Jessica Jones (2T) – Quando a mente é que paga…

[CONTÉM SPOILERS DA 2T DE “JESSICA JONES”] Porque já lá vão umas longas 48h que não escrevo sobre a série…

O Universo Marvel é hoje em dia um piquenique no parque, cheio de humor, cores e fogo-de-artificio. Qualquer momento de drama é seguido imediatamente de uma punch-line, como uma mãe que põe álcool na ferida e vai logo dar beijinhos. No que toca à televisão, o meio cujo destino depende dos ventos cinematográficos, a história é outra. Jessica Jones junta-se a “Daredevil” ao abraçar a aura escura e neste caso psicológica. Ainda bem, porque para mim esta temporada é bem superior à primeira e está ao nível do melhor que “Daredevil” nos deu.

Os primeiros cinco episódios, contam uma história falaciosa do espírito da restante temporada. A antagonista ganha mais tempo de antena e dá peso ao enredo e Trish desce uns degraus para o lado negro. É certo que o início não prometia arco-íris e gomas, mas credo. De certo modo a temática repete-se: o ponto mais forte de Jessica é o físico e em ambas as temporadas luta contra o seu ponto mais fraco, a mente. Primeiro aprendeu quem era (uma heroína) e agora aprendeu o que não era (uma assassina). Combateu um homem que quebrava mentes e nesta luta contra uma mente quebrada.

“My mother’s brain is damaged. What’s your excuse?”

Se tiver de destacar um episódio talvez seja o sétimo. “I Want Your Cray”, além de me dar flashbacks para o passado de Robin de “How I Met Your Mother” antes de enveredar também nos Avengers, fornece bons pormenores do passado das personagens e ajuda a entender muitos comportamentos presentes da protagonista. No entanto, nem tudo foi ritmado e mantenho a opinião de que com dez episódio teria sido uma temporada mais intensa/melhor. O oitavo episódio, e mesmo o último, são exemplo disso mesmo. A Netflix confia que vemos a temporada em maratona: há alturas em que se desleixa porque sabe que o próximo episódio está logo ali.

A 1T mostrou-nos o triunfo do poder feminino sobre o opressor masculino (talvez esteja a dar uma conotação exagerada), nesta temos um completo império em que elas dominam triunfantes. A criadora é mulher, todos os episódios tiveram realizadoras e salvando Oscar e Malcolm (nenhum deles se destaca, servindo para eye candy), foi um desfile de talento feminino. Krysten Ritter esmaga no humor e no profundo sofrimento. Excelente. Trysh percorreu quase todas as bases, de heroína a vilã e de super a comatosa. Gostei do seu protagonismo e muita da culpa e da performance de Rachael Taylor. Já referi o meu agrado com Carrie-Anne Moss e, embora ache que o seu final foi algo “cor-de-rosa”, cenas como convencer Inez a cometer homicídio são brilhantes. Se muito dos elogios da 1T se devem a Killgrave, mais uma vez o casting foi fantástico na vilã e não há nada a apontar a Janet McTeer, apenas elogiar. Seria total descuido não referir o “Cameo” de David Tennant. É verdade que tenho um ódio especial por alucinações em séries, seja qual for a justificação dada, mas é difícil apontar algo quando o talento é tanto. Além de que não foi enjoativo, teve um propósito e foi-se.

“If you say with great power comes great responsibility, i’m gonna barf on you.”
(“Spiderman” de Toby Maguire é canon!)

No final, todas as relações mudaram, Trish vira Elektra ou sidekick e Malcolm dá uma de Foggy. Jessica, mais quebrada do que nunca, mas desta vez a esforçar-se por manter a cabeça à tona. Espero que a 3T seja uma realidade porque estas personagens merecem, o elenco merece de certeza. Uma série de mulheres, para mulheres, que agrada a todos.

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