House… Dr.House!

(escrito a 17 de Outubro 2007)

A próxima série de que vos vou falar dispensa apresentações…mas tenho de o fazer porque senão não sei o que dizer, por isso…Dizer que House é a personagem mais complexa que já vi é dizer pouco…
Comecemos pelo início. Hugh Laurie é um senhor de 48 anos, nascido em Oxford na Inglaterra, filho de pai doutor (olha a coincidência) e vencedor do ouro olimpico em remo. Estudou arqueologia e antropologia em Cambridge e chegou a fazer parte da equipa de remo, seguindo os passos do pai. Mas uma mononucleose infecciosa (?!) obrigou-o a desistir. Tudo isto o levou à representação, nascendo um grande comediante…
Nos anos 80 começou a fazer Blackadder com Rowan Atkinson (Mr.Bean). Uma série fantastica de humor sobre um anti-heroi e as suas aventuras em diferentes épocas da história. Numa das séries Hugh Laurie interpreta o Príncipe de Gales, uma personagem estúpida todos os dias, e a dobrar aos fins-de-semana e feriados…

Mais tarde entrou em “Sensibilidade e Bom Senso” com Kate Winslet e Hugh Grant nomeado para 7 óscares. Interpretou um dos raptores de cães em 101 Dálmatas e entrou nos três filmes de Stuart Little.
Mas Hugh não se fica pela representação, em 1996 editou o seu primeiro romance “The Gun Seller” que foi um best-seller. Está a tratar da adaptação ao cinema e a trabalhar no segundo livro, “The Paper Soldier”. Além disso é pianista e compositor e tem uma banda.

Ainda participou num episódio de Friends, mas em 2004 a sua vida iria mudar, e já ninguém iria esquecer o seu nome…
Enquanto estava a rodar o filme “Flight of the Phoenix” na Namíbia, Hugh fez a sua demo numa casa de banho para o episódio piloto de House, o produtor ficou tão convencido com o seu sotaque americano que não se apercebeu que na verdade ele era britânico…e estava encontrado o actor que daria vida a Gregory House.
Um médico brilhante, com a especialidade em Nefrologia (doenças do sistema urinário) e doenças infecciosas, responsável pelo departamento de diagnostico do hospital Princeton-Plainsboro. Que não tem nada de especial a não ser o seu mau-humor, total desrespeito pelos colegas e pacientes, usar uma bengala, sarcasmos de aço, viciado em Vicodin (um forte comprimido para as dores) e com métodos de medicina muito…alternativos. Fora isso…normalíssimo, uma medianiazinha…

Todos os epsódios ele e a sua equipa são confrontados com os mais bizarros casos, e têm de recorrer aos mais estranhos metodos (arrombar umas fechaduras já não é estranho…) para desvendar o diagnostico. Entre os casos clinicos ficamos a conhecer a sua dependência, os seus problemas com a ex-mulher, as suas confidências ao seu melhor amigo Wilson, as “brigas” com a sua chefe Cuddy, etc…
A acompanha-lo no elenco temos três jovens médicos que ele vai usar, abusar, levar ao limite, e até ultrapassa-lo. Cameron (Jennifer Morrison, não fez nada de especial a não ser um pequeno papel em Mr. Mrs. Smith. E mais recentemente participou nos filmes do videojogo “Command and Conquer: Tiberium Wars”) é o coraçãozinho da equipa, uma santa imunologista que só quer o bem dos pacientes. Da sua história sabe-se que casou com um doente terminal de cancro, que viria a falecer uns meses depois. Tem um pseudo-caso com House na segunda temporada da série, e é das poucas pessoas capaz de “segura-lo” nos momentos mais teimosos.
Eric Forman (Omar Epps, entrou em Scream 2, Against the Ropes com Meg Ryan, Dracula 2000, Alfie e participou ainda em 10 episódios de Serviço de Urgência) é um neurologista convicto que por vezes é a maior dor de cabeça de House e noutras, o seu maior aliado. Com um passado ligado a pequenos crimes (que House faz questão de lembrar periodicamente), chega mesmo a chefiar a equipa durante uns episódios. A mim sempre me deu a impressão que dos três é o melhor médico. E o Dr. Robert Chase, um loiro Cardiologista australiano que faz quase tudo o que House manda. É aquele que menos o questiona, mas ao mesmo tempo é aquele que menos merece o seu respeito.
Além da sua equipa temos ainda Wilson (Robert Sean Leonard, originalmente foi fazer o casting para o papel de House), o especialista em Oncologia (tumores malignos), responsável por manter House minimamente racional. Pode-se dizer que é o único que House realmente ouve, funcionando muitas vezes como voz da consciência. Os melhores momentos de humor são protagonizados por ambos (num dos episódios recentes, Wilson “rapta” a guitarra de House e vai-lhe mandando fotos e bilhetes a ameaçar a “vida” da pobre coitada…genial!). Se Wilson é responsável pela “trela” moral de House, Cuddy (Lisa Edelstein) controla a parte legal dos seus procedimentos. Amigos de longa data, Cuddy é responsável pela vinda de House para o hospital, e apesar dos limites que lhe impõe, sabe que os seus metodos resultam e por vezes fecha os olhos à logística pelo bem dos pacientes. É bem evidente a química entre ambos, mas ela vai-lhe dando uns cortes…

Com muitos convidados especiais (Chi Mcbride no papel de um bilionário que tenta controlar o hospital e despedir House durante a primeira temporada. Sela Ward dá “vida” à ex de House durante as duas primeiras temporadas. E ainda David Morse, no papel de um policia que moi a cabeça a House na terceira parte da série), podemos contar com interpretações geniais, quer de comédia quer drama. Sem nunca esquecer os actores menos conhecidos que têm desempenhos brilhantes como pacientes…

No final da terceira temporada assistimos ao despedimento dos três membros da equipa de House e a promessa de um novo começo, mas não é bem isso que acontece. Sem querer desvendar muito, House vê-se não com 3 assistentes, mas sim com 40…e os antigos três colaboradores não desaparecem por completo. Quanto a House, está cada vez pior…
Hugh Laurie conseguiu com a sua fantastica (e galardoada) interpretação, fazer-nos gostar de uma personagem longe de ser perfeita. Ao contrário das tradicionais e boazinhas personagens que vemos noutras séries, House é um homem que apesar do seu centro de bondade, tem muitos defeitos, mas não é por isso que gostamos menos dele, pelo contrário.
Como aspecto negativo só vejo o facto de todos os episódios serem muito parecidos. O início é a pessoa a ficar doente, depois mostra House a expor os dados do paciente, a coisa alonga-se e ele no fim tem um flash e resolve o problema… e a coisa não varia muito! Não sei se por falta de coragem em apostar em algo um pouco diferente, mas a verdade é que são os episódios mais “originais” que ficam na memória e considerados favoritos pelos fãs (recordo o episódio em que House dá uma aula e expões três casos, o episódio em que ele está preso no aeroporto e noutro em que resolve um caso em pleno voo…).

Há rumores que esta será a ultima temporada da série. Por mim nem quero pensar nisso…Não pode ser! House tem de dar todas as terças-feiras durante os próximos 30 anos, não pode acabar. Já não me imagino sem o seu sarcasmo e “crueldade”, o humor de Wilson e as discussões com Cuddy. Esperemos que seja um simples rumor…Normalmente digo “se não viram esta série…vejam e tal…”, mas não acredito que haja alguém que ainda não viu sequer um episódio. E ainda não encontrei ninguem que não gostasse…

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