Muito Pantera, pouco negra…

[SEM SPOILERS] Aliás, esta análise é tão livre de spoilers que nem imagem do poster decidi incluir… Mais, eu nem vi o filme para não incluir spoilers sem querer!!!

Saltemos então o costume de dizer que o mais recente capítulo do (interminável) Universo Marvel mostra-nos tudo o que poderíamos esperar, que a Disney há muito aperfeiçoou o modelo e aqui podemos encontrar mais do mesmo, quer gostem ou não… blah blah, whiskas saquetas.

“Black Panther” é um filme de entretenimento e deve ser olhado através desses óculos. Com a graduação certa o filme não desilude. Tem a acção que o trailer promete e faz um bom papel em introduzir uma personagem, que tal como muitas da Marvel, é desconhecida do grande público. Então o que torna este herói diferente? Bem, no fundo nada. Nada que vá despertar novas papilas gustativas ou que crie um “ah ha!”. Tchalla vai buscar ideias a Iron Man (com uma história que condensa a evolução dos três de Downey Jr.), a acção a Spiderman e todos os actos narrativos que vimos over and over.

O problema principal que destaco é o passo: começa e acaba com acção mas há momentos em que abranda muito. O peso dramático torna o filme mais “sério” do que o mais recente Thor e tem um elenco que o faz bem, no entanto é algo que vale a pena realçar. Outro aspecto que merece destaque é a cultura (e som, a cargo de Kendrick Lamar) africana que emerge e destaca dos outros filmes do Universo. O tecnológico alia-se à tradição de maneira bastante simbiótica e isso vê-se e ouve-se. A acção é boa, mas novamente, não é bem doseada. Todo o excesso de edição nas cenas está presente, especialmente no acto final em que ocorre a habitual cacofonia de arcos em conflito. Curiosamente é quando o filme deixa as cenas fluir (cena no casino) que causa mais impacto.

Os destaques no elenco (vasto) vai para Boseman, que carrega bem o filme mas fica longe de ser carismático e único. Todos os grandes Senhores Vingadores têm algo que os define e dá uma imediata empatia com o publico (também fruto de um acumular de vários filmes) e Chadwick embora muito competente, não fascina. O vilão de Michael B. Jordan também ele não prima pela originalidade e o actor faz o que pode com o que existe. Letitia Wright (Shuri) e principalmente Danai Gurira (Okoye) são as principais co-focos a destacar, pelo humor/rebeldia da primeira e a seriedade/badassery da segunda.

“Black Panther não desilude os fãs e é um bom snack antes do super-hype de Infinity. Elenco consistente, acção de bom nível e visualmente muito apelativo. Algum problema de passing e o problema do costume com o vilão (não é dos piores ainda assim). Não segue a tendência de pura comédia como os títulos mais recentes e isso joga a seu favor, porque Boseman não é esse tipo de herói e porque era importante ancorar a história ao drama. Fiquem para as duas cenas pós-créditos, óbvio.

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