Indy! Vê como (não) se escreve uma crítica…

(escrito a 2 de Junho de 2008)

…Como já referi antes, considero a profissão de crítico como “demasiado facil”. Ou seja, um “jornalista da especialidade” consegue acabar com um bom filme ou inflamar um que não vale os tin tins de um grilo! É como ter 10 anos, pegar num calhão e atirar à janela da vizinha (ou até à própria vizinha!) e em vez de ser castigado ou levar três pares de estalos, ver o seu “trabalho” recompensado, remunerado e reconhecido.
Diz-se quase o que se quer sem consequências. E depois fica-se sempre com aquela impressão que eles vêm filmes num Universo alternativo a este, em que estes são ridiculamente superiores aos terráqueos. Películas quase sempre japonesas, alemãs ou francesas que só um punhado (quando digo punhado, é de uma mão de um pobre desgraçado que ficou sem 3 dedos por causa de um foguete de Carnaval) de pessoas viu. Filmes requintadissimos de um intelecto superior, de um visual único, de um argumento esplendoroso, e com representações (lá está…) de outro mundo…mas que NINGUÉM VIU!!! E tudo o que seja americano é mau! Se for feito no Reino Unido ainda vá que não vá…mas se for americano tem defeito de certeza absoluta!!

Então, o passatempo desta gente é ver bons filmes, e quando têm de trabalhar (porque têm de escrever sobre filmes que as outras 6 Biliões de pessoas no planeta vêem…) dedicam-se a uma constante e dedicada procura pelos erros da película. Quer seja a banda sonora que não é adequada…ou a visão do realizador não era a ideal…O argumento não era fiel ao livro ou o actor tinha uma falha na barba do lado direito…Tudo serve para ridicularizar ou diminuir um filme!! E todos sabemos quão fácil é criar e difícil destruir (é óbvio que é ao contrário!). Quando é que perdemos a perspectiva que o cinema foi criado para divertir?! Que os filmes não são feitos para ganhar prémios?! (e os que são, quem ganha somos nós, porque vemos mais material de qualidade). O cinema não é para ser real! É suposto ter nexo, mas não têm que responder a todas as leis da física ou da bioquímica quântica da fisiologia anatómica do pardal!! É um filme!!! Na revista “J” (revista que vem de oferta com o jornal “O Jogo” aos domingos) desta semana, vem a seguinte review sobre o filme “Indiana Jones, e o Reino da Caveira de Cristal”, apreciem:

“Este regresso do professor arqueólogo/aventureiro não era dos mais prováveis, sobretudo porque Harrison Ford, o homem que usa o chapéu e o chicote de Indiana Jones, já não é exactamente um trintão ou um quarentão cheio de agilidade. Quer dizer, o homem tem genica e desenvoltura admiráveis para quem, em 2008, chega aos 66 (!) anos, mas essa não é a idade em que se veja alguém lançar-se de uma corda para um jipe em alta velocidade, ou a sovar um militar soviético com ar de bloco de cimento.

É verdade que, no quarto filme da saga Indiana Jones, o realizador Steven Spielbreg compõe umas quantas adaptações à medida de um Indy quase avô, mas fica a sensação de que não são suficientes. Jones regressa numa década de 1950 em que a Guerra Fria faz novos inimigos: os soviéticos. O heroi é saneado da universidade onde lecciona por suspeita de simpatias comunistas e, quando dá por ela, está a ser levado por Mutt Williams (Shia Labeouf) para a selva do Peru em auxílio do amigo Professor Oxley (John Hurt), capturado por agentes de Estaline e que parece ter endoidecido quando se apoderou da caveira do título – que não é de cristal, mas sim de um material muito mais potente e misterioso. Oaxley tentava devolvê-la ao lugar original, o templo de Akator, o que lhe abriria a porta de uma mítica cidade de ouro e de um poder esmagador mas desconhecido. A caveira não tem bem uma forma humana, o que já abre pistas esclarecedoras, e é no atar destas pontas soltas que o filme é mais forte e convincente.
Mas nem tudo funciona tão bem. Há momentos de acção onde a imaginação e os meios fazem delirar, mas também os há em que se estica a corda da credulidade até à fronteira do abusivo. Ver Jones a ser cuspido de uma explosão atómica dentro de um frigorífico aos trambolhões pelo deserto, é divertidamente surreal. Mas encontrá-lo depois a cair por uma sucessão de vertiginosas cataratas e sair sem um beliscão já é uma habilidade a roçar o rídiculo. Além disso, há saltos na narrativa que parecem surgir a martelo, como se alguém tivesse encolhido a fita no dia da antestreia. Esta é a mais oscilante das quatro aventuras de Indiana Jones, apesar de ter um argumento óptimo para quem gosta de cruzar a história, tecnologia, misticismo e formas de existência que não são deste mundo.”
Ora comecemos…
“…Harrison Ford, o homem que usa o chapéu e o chicote de Indiana Jones…” – Ora aqui está uma informação para encher a barriga! Ninguém sabia que o Harrison Ford era o Indiana Jones…

“É verdade que, no quarto filme da saga Indiana Jones, o realizador Steven Spielbreg compõe umas quantas adaptações à medida de um Indy quase avô, mas fica a sensação de que não são suficientes.” – Não são?! O homem foge a uma bomba atómica, pendura-se no chicote, salta de jipes e cataratas…faz mais do que em qualquer outro filme da saga! O que é que não é suficiente?

