Jessica Jones (2T) – Primeiras impressões…

[NÃO CONTÉM SPOILERS DA 2T DE “JESSICA JONES”] Após visualizar os primeiros cinco episódios da segunda temporada (estará disponível na totalidade amanhã), há já certas conclusões que se podem tirar. Algumas coisas permanecem na mesma, outras (muitas) melhoraram e outras (poucas) pioraram.

– “I never take no for an answer.”
– “How rapey of you.”

O que se pode afirmar com certeza é que quem gostou da primeira temporada vai continuar fã da série. Todos os ingredientes que a distinguem das restantes séries Marvel estão na receita. A começar pela própria Jessica “No Bullshit” Jones, igual a si mesma, no humor e temperamento. Desde o primeiro episódio que o assunto “Vingadores” não é muito bem-vindo, há referências pontuais, mas a narrativa faz por se afastar. Isso é bom e mau: se por um lado é refrescante que ser obrigatório mergulhar no universo Marvel e as séries consigam viver em casas separadas, por outro esta não é a mesma Jessica de “Defenders”.

Continuam presentes as mesmas calças, mesmas botas e mesmo casaco… mas os planos do rabo da protagonista foram drasticamente reduzidos. Ainda bem, chegou a ser um abuso na T1 e por esta altura acho que consigo desenha-lo só de memória. Os problemas com a bebida é que estão melhores do que nunca, aliás, sugiro um drinking game: beber um shot sempre que Jessica acorda com alta ressaca. Prometo-vos que estarão como ela após o primeiro episódio.

“You often need protection from your own vagina.”

Esta temporada repete um pouco da formula de “Daredevil”: À segunda temporada mergulhamos na verdadeira história de origem da personagem. A relação com a irmã, com a mãe adoptiva e a própria origem dos seus poderes, tudo arcos que fazem o miolo da season. Trish é mesmo a principal força impulsionadora de Jessica e quase uma segunda protagonista. Faz avançar a investigação e serve de âncora ao passado das irmãs.

O MELHOR

  • Carrie-Anne Moss – Muito mais presente e sem dúvida o meu destaque em termos de elenco. A sua história é interessante e tem um grande desempenho (tenham especial atenção a uma cena sua no segundo episódio).
  • Humor – O sarcasmo de Jessica continua a ser dos pontos mais positivos da série. Os seus one-liners são do melhor.
  • Trish – Humaniza a protagonista e permite explorar outros focos. Para não ser só Jessica, Jessica, Jessica…
  • Caso Central – Apesar dos clichés, o caso policial central da temporada desperta interesse…
  • Antagonista – …Desperta interesse principalmente por força de um antagonista diferente e misterioso. Há sempre novas vias de investigação e personagens que nos fazem desconfiar.
  • Poderes – As exibições de força não são feitas em lutas, mas em pequenos pormenores mundanos (quer sejam cadeiras ou pianos). Jessica não é Daredevil, aliás, em cenas de duelos raramente Jessica sai por cima).
  • Talento – Mais do que feminista sou apreciador de talento, seja ele masculino ou feminino. A decisão de ter apenas realizadoras nos treze episódios é de louvar, principalmente porque em momento algum se nota “forçado”.

O PIOR

  • Clichés – Para não spoilar, não me vou alargar neste ponto (apenas na revisão à temporada), mas há muitos lugares comuns na história. Desde a velha companhia-vilã, à experiência de laboratório que correu mal.
  • Jessica Dark Side – Inicialmente vemos a detective bastante em baixo, ainda a recuperar do homicídio de Killgrave. O problema é que não foi essa a Jessica que vimos em “The Defenders”.
  • Acção – Os mais exigentes por adrenalina vão ficar desapontados pela ausência de grandes cenas de demonstração de poderes. Há cenas assim, mas novamente, não é Daredevil.
  • Bebida – Há um certo limite necessário no quanto nos atiram à cara o alcoolismo da protagonista… já percebemos!
  • Entrar à bruta… – Os momentos iniciais da temporada são algo “sufocantes”. Mostram dois antagonistas, um novo caso, um interesse romântico, casos pontuais… Nem tudo é importante, nem tudo é necessário.

“With great power comes great mental illness.”

Em suma, estou intrigado e entretido. Há aspectos da narrativa que gostaria que fossem diferentes e a série melhorava muito se em vez de 13 episódios tivesse 10 (dá para perceber isso com apenas 5 vistos), no entanto, nada que estrague o prazer. Se não foram fãs da temporada inicial, não é agora que se vão converter. Mas os fãs vão encontrar motivos para devorar os episódios.

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