Jobs for The Boys…

[NÃO CONTÉM SPOILERS] The Boys não é a séries de super-heróis que merecíamos, mas é uma série que precisávamos…

The Boys não tem uma premissa completamente original e, se vamos começar a martelar os pregos na cruz, tem uma narrativa previsível. No centro da história está uma equipa de sete super-heróis que por trás de uma fama (e proveito) à escala mundial escondem histórias individuais de trauma, vicio, narcisismo e irresponsabilidade. A tradicional companhia maléfica, para além de querer controlar o mundo, gere a imagem destas máquinas de fazer dinheiro e aí se encontra um dos muitos pontos em que a série explora a comédia. No lado oposto temos uns arqui-inimigos feitos de carne e osso pelos quais torcemos. Um bando igualmente marcado pela tragédia e que vê nos “supes” a fonte do mal que vai na América.

A história tem muitos lugares comuns, mas tem também uma grande lufada de ar fresco a nível visual. Acreditem quando vos digo que nunca viram super-poderes a serem usados assim: vão ver uma mulher a masturbar-se enquanto enfia os dedos nas guelras de alguém e outra personagem a usar um recém-nascido como pistola laser. Há muito sangue, muito palavrão, alguma nudez e tudo serve para nos provocar sentimento. As comparações com Hancock e até Preacher são óbvias para mim, não fosse Seth Rogen estar também metido ao barulho. Os visuais são mesmo o ponto mais forte e será raro sentirem-se entediados durante os oito episódios da temporada (já renovada), por muito que a trama completamente previsível estrague (um pouco) a experiência.

O elenco conta ainda com Jessie T. Usher (Independence Day), Karen Fukuhara (Suicide Squad), Laz Alonso (Breakout Kings), Chace Crawford (Gossip Girl), Jack Quaid (Hunger Game) e Erin Moriarty (Jessica Jones). Elisabeth Shue, Jennifer Esposito e Simon Pegg são outros nomes bem conhecidos.

O senão deste comboio desenfreado é a relação amorosa entre Annie e Hughie (até os nomes provocam irritação). Individualmente, caminham sobre a linha do “personagem-copy-paste-que-já-vimos-dezenas-de-vezes”, quando se juntam, é difícil ficar entusiasmado. Mas como se fazem rodear de gente absolutamente tresloucada, engole-se bem. Karl Urban, completamente sem trela para dizer o que lhe apetece, quando apetece e no sotaque que lhe apetece, e o sempre excelente Antony Starr, num registo psicopata que me fez sentir muitas saudades de Banshee. Ambos fazem com que tudo encaixe e são as grandes âncoras de um elenco que não é pequeno. Uma nota para o desconhecido Tomer Capon (Frenchie) que vai ganhando mais protagonismo (e coração) à medida que os episódios avançam.

Se posso pregar mais um prego, diria que foram ambiciosos no número de arcos que tentaram abraçar. Não chega a ser “confuso”, mas podia ter uma narrativa mais focada e não tão preocupada em fazer crescer a água na boca do espectador. The Boys é uma série para quem quer desenjoar de super-heróis ou para quem se banha neles. Com um humor e gore apurados, explode sangue por todo o lado na tentativa de esconder os buraquitos de uma escrita mais preguiçosa…

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