“Jones regressa numa década de 1950 em que a Guerra Fria faz novos inimigos: os soviéticos.” Ora, para quem não sabe, a Guerra Fria é a tensão entre Americanos e Soviéticos entre 1940 e 1990. Logo a “Guerra Fria” não faz novos inimigos…porque até então, NÃO HAVIA GUERRA FRIA!!!

“…apoderou da caveira do título – que não é de cristal, mas sim de um material muito mais potente e misterioso.” Ora cá está o primeiro spoiler, não é grande e é quase a meio do texto, mas não é o único…E não é de cristal?! Então é de quê? “Material mais potente e misterioso”…qual é o nome…pah, não me ocorre agora… porra….tava aqui mesmo na ponta da lingua….mesmo no céu da boca…..rais parta…..aaaah!! CRISTAL!!!

“Oaxley tentava devolvê-la ao lugar original, o templo de Akator, o que lhe abriria a porta de uma mítica cidade de ouro e de um poder esmagador mas desconhecido.” – Ora contem comigo… 1-“Oaxley tentava devolvê-la ao lugar original”. 2- “Ao templo de Akator”. 3- “o que lhe abriria a porta de uma mítica cidade de ouro”. 4- “de um poder esmagador mas desconhecido”…a única coisa que desconheço é o que passou pela cabeça de quem escreveu isto em colocar 4 spoilers numa frase!!!! Sendo que a mítica cidade de ouro só se descobre a meio do filme, e a última “pista” só é revelada mesmo no fim!!

“A caveira não tem bem uma forma humana, o que já abre pistas esclarecedoras…” – Ora cá está mais um. A caveira não tem bem uma forma humana!!! (ou tem, ou não tem! A não ser que seja a caveira de um Homo – metade homem, metade cromo!!) Mas para quê que se gastou tantos milhões a fazer um filme?! Se com cinco “pistas esclarecedoras” se consegue contar uma história? Ora vejamos:

“Indy é expulso da universidade, vai para o Perú onde encontra uma caveira alien de cristal, e tem de devolvê-la à cidade de ouro de Akator, onde vai descobrir (além de riqueza) um poder esmagador!”

Pronto! Tanto milhão…para quê?! É fácil Steven… eu digo-te as coisas, tu não te fias!!!

“Ver Jones a ser cuspido de uma explosão atómica dentro de um frigorífico aos trambolhões pelo deserto, é divertidamente surreal. Mas encontrá-lo depois a cair por uma sucessão de vertiginosas cataratas e sair sem um beliscão já é uma habilidade a roçar o rídiculo.” – Portanto, temos a história de um gajo de 66 anos que anda a fugir de um exército de soviéticos, de armadilhas milenares e a decifrar enigmas inter-estelares, com um chicote, um chavalo e um velho…e ele sobreviver a cataratas é que é rídiculo!! Tudo o resto é senso comum obviamente, vemos isso no nosso dia-a-dia, mas sobreviver a cataratas não me lixem!!! Isso não é possível!!! É coisa de “cinema”.
Mais, o (mesmo) gajo sobreviver a uma bomba nuclear dentro de um frigorífico é engraçado e até aceitável…mas cair de cataratas não!!! É “abusivo”!!

“Além disso, há saltos na narrativa que parecem surgir a martelo, como se alguém tivesse encolhido a fita no dia da antestreia.” – Aqui é que o texto se torna misterioso…Que saltos na narrativa é que ele se refere?! É que eu vi o filme e não senti nenhum salto…Se calhar foi quando o crítico foi até ao Universo paralelo dele, e perdeu uns 10 minutitos de filme…as tantas foi isso!!!

“Esta é a mais oscilante das quatro aventuras de Indiana Jones, apesar de ter um argumento óptimo para quem gosta de cruzar a história, tecnologia, misticismo e formas de existência que não são deste mundo.” – Quando se começa a ler o texto uma pessoa fica com esperanças: ”o filme oscila bastante…passa-se nos EUA, depois no Perú, tem muito movimento…é bom!”, mas depois: “apesar de ter um argumento…”, afinal não! Não era um elogio, porque eles vieram depois do “apesar”. Então o “oscilante” tem uma cotação negativa…qual é?! Não sei…É mais um mistério (do texto, porque do filme ele revelou-os todos!) que fica no ar.
É óbvio que exagerei no que escrevi. E criei problemas onde eles até podem não ter existido… mas a verdade é que eu o fiz em casa…e não fui remunerado por ele… nem foi lido por (possivelmente) milhares de pessoas… É a diferença…

Agora digam-me, quantas pessoas deixaram de ver um bom filme por causa de esta crítica?!

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