Homeland: 3×11 – Big Man in Tehran

[SPOILERS] Depois do episódio da passada semana, o melhor da temporada (sem que isso seja alto motivo de orgulho), “Homeland” cai mesmo de cabeça num estilo de episódio que se pensava esquecido na série: o da espionagem. Apesar do plano ser difícil, mas ainda assim verosímil, todos nós sabemos que não vai correr como estipulado… it’s the Homeland way!

Brody sobrevive à lorde em Teerão. Mais ou menos um prisioneiro, mas considerando a estadia em Caracas podemos dizer que está num hotel de cinco estrelas. Damian Lewis é melhor actor que Brody, mas ainda assim o sargento parece estar a ser suficientemente convincente, agora é a vez do seu co-piloto Javadi entrar em acção. Não sei se reparam nisso, mas os episódios de “Homeland” não seguem os tradicionais tempos das séries da network, cada um tem o seu. Este foi um dos maiores da temporada, e ainda bem, porque assim não se perdeu a “maratona” que foi Javadi conseguir falar com o chefe. Ainda bem que mostrou ele a chegar lá, falar com a secretaria e sentar-se… e depois vermos a secretaria a levantar-se, a chama-lo e ele a entrar finalmente na sala. Se podiam ter mostrado ele a olhar para as horas (através da camisa) e depois a entrar na sala logo de seguida? Claro que sim, mas onde estava a magia aí?! Assim mostram que Javadi ainda tem de prestar “vassalagem” ao seu chefe, que um número dois está uns largos degraus abaixo na hierarquia… mas mostrem mais devagar!

Enquanto isso temos imagens incríveis de Carrie (Claire Danes) a andar, a entrar no hotel, a dar gorjeta ao empregado e a falar ao telemóvel com Saul (Mandy Patinkin) em que ele conta coisas que nós já sabemos. No meio desta enorme agitação cai a ficha a Carrie e esta lembra-se que está realmente gravida. BAZINGA, fez-se o Chocapic! No segundo terço do episódio temos a preparação para o grande momento e também um trio de momentos que deixa qualquer caçador de discrepâncias contente:

  1. Eu sei que o mundo da espionagem não é tão glamoroso como nos filmes de 007, mas não conseguiam arranjar uma agulha com cianeto mais pequena?! Basta uma pequena porção para matar alguém, mas Brody carregava uma dose de cavalo e agulha a condizer.
  2. O Bluetooth ainda não chegou à CIA, Carrie está num carro, mesmo ao lado dos seguranças, com um tijolo no ouvido. Mais à frente no episódio vê-se os israelitas com essa tecnologia, logo concluo que a série se passa neste século!
  3. O homem que é muito cuidadoso com a segurança em vez de se cruzar com Brody dentro de casa, decide parar numa praça aberta, cercada por prédios com vista para a sua testa.

E já que estamos neste ramo, para quê?! Porque foi o homem correr aquele risco só para ir falar com a viúva de Abu Nazir e se cruzar com Brody?! Se a intenção era para que ela veta-se a veracidade do novo “aliado”, porque não leva-lo lá apenas, ou melhor, leva-la a ela à casa onde Brody estava? A viagem de regresso do programa “Chá com a Julia” revelou-se uma verdadeira saída da “Casa dos Segredos”, com a multidão a ovacionar o seu novo campeão. E mais uma vez se dá uma um coice na moralidade: Não se podia pintar um cenário em que Brody passaria mais despercebido no país, não, ali toda a gente sabe quem é o terrorista que fez mal ao inimigo. Não podemos ter um povo alienado daquilo que o governo local odeia, um povo que só quer saber do seu dia-a-dia (tal como o da mesquita que não lhe liga nenhuma à passagem, depois de, aí sim, ter passado na televisão), temos de ter um grupo de pessoas que odeia os EUA e o reconhece imediatamente como um Messias.

Mais, não vamos esquecer que por detrás deste plano “pacífico” de Saul, está mais um moralismo à americana: queremos construir uma paz com a região, por isso vamos chantagear um tipo para que ele nos ajude a matar alguém que não concorda connosco, e para isso vamos usar um tipo desgraçado aos olhos do mundo para que não tenhamos responsabilidade caso corra mal. Tudo em nome da paz porque nós é que sabemos fazer isto. Se correr mal, entra o Senador que quer mandar a região pelos ares e resolve-se o assunto.

