmo ali…
  • Com este pedido de Carrie a Fara (Nazanin Boniadi), percebe-se as imagens em sua casa, mostrando o pai e a ligação à família. Mas lá está, justificou o tempo que a série perdeu com esses momentos? Não.
  • Outro preço de um episódio tão centrado num só momento é que sobram dois e dá impressão que menos tempo será gasto em descrever espaços maiores de tempo (se já estavam zangados com o tempo perdido nos outros nove episódios, imagino agora). Veremos o ritmo a que os últimos dois tiros são disparados.
  • O pormenor de Brody a virar a meia é delicioso, como que simbolizando a metamorfose que precisa de fazer naquela noite. Mas ao mostra-lo com medo e a ter um ataque de pânico, esse efeito cortou-se. Para mim, esse momento de fraqueza até nem encaixa muito bem. Fica mais uma vez provado também que Brody foi muito mal aproveitado esta temporada.
  • Aquele momento em que percebes que Damian Lewis não vai (mais do que provavelmente) sobreviver a esta temporada, mas que preferias que fosse Carrie a morrer porque já não há paciência para a aturares. Sem o sargento, ela será o único foco de protagonismo e não sei se estou preparado para um fluxo tão grande de período na próxima temporada.

O Melhor: O momento “Zero Dark Thirty” que foi este episódio. A “conversa” entre Carrie e Brody. “Homeland” consegue bons episódios centrados num determinado momento.

O Pior: As reacções de Carrie durante todo o episódio, não há paciência para tanta emoção. Para quem não gostar deste tipo de episódio deve ter apanhado grande seca em certos momentos. Quando comparado com alguns episódios desta temporada, este parece um primo afastado que nunca ninguém na família conheceu. Os drones “cegos” quando convém.

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