Um episódio de “Homeland” não estaria completo se Carrie não fizesse o que raio lhe vai nos ovários, perdão, na cabeça. A cara mais reconhecida do mundo, um herói de projecção televisiva, recebe um telemóvel de um estranho, algo que ele não poderia ter de modo algum, e fala em inglês, rodeado de gente, a falar nos olhos com uma mulher do outro lado do pátio. Nada de especial! Quanto ao facto de ela não seguir mais uma vez as ordens, digamos que a sitcom continua. Num cenário correcto, Saul olharia para ela e dizia: “Não comas a sopa Carrie!” e piscava-lhe o olho. Ela para o desafiar, comia. O publico ria.

*o genérico de “Friends” começa a tocar*
I’ll be there for you (When the rain starts to pour)
I’ll be there for you (Like I’ve been there before)
I’ll be there for you (‘Cause you’re there for me too)

O final, lá está, foi mais ou menos o que se esperava. Brody lembrou-se de algo que já deveria ter ocorrido há dias e põe em prática mais um homicídio no escritório. O homem mais bem protegido do Irão é deixado sozinho, sem câmaras de vigilância, um bater na porta a perguntar se está tudo bem, nada. Depois da morte por pacemaker, Brody tem mais uma morte à lá Cluedo: “Foi o Brody, no escritório, com o cinzeiro!”. Agora começa a missão impossível de extrair Brody desta situação impossível, alimentando a ideia de que o futuro não é risonho para a personagem. Vale a pena perguntar como é que ele sabia o número da Carrie?! Olhou para o telemóvel antes de o atirar e memorizou logo. Vocês também, sempre a implicar.

Antes de me despedir de vocês, deixo-vos um jogo. Num artigo que li, referia as “10 leis de contar a história de Homeland”, eu vou mais longe e digo que isto é um excelente jogo para fazer com os amigos.

Homeland Drinking Game

  1. Brody vai fazer sempre algo completamente inesperado. Brody tem sempre algo na manga, as vezes literalmente.
  2. Carrie vai ter sempre razão sobre Brody… quer ele seja amigo ou inimigo.
  3. Saul vai dar missões a Carrie em que não faz qualquer sentido ela estar presente. Claro que faz sentido Saul ter enviado a agente com inúmeros conflitos de interesse e com um curriculum enorme em desobedecer ordens. Claro que não podia enviar Quinn, ou envia-lo com ela. Isso seria estupidez!
  4. Carrie vai justificar o não acatar de ordens porque colocam a missão em risco, enquanto faz outras coisas que colocam a missão ainda mais em risco. Não se viu disto neste episódio, oh wait!
  5. Quinn será a única pessoa que faz coisas com sentido. É preciso é ele aparecer! Dizer uma frase por episódio não conta.
  6. Brody demonstrará qualquer indiferença para com o filho. A minha filha isto, a minha filha aquilo… puto? Que puto?!
  7. Carrie estará sempre em negação sobre a uma determinada condição de saúde que já sabe que tem há algum tempo. Em defesa dela, a barriga que ela viu no quarto parece ter desaparecido no pátio da mesquita.
  8. A tecnologia da CIA será sempre inadequada. Já falamos sobre este ponto.
  9. Mesmo que as acções de Carrie levem ao despoletar da terceira Grande Guerra, ela vai acreditar que tudo se pode resolver. Um americano pode ser apanhado por matar um alto membro iraniano depois de estar a falar com uma espia americana numa mesquita e assim lançar uma grande tensão diplomática?! Desde que Brody esteja bem…
  10. Carrie nunca será despedida. Só se matar o Obama, mas até aí…

Caso não queiram estar a decorar tantas regras, limitem-se a beber sempre que a Carrie treme o queixinho ou desobedece uma ordem. Vão estar com a cabeça na sanita ao minuto 11 de cada episódio!

PS- Surgiu esta semana a notícia que Jessica e Dana deixarão de ser personagens regulares na próxima temporada. Passarão a ter participações esporádicas, tal como Mike. Esta notícia fez-me perceber duas coisas: 1- Jessica era uma personagem regular?!; 2- Parece que Mike ainda faz parte do elenco… curioso! A informação extra é que isto praticamente confirma que Brody não sobrevive à season finale.

PS 2- Passem em “Homeland (Portugal)” para acompanharem todas as novidades desta pérola televisiva.

PS 3- Sim, a imagem principal da análise é o telemóvel/tijolo, já que foi ele a grande estrela do episódio. Esteve em todas as cenas importantes.

PS 4- As fotos de imprensa fornecidas pela Showtime para a promoção do episódio são tão excitantes como a mosca que está na parede do meu quarto. Mostram Saul a andar e pessoas a olhar para um monitor…

O Melhor: Está a acabar.
O Pior: Tudo é maravilhoso.